CRÍTICA: Karatê Kid

Ação
// 26/08/2010

Mais de 25 anos depois, volta aos cinemas por uma refilmagem. Sem maiores pretensões, a nova produção vem atualizada e evoluída sem, no entanto, mudar a essência e a história, de modo geral, da produção antiga.

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Karatê Kid
por Henrique Marino

A crítica poderia pôr à prova a originalidade dessa nova versão e também questionar o seu objetivo. Mas aí teríamos que ir mais a fundo e discutir a originalidade e os motivos da primeira história, tendo por conclusão que o tema do filme, a superação, é tão antigo quanto a História e costuma estar presente entre as qualidades de qualquer herói; assim, a versão “original” não é mais que uma atualização desse tema. O filme ainda poderia ter grande consideração enquanto obra-prima se se tratasse de uma atualização inovadora ou, no mínimo, muito bem realizada do velho tema; mas isso não ocorre, visto que há apenas o uso de clichês – de época, os anos 1980 – do veículo – o cinema – para a criação de uma história desgastada por inúmeras repetições através do tempo. Contudo, deve-se considerar esse desgaste necessário, pois a humanidade precisa, de tempos em tempos, de revisões do seu imaginário que, deste modo, sofre inúmeras atualizações e repetições ao longo da História. Assim sendo, o novo Karatê Kid fica no mesmo nível do seu antecessor e não passa da revisão de um mito antigo.

Cinematograficamente, no entanto, a análise deve ser diferente e se ater a alguns detalhes e é impossível criar essa crítica sem pôr as duas filmagens lado a lado, o que a pormenoriza ainda mais.

Karatê Kid (1984) é um clássico para a atual geração, conquistou isso com uma história simples e bonita embalada em um cinema pop para a época. Karatê Kid (2010) aposta no mesmo, não abandona a antiga história e a direção é antenada no cinema pop contemporâneo. Deste ponto de vista, as duas obras estão, novamente, no mesmo nível.

A refilmagem é fidelíssima à original.  A narrativa não sofre mudança alguma. Só é incorreto dizer que a obra é uma cópia porque o roteiro é de propriedade da produtora, sendo direito dela e do autor fazerem o que bem entenderem com o seu produto. Pelo visto, eles resolveram colocar na mão de um estreante que preferiu não mudar muita coisa.

Karatê Kid conta a história de Dre (Jaden Smith), um garoto que é obrigado a mudar de país por causa da mãe. No novo ambiente, arranja problema com garotos que frequentam uma academia de artes marciais. Mr. Han (Jackie Chan) vem auxiliá-lo, por compaixão, num momento difícil; para isso, ele precisa bater nos garotos que batiam em Dre. Assim, Dre e Mr. Han encrencam-se com os garotos e seu treinador. Para saírem dessa situação, Dre se inscreve num campeonato de Kung Fu e, para que não passe vergonha em público, Mr. Han o treinará.

Quem viu o antigo percebe pela sinopse que pouco da estrutura foi mudado. Ao ver o filme, a sensação será mais forte. Há cenas e diálogos que são enxertos do antigo. No entanto, há alguns poucos pontos em que Christopher Murphey, o roteirista, prefere fazer diferente, e neles ele acerta, melhorando com retoques a trama. Ademais, encaixa os elementos que antes estavam dispersos.

Jackie Chan, como sempre, empresta sua imagem carismática ao longa. Embora protagonize apenas uma cena de ação, ela é a melhor do filme e segue o estilo comum à filmografia do ator: sozinho, dispensa golpes criativos para confundir e derrubar vários adversários ao mesmo tempo. Mas seu personagem não se limita a isso. Ao passo que encarna o mestre que era Miyagi em 1984, ele o transforma em um personagem com nuances próprias que antes não eram tão evidentes. Mr. Han possui uma história difícil e carrega consigo traumas dela. Junto a Dre, ele encontrará apoio. Isso engrandece o diálogo entre as duas personagens centrais.

Outro personagem que ganha peso na trama é a mãe, interpretada por Taraji Henson. Se no longa de 1984 a mãe era uma figura quase ausente, que apenas servia para justificar a mudança de Daniel, aqui ela exerce sua função materna de fato e fornece bons momentos cômicos. A grande revelação do filme é Jaden Smith. Parece que o garotinho herdou o talento do pai. Ele carrega despretensiosamente o peso do seu mítico personagem e traz corretamente  os sentimentos que a cena exige.

A comédia em si parece mais bem trabalhada na refilmagem. Talvez esse efeito seja só pela atualização dela; mas, mesmo que seja só isso, é digno de nota. O roteirista até ousa ao se referir com graça ao antigo longa.

Karatê Kid é um ótimo filme para se passar o tempo sem se preocupar com constrangimentos. É um misto de tudo o que há de bom para se divertir no cinema.

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The Karate Kid (EUA, 2010). Ação. Aventura. Sony Pictures.
Direção: Harald Zwart
Elenco: Jackie Chan, Jaden Smith

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Ação, Aventura, Críticas