CRÍTICA | Karatê Kid 2 – A Hora da Verdade Continua

Ação
// 21/08/2010
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Lançada dois anos depois do início da saga, a continuação Karatê Kid II – A Hora da Verdade Continua mantém a fórmula que garantiu aplausos do público e elogios da crítica (à época, o especialista Roger Ebert disse considerar aquela “a melhor produção do ano”). Na sequência, dirigida por John Avildsen, os mesmos elementos do primeiro filme se fazem presentes, embora diferenças fundamentais mudem o tom com que a trama é conduzida.

Pouco tempo após o fim da primeira produção, o – agora treinador de karatê – Sr. Miyagi (Noriyuki “Pat” Morita) recebe uma carta de Okinawa, sua aldeia natal, comunicando o grave estado de saúde de seu pai. Pela primeira vez em 45 anos, Miyagi retorna ao Japão, onde havia deixado um antigo amor (Yukie, vivida por Nobu McCarthy) e um rival (Sato, interpretado por Danny Kamekona). Ao desembarcar no Japão com seu aprendiz Daniel (Ralph Macchio), Miyagi tem que reviver – e resolver – uma série de pendências do passado.

Há quase cinquenta anos, Miyagi havia se apaixonado por Yuki, que – pela força da tradição – deveria ter se casado com Sato, seu melhor amigo naquele tempo. Agora, Sato considera-o um traidor por ter abandonado a aldeia e o desafia novamente para um duelo proposto quando os dois ainda eram jovens. A relação entre os três – e o que decorre dela – impulsiona todo o desenrolar da história.

Daniel, por sua vez, se apaixona por Kumiko (Tamlyn Tomita), mas tem que enfrentar Chozen (Yuji Okumoto), o sobrinho de Sato – e também lutador aprendiz –, que detesta o jovem americano logo à primeira vista. Há, portanto, a repetição dos ingredientes centrais do primeiro filme: uma garota, um rival e um desafio de karatê. O que distingue as duas obras é a gravidade dos desafios nelas presentes.

Em Karatê Kid II, o tom quase adolescente da disputa de que Daniel participa no primeiro longa-metragem dá lugar à tensão adulta dos enfrentamentos entre ele e Chozen, e entre seus respectivos mestres. Ainda, essas disputas não têm mais lugar em um torneio de karatê: aqui, os duelos apresentados são de vida ou morte. É nesse sentido que a sequência parece ter amadurecido em relação ao original.

Embora não desperte tanta simpatia quanto o primeiro filme (sobretudo pela ausência de um encantamento inicial, compartilhado pelo iniciante Daniel e pelo público), Karatê Kid II tem sucesso em emplacar sequências com maior carga dramática, algo que pode ser notado no papel de Miyagi, que passa de velhinho simpático a homem forte, sério e ainda mais determinado.

Apesar de não ser um primor nos aspectos técnicos (falha também do primeiro filme), os méritos da produção residem também na condução da câmera em cenas de movimento e combate, nas quais os enquadramentos fechados (característicos do torneio do primeiro filme), aliados à competente trilha sonora (representada no Oscar com a canção “Glory Of Love”) dão uma sensação de imersão tão interessante quanto a vista na primeira parte da trilogia. Assim sendo, em relação a seu antecessor, Karatê Kid II configura-se como uma experiência contínua, de fórmula similar, mas sob uma diferente perspectiva autoral, que – exatamente por isso – pode tanto agradar pelas inovações quanto desagradar pelas mudanças.


Karate Kid 2 (EUA, 1986). Ação. Columbia Pictures.
Direção: John G. Avildsen
Elenco: Ralph Macchio, Noriyuki “Pat” Morita

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