CRÍTICA | Karatê Kid 3 – O Desafio Final

Ação
// 21/08/2010
karate-kid-3

O propósito de uma sequência cinematográfica deveria ser o de dar continuidade aquilo apresentado na produção original: seus personagens e as situações que os circundam. Karatê Kid II – A Hora da Verdade Continua, primeira sequência da série estrelada por Daniel Larusso (Ralph Macchio) e Sr. Miyagi (Noriyuki “Pat” Morita), como seu próprio subtítulo em português afirma, tem sucesso em seu propósito. Contudo, o mesmo não pode ser dito sobre o capítulo final da trilogia: O Desafio Final, lançado em 1989.

A história – uma confusão só! – tem início logo após o fim do segundo filme. Quando Sr. Miyagi volta de Okinawa junto de seu pupilo, é notificado de que perdeu o emprego e, assim, decide abrir uma loja para vender bonsai, seu antigo sonho de aposentadoria. Tendo se acomodado como um simples vendedor – e não mais treinador de karatê nas horas vagas -, Miyagi convence Daniel a recusar um convite para defender seu título, vencido ainda no primeiro filme. Constitui-se, nesse momento, a primeira descontinuidade da continuação, uma vez que a segunda parte da trilogia é sumariamente ignorada na construção da terceira.

Paralelamente, o milionário Terry (o canastrão Thomas Ian Griffith) decide ajudar seu antigo amigo Kresse (o também canastrão Martin Kove, vilão do primeiro filme) a vencer o torneio e recuperar sua escola de karatê, que teve falência decretada após a derrota para Daniel na edição anterior da competição. O plano maligno envolve também o jovem Mike Barnes (Sean Kanan), designado para “convencer” o protagonista Larusso a participar do torneio, para posteriormente massacrá-lo no tatame. A nada crível, mas eficiente estratégia de convencimento inclui ameaçar Daniel à beira de um precipício, de modo que ele assine a ficha de inscrição para defender seu título.

Reside aí um dos poucos méritos de um roteiro com tantos furos que poderia ser usado como peneira: Daniel se rebela após a recusa de Miyagi para treiná-lo, em defesa dos princípios histórico-espirituais do karatê. Esse desvio na trama (aliado ao fato de Daniel quebrar um bonsai raro e outras excentricidades roteirísticas) faz com que o jovem perca a confiança de seu treinador e tenha que se preparar para o torneio sem sua ajuda. O protagonista é enganado e passa a ser treinado por Terry, que utiliza preceitos e técnicas de combate desleais, opostas aos ensinamentos de Miyagi. Tais lições de violência levam o garoto ao limite, e Miyagi se vê obrigado a intervir – treinando Daniel para o combate e obtendo o mesmo óbvio resultado.

O diretor de Karatê Kid III é o mesmo do restante da trilogia, mas não repete o bom trabalho realizado nela e em Rocky; o roteirista é o mesmo, mas traz consigo inovações grotescas; a mensagem supostamente transmitida é a mesma; os personagens são os mesmos e fazem as mesmas coisas; e até algumas frases são as mesmas, sem que ao menos se consiga transformá-las em bordões memoráveis. Em suma, o desfecho da série é não mais que isso: uma repetição excessiva e nada empolgante.

Ainda, o que não é repetido consegue ser piorado: devido à atuação exagerada de Ralph Macchio, Daniel passa longe de ser convincente como nos primeiros filmes. Já “Pat” Morita não repete a atuação do primeiro filme (que rendeu-lhe uma indicação ao Oscar) e tampouco emociona como na segunda parte. Os personagens de apoio conseguem ser ainda mais decepcionantes: os vilões são caricaturas e a garota da vez (vivida por Robyn Lively) tem papel tão diminuto e sem graça que sequer foi necessário citá-la na crítica.

Assim, se o espectador pretende ter uma boa imagem da série, deve crer fielmente na ideia de que a primeira impressão é a que permanece. Se o fizer, terá bons exemplares de uma história que, se não tão problemática em seu encerramento, poderia ser ainda mais marcante. Do contrário, terá uma trilogia em que o último volume, se desprezado, não fará falta alguma.


Karate Kid 3 (EUA, 1989). Ação. Columbia Pictures.
Direção: John. G. Avildsen.
Elenco: Ralph Macchio, Noriyuki “Pat” Morita, Thomas Ian Griffith, Robyn Lively

Comentários via Facebook
Categorias
Ação, Críticas