CRÍTICA | Kong: A Ilha da Caveira

Aventura
// 15/03/2017
kong

Com ótimo elenco e uma trama e direção que começam cheias de personalidade, mas vão se tornando progressivamente ordinárias ao longo do tempo de exibição, o “novo filme do King Kong” é exatamente isso: uma história inédita e original para o gigantesco gorila, sem nenhuma relação aparente com o lendário longa em preto e branco de 1933, o remake realizado por Peter Jackson em 2005 ou a meia dúzia de refilmagens e spin offs entre um e outro.

Após um prólogo divertido e visualmente instigante que acontece durante a Segunda Guerra, o pouco conhecido diretor Jordan Vogt-Roberts estabelece a trama nos Estados Unidos da década de 1970, com direito a uma ótima trilha sonora recheada de rock hits setentistas, de Bowie a Jorge Ben. A sólida sequência inicial, em que o Bill Randa de John Goodman e seu parceiro Houston Brooks (Corey Hawkins, de The Walking Dead e 24: Legacy) buscam apoio do governo para realizar uma expedição à misteriosa e inexplorada Ilha da Caveira, chega a lembrar os numerosos filmes dos irmãos Coen que contam com a participação de Goodman.

Aliás, é sintomático do desequilíbrio entre as duas metades do filme que o coronel Packard de Samuel L. Jackson e o ex-capitão das forças especiais britânicas James Conrad, de Tom Hiddleston, também tenham seus melhores momentos – com exceção de uma bela sequência plástica de ação protagonizada por Hiddleston mais adiante – nos primeiros 60 minutos, antes de se tornarem, após a explosiva apresentação de Kong, e junto com a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson), os soldados do pelotão de Packard e os demais integrantes da expedição, estereótipos sem peso dramático em meio à violência surpreendentemente exacerbada. Uma bem-vinda exceção é o impagável personagem-surpresa vivido por John C. Reilly, sobre o qual quanto menos falarmos, melhor.

A partir daí, o foco muda para as (muitas) ameaças presentes na Ilha da Caveira, enquanto o próprio Kong, extremamente imponente, mas dono de um urro que poderia ser mais expressivo, protagoniza confrontos brutais que, ainda que visualmente impressionantes, vão se tornando cada vez mais rasos em sua lógica.

No fim, a curiosa decisão de basicamente ignorar a existência prévia da clássica história do monstro que se “apaixona” pela Ann Darrow de Fay Wray, Jessica Lange ou Naomi Watts, ao não encontrar o contrapeso de uma aventura à altura, acaba pondo em xeque a relevância de Kong enquanto obra com algum propósito além de servir como base para um possível futuro encontro do gorila com Godzilla.

 


Kong: Skull Island (EUA, 2017). Aventura. Warner Bros.
Direção: Jordan Vogt-Roberts
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John Goodman, Corey Hawkins.

6-pipocas

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Aventura, Críticas