CRÍTICA: Kung Fu Panda 2

Ação
// 09/06/2011


Sem apostar em grandes inovações além da já quase obrigatória tecnologia 3D, a DreamWorks nos leva de volta ao universo de Po e seus amigos em uma animação movimentada e tecnicamente impecável.

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Kung Fu Panda 2
Por Gabriel Costa

É um ponto digno de debate se algum segmento no mundo do cinema apresentou um desenvolvimento tão intenso e abrangente na última década quanto o das animações. Enquanto em meados da década de 90 o espectador podia ter uma ideia bastante apurada do que encontraria ao entrar numa sala de exibição para ver um “desenho”, hoje temos produções arrojadas com comentários sociais, mensagens ecológicas mais profundas e até autoparódia inteligente.

Nesse contexto, um dos grandes trunfos de Kung Fu Panda 2 é justamente aproveitar o avanço técnico do meio sem se perder na metalinguagem. A trajetória do jovem gorducho que se tornou um herói e tenta agora se adequar ao novo papel poderia ser contada com outros animais, robôs ou até mesmo humanos sem alterações radicais, e isso só depõe a favor da qualidade da história.

Na continuação do primeiro longa, de 2008, Po (dublado por Jack Black no original e pelo apenas eficiente Lúcio Mauro Filho na versão nacional) já está estabelecido como defensor do Vale da Paz e conta com o apoio irrestrito dos Cinco Furiosos e do Mestre Shifu. Quando o representante de uma antiga dinastia retorna com uma arma de conquista que pode ser mais forte que o kung fu, no entanto, o atrapalhado Guerreiro Dragão se encontra diante de um adversário ligado às suas próprias origens perdidas – afinal, ninguém achou que Po fosse mesmo filho biológico daquele ganso conzinheiro, certo?

A história parte de uma cena de luta inicial impressionante, na qual os recursos 3D têm sua melhor utilização em todo o filme. As sequências de ação como um todo, aliás, são muito bem construídas e, guardadas as devidas e óbvias proporções, não devem nada às de filmes de astros das artes marciais como o próprio Jackie Chan (que retorna como o Macaco) ou Jet Li em termos de coreografia e engenhosidade. O filme também faz um uso inteligente de sequências de animação tradicional para flashbacks, e, novamente, a trilha de Hans Zimmer e John Powell complementa perfeitamente a estética oriental de bom gosto da obra.

Quando o ritmo da ação cai, entretanto, a narrativa perde força e pode se tornar algo entediante, especialmente para as crianças. Fora um par de momentos nada menos que hilários, o filme não acerta a mão nas piadas com particular eficácia, e, de forma semelhante, algumas das cenas mais emocionais não chegam a cumprir seu papel a contento.

Ao manter o tom geral do primeiro filme e assumir a condição de “sequência” na totalidade, Kung Fu Panda 2 deve agradar aos entusiastas da agora série, e pode até  interessar o eventual novato a ponto de fazê-lo procurar o original. Embora não se trate de uma obra excepcional em nenhum aspecto – além, talvez, do técnico -, é uma boa opção entreter os filhos pequenos sem perder a chance de dar (algumas) risadas e (vários) sorrisos.

 

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Kung Fu Panda 2 (EUA, 2011). Animação. Dreamworks Animation
Direção: Jennifer Yuh
Elenco: Jack Black, Angelina Jolie, Dustin Hoffman, Jackie Chan, Gary Oldman
Trailer
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