CRÍTICA | Looper – Assassinos do Futuro

Ação
// 02/10/2012

Bruce Willis, Joseph Gordon-Levitt e ação futurista. Looper – Assassinos do Futuro tem uma combinação perfeita para atrair público geral, já inserido no gênero pelo também em cartaz nos cinemas Dredd. Apesar de não chegar ao nível de execução do outro longa, Looper se configura mais um grande filme, caracterizando uma ótima época para fãs de ação.

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Looper – Assassinos do Futuro
por Eduardo Mercadante 

A história se passa em um futuro quase idêntico ao presente. Em 2072, a viagem no tempo foi inventada e proibida em todo o mundo, sendo utilizada apenas pelas organizações criminosas mais radicais, a fim de conseguir sumir com quem quisessem matar, já que os dispositivos de localização corporal tornaram impossível naquele momento da história. Abe (Jeff Daniels) é um criminoso do futuro que foi mandado 30 anos para o passado (2042), com o intuito de organizar a organização dos loopers. Sempre que precisam matar alguém no futuro, enviam-no – arramado e encapuzado – ao passado para algum looper matá-lo e se livrar do corpo em troca de barras de prata pura. No entanto, só há uma execução que lhe rende um pagamento ainda maior e em barras de ouro: matar a si mesmo. Quando alguma pessoa que foi looper é encontrada em 72, ela é mandada de volta para ser morta por sua versão mais nova – por isso o capuz. Esse assassinato se chama “fechar o loop”. O looper é, então, liberado do serviço e vai viver seus últimos 30 anos de vida.

Visivelmente, a premissa não é nem um pouco simples. O espectador precisa realmente prestar atenção para acompanhar o enredo, centrado em Joe (Joseph Gordon-Levitt), um looper, no momento em que todos os loops de seus companheiros começam a ser fechados, até, previsivelmente, o seu encontro com sua versão mais velha (Bruce Willis). Ambos dão uma aula de atuação a quem pensa que ação é apenas efeitos e coreografias – ouviu, Michael Bay? –, sendo responsáveis pelo vínculo com o público. Junto a eles, estão a emocionante Sara (Emily Blunt) e o surpreendente garoto Cid (Pierce Gagnon), protagonista de cenas impressionantes. Apenas performances sólidas salvariam o longa de uma incompreensível espiral de pedância; e, felizmente, conseguiram.

Rian Johnson – que já havia trabalho com Gordon-Levitt em A Ponta de um Crime – assina a direção e o roteiro. Apesar de não tão popular, ele realiza um trabalho sólido, mantendo a coesão e o sentido mesmo com tanta informação sendo jogada tão rapidamente. Ainda na tentativa de facilitar a inserção no enredo, ele foi muito esperto ao realizar poucas mudanças na estrutura social. Entretanto, acaba inserindo um complicador: uma grande parte da população possui o dom da telecinese. Em alguns momentos, a mutação oferece espaço para efeitos visuais bons, mas em nada impressionantes. Em outros, ela parece simplesmente ser mais uma firula literária, sendo seu valor na obra justificado de maneira um tanto forçada, mas pelo menos há uma justificativa.

Apesar de muito complicado e muito rápido, Looper consegue ser uma versão mais acessível de A Origem, sendo sua principal diferença o primor técnico da obra de Christopher Nolan.  Se, antes de entrar na sala, a impressão é a de o roteiro ser típico: luta a cada segundo, efeitos visuais desnecessários (para justificar o gênero futurista) e relacionamentos superficiais; após a sessão, todos se desculpam a Rian Johnson por terem julgado tão erroneamente sua obra de arte.

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Looper (EUA, 2012). Ação. Ficção-científica. Paris Filmes.
Direção: Rian Johnson
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt e Pierce Gagnon.

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