CRÍTICA: Lua Nova

Críticas
// 20/11/2009

Após quase um ano de completo estado de loucura das fãs, Lua Nova chega aos cinemas do mundo. Melhor do que o primeiro? Sim, mas as falhas primárias vistas desde o primeiro filme ainda estão lá e, ao que parece, não serão corrigidos no próximo filme. De qualquer forma, Chris Weitz aparentemente fez um bom trabalho para um livro cuja história não dá tanto espaço para um desenvolvimento decente na telona.

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Lua Nova
por Breno Ribeiro

Há exatamente um ano atrás, estreiava nos cinemas americanos o primeiro filme da saga Crepúsculo. E, também há um ano atrás, eu cometia uma das maiores vergonhas da minha vida crítica: dar 6 para o filme. Hoje em dia, com um senso crítico mais afiado e um temor menor dos ‘fãs’ das saga, eu daria metade da nota, senão menos. Baseado, portanto, na nota que eu daria hoje ao primeiro, subo dois números ao analisar a continuação da ‘obra’, Lua Nova.

Contando a trajetória excessivamente sofrida da protagonista Bella Swan após ser deixada por Edward depois de um acidente que quase a mata, o longa se baseia principalmente em tecer a relação de amizade entre ela e o lobisomem Jacob. Ao mesmo tempo, somos apresentados a personagens que só serão realmente importantes nos próximos (sim, haverá outros) filmes, como os Volturi e o grupo de amigos ferozes de Jacob.

Possuindo uma primeira parte desnecessariamente estafante, que mostra, entre outras coisas, Bella gritando de dor (sim, dor) por ter perdido Edward, o filme só engrena mesmo quando a protagonista resolve investir na sua amizade por Jacob para superar a perda. A relação dos dois é bem trabalhada, chegando ao ponto em que nos perguntamos por que ela não fica com Jacob logo de uma vez. Entretanto, em meio as cenas envolvendo Jacob e os lobisomens, há as piores passagens do filme: os infinitos e-mails que a protagonista manda para a irmã de Edward, Alice. O recurso, que soa interessante à primeira vista, torna-se maçante já na segunda e se repete inúmeras vezes ao longo da projeção.

Os efeitos são a parte que mais chamam a atenção em uma análise comparativa ao anterior. Enquanto o primeiro possuía cenas vergonhosas, esta continuação possui efeitos bons. Nada avassalador e inovador, mas bons. Ainda, as lutas entre os lobos, no meio do filme, e entre os vampiros, ao fim, são infinitamente melhores que a luta final do anterior (o que, convenhamos, não há lá algo sobre o qual se gabar), embora a primeira seja uma espécie de regravação da luta dos ursos polares em A Bússola de Ouro (do mesmo diretor).

Partindo da visão de mundo de uma adolescente psiquiatricamente perturbada (desculpem-me, mas alguém que passa três meses sem fazer da vida e tem pesadelos todas as noites acordando com berros histéricos por ter perdido um homem não é uma pessoa psicologicamente equilibrada), o longa peca também por construir um protagonista insosso. Enquanto Edward surgia no primeiro como o homem dos sonhos de qualquer menina, os olhares tortos e sem expressão de Robert Pattinson ligados a falas antipáticas e sem carisma tornam o vampiro em alguém completamente desinteressante. Por último, o jeito amoroso de Jacob e sua transformação repentina ao longo da história fazem dele o personagem menos plano do filme (menos plano e não mais complexo, vale frisar).

Melhor que primeiro? Sim, poucos diretores conseguiriam a proeza de fazer de Lua Nova algo pior. Bom? Não, justamente por duvidar da inteligência do público não-fã, querendo enfiar goela abaixo uma história que excede na inverossimilhança, mesmo que com bons efeitos. Esperemos ano que vem, portanto, pelo o penúltimo (ufa!) filme da franquia.

PS: Estou aqui nesse momento jurando de pés juntos que ano que vem me recusarei a ir em uma sessão de pré-estreia à meia-noite sob o receio de ficar deficiente auditivo a cada cena sem camisa de Edward ou Jacob.

 

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The Twilight Saga: New Moon (EUA, 2009). Fantasia. Romance. Paris Filmes.
Direção:
Chris Weitz
Elenco:
Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner.

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Categorias
Críticas, Fantasia, Romance