CRÍTICA: Lanterna Verde

Ação
// 18/08/2011

Estreia neste fim de semana mais um blockbuster adaptado dos gibis de super-heróis da DC Comics, editora responsável pelos já adaptados Batman, Super-Homem, Constantine e Watchmen. A produção da vez é Lanterna Verde. Em comparação aos filmes supracitados (considerar os atuais de Superman e Batman), este é bem fraquinho. Veja por quê.

 

Lanterna Verde
por Henrique Marino

O tanto de brinquedos e geringonças personalizadas que vai inundar o mercado após o lançamento de Lanterna Verde não é brincadeira; é coisa de gente grande, de empresário que precisa lucrar. De fato, a indústria cinematográfica precisa lucrar, ainda mais num cenário mundial  economicamente infeliz, e para isso Lanterna Verde foi produzido.

É verdade que isso não implica na qualidade, afinal, ótimos filmes já foram grandes fontes de renda, mas este não é o caso de Lanterna Verde. Aqui a lei da fórmula e do clichê reina do princípio ao fim.

Logo de início o auditório é inserido numa trama pouco criativa que lhe apresenta Hal Jordan, aquele tipo de personagem batido, que aparentemente é pegador, metido a esperto, irresponsável, corajoso, embora sob a sombra de um passado traumático; características já muito vistas por aí. O roteiro é bem claro ao dar exatamente essas pistas sobre a personalidade de Hal, porque, depois, trabalhará com elas no momento em que ele se transformar um Lanterna Verde. Em seguida, apresenta a mocinha, Carol Ferris, interpretada por Blake Lively, que não se dá muito bem com o protagonista, demonstrando certa tensão sexual; naturalmente, essa relação também é foco de trabalho dos roteiristas.

No núcleo dos antagonistas, há dois vilões: Parallax e Hector Hammond. Parallax é um ser maligno e destrutivo, influenciado pela força do Medo, que se alimenta do temor de outras criaturas, sugando suas almas. Já Hector Hammond, bem interpretado por Peter Sasgaard, é um cientista solitário que nutre uma paixão platônica por Carol. Após ser também afetado pela força do Medo proveniente de Parallax, Hector desenvolve poderes e passa a utilizá-los para satisfazer seu ego. Lanterna Verde, então, terá que lutar sozinho contra esses dois monstros.

O roteiro se demora copiosamente em explicar o desenvolvimento deste segundo vilão e do super-herói, como se esses personagens tão planos e superficiais precisassem mesmo de tantos minutos para ter suas características lapidadas. Não satisfeitos em alongar o filme neste sentido, provocando certo tédio no auditório, os roteiristas também se demoram na relação pouco interessante de Hal/Lanterna Verde e Carol. Assim, cenas de ação, que poderiam ser muito bem aproveitadas devido ao inventivo poder do anel, são relegadas ao segundo plano; aliás, ao contrário do que os pôsteres levam a crer, os demais Lanternas Verdes também são diminuídos. A impressão que fica é de um lenga-lenga infantil com duas ou três sequências empolgantes; muito blábláblá, pouca ação.

Os efeitos especiais que embalam essas sequências e montam mundos e personagens alienígenas oscilam muito no que se refere à qualidade. Estranhamente, os efeitos empregados no primeiro ato são visivelmente inferiores aos que são utilizados no terceiro ato. De modo geral, faltaram textura e acabamento, o que deixou as imagens muito artificiais. Comparando personagens criados em computação gráfica, como Abin Sur, com a maquiagem aplicada sobre Mark Strong, que dá vida a Sinestro, é possível notar a superioridade desta sobre aquela.

Outro ponto negativo da produção é a trilha sonora. Criada pelo veterano e muito elogiado James Newton Howard, ela reflete o roteiro: clichê. Na busca de alguma composição marcante, que desse ritmo e identidade ao filme, o compositor só alcançou faixas banais, tocadas por falta de criatividade.

Embora o longa-metragem tenha coerência em si, pouca coisa ali é interessante; sendo uma delas a mitologia da Tropa dos Lanternas Verdes; esta, sim, apesar de ser brevemente abordada, oferece muito à imaginação do auditório. Descobrir sobre a força de Vontade e, seu contraponto, a força do Medo, é mais do que importante para a construção da trama e dos personagens, é também um meio de transmitir uma mensagem ao público infantil: a supremacia da força de Vontade sobre o Medo.

Lanterna Verde é lento, fraco e infantil; ruim, em outras palavras. O humor que carrega caminha numa linha tênue entre o engraçado e o sem graça, pesando mais para este lado. O curioso é que, ao fim de tudo, mesmo nos frustrando com o fracasso que o filme é, o super-herói causa certo fascínio e deixa um gostinho de quero mais. Uma franquia com uma produção realmente boa seria interessante.

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Green Lantern (EUA, 2011). Ação. Warner Bros. Pictures
Direção: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard
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Ação, Críticas, HQ's