CRÍTICA | Kick-Ass 2

Ação
// 02/11/2013

Imprevistos acontece e, vez ou outra, uma crítica atrasa – e muito. Mas Kick-Ass 2 já estava na nossa mesa há dias, antes até da estreia do filme. Mas só agora a crítica pode ser lida aqui. Obviamente, muitos já viram o filme, mas a opinião ainda conta e é melhor dá-la do que ocultá-a.

Kick-Ass 2
por Luan Tannure

Após Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson) ter vestido pela primeira vez o uniforme de Kick-Ass, ele inspira uma legião de pessoas comuns a se tornarem super-heróis. Cada qual com suas próprias motivações. Enquanto ele tenta formar uma nova equipe com Mindy McCready, a Hit-Girl, (Chloë Grace Moretz),  ela se vê forçada a não desobedecer seu mentor Marcus (Morris Chestnut) e promete não vestir mais o uniforme de Hit-Girl. Convidado pelo Coronel Estrelas (mostrando ainda toda a boa forma do inigualável Jim Carrey), Kick-Ass então ajuda a formar a “Justice Forever”, a primeira legião de super-heróis amadores.

Ao mesmo tempo, Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse) agora tem de estudar em casa e sua mãe o proíbe de vestir o uniforme de Red Mist. Sedento por vingança (afinal, seu pai morreu com tiro de bazuca!) ele assume seu lado vilanesco e um novo codinome: The Motherf*cker. Sua maior habilidade não é a força física, nem o intelecto, mas sim o poder de comprar, e isso inclui um exército de super vilões com o dinheiro de sua família.

O filme é muito bem estruturado do início ao fim. As pontas remanescentes são resolvidas de modo rápido, como a sua namorada, que não existe na HQ e termina o relacionamento ao pensar que ele estava se encontrando com Mindy. E o roteiro que se permite novas adaptações, ao mostrar a entrada de Mindy na adolescência (até porque a própria Chlöe já não é nenhuma criança e o fazem com uma ótima referência às boyband) sugere até um arco romântico entre ela e Dave que não fica forçado, apesar do clichê em si fugir da visão fraterna que regia a dupla no filme anterior.

E ainda que um dos maiores erros dos longas atuais é o de não estarem adaptados aos novos “tempos modernos” da conectividade e informação em tempo real, é justamente aí o acerto de Kick-Ass 2. As redes sociais finalmente aparecem como um meio coadjuvante, seja para divulgar seus atos de vilania ou para conhecer outros super-heróis. Ainda deve-se notar outra dupla dinâmica: a pancadaria gratuita e a sanguinolência (que só perde para Tarantino). A cereja do bolo. O diferencial da maioria dos filmes “limpos” atuais.

Quanto à fotografia, ela não apresenta nada de novo, a não ser nas cenas de luta, cuja personagem Mother Russia (Olga Kurkulina) é a que melhor se aproveita dela com todo o seu tamanho e movimentos quase titânicos se comparados à pequenina (mas já uma tremenda mulher) Hit-Girl. As cores bem vibrantes servem quase para destacar o “bem” todo colorido e espalhafatoso do “mal” sempre de preto. E entre todos os vilões não tem como não citar a melhor fantasia de todas, a do primeiro supervilão, Motherf*cker. Aliás, merecem palmas por tirarem as melhores gargalhadas do filme, ele e seu “Alfred”, Javier (John Leguizamo).

É claro que por ainda ter um pé voltado para o público jovem, o filme se torna uma metáfora sobre o crescer em si. Sobre as escolhas que fazemos e como isso nos faz ser quem somos. Ele se faz o arquétipo da vida real e as consequências sobre nossas escolhas, por mais absurdas que sejam. Talvez por isso a utilização do “super-herói” não interfira quando esse assunto é tocado. Mas é um filme que agrada tanto os mais novos quanto os mais velhos.

Quando Matthew Vaughn deixou a direção para dar continuidade ao seu trabalho em X-Men: Primeira Classe 2 e Jeff Wadlow assumiu, nem todos aprovaram, mas em momento algum a troca na direção afeta o filme. Pelo contrário, provou que é nessas horas que devemos dar o melhor de nós mesmos e chutar algumas bundas.

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Kick-Ass 2 (EUA, 2013). Ação. Universal.
Direção: Jeff Wadlow
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Chloë Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Jim Carrey

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Categorias
Ação, Comédia, Críticas