CRÍTICA: Madagascar 3

Animações
// 06/06/2012

As animações são provavelmente o gênero cinematográfico com a maior rentabilidade, porque por pior que o longa seja, haverá bilheteria razoável, já que o público alvo não tem um senso crítico aguçado. Dessa forma, a prática da última década tem sido realizar produções mais inteligentes, que continuassem divertindo crianças, mas que não entediassem os responsáveis.

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Madagascar 3
por Eduardo Mercadante 

Madagascar é uma série que, apesar de ter alcançado mais de um bilhão de dólares em bilheteria, ainda não conseguiu um sucesso de crítica. Mas o terceiro longa da série vem quebrar esse paradigma, pois, pela primeira vez, os roteiristas Eric Darnell e Noah Baumbach perceberam que as estrelas não são o quarteto, destinando as melhores piadas ao elenco de apoio, aqui representado por um incrível Rei Julian (dublado no Brasil por Guilherme Briggs), os pinguins – que são independentes dos principais que têm até um desenho de TV com sucesso de audiência – e alguns personagens novos, especialmente, o leão marinho e o tigre que fazem parte do circo ao qual o quarteto se junta. O destaque total tem de ir para o leão marinho Stefano, que, com a voz de Marcos Frota, representou como um personagem brilhantemente escrito pode ser engrandecido por uma dublagem sólida e digna de aplausos. Foi realmente uma surpresa incrível.

No terceiro episódio da franquia, Alex, Marty, Gloria e Melman estão decididos a voltar para o Zoológico do Central Park em Nova Iorque. Deixando a África para trás, eles vão a Monte Carlo, em busca dos pinguins que os largaram no final do segundo filme da série. Os animais são logo descobertos pela obstinada agente de controle de animais francesa, Capitã Chantel DuBois – responsável por uma magnífica apresentação de Non, Je Ne Regrette Rien, de Edith Piaf –, que está à procura de um leão para completar a sua coleção e cabeças de animais empalhadas. Os animais encontram o esconderijo ideal em um circo itinerante, onde bolam um plano para fazer o maior espetáculo animal já visto, a fim de impressionar um produtor americano que os levará de volta aos Estados Unidos.

No entanto, seria uma heresia não citar o papel decisivo que o 3D exerce sobre a obra. Como o circo é declaradamente uma analogia ao Cirque du Soleil, em versão animal, a beleza das acrobacias e a riqueza das cores são enaltecidas à enésima potência pela qualidade da imagem. Naturalmente, a obra já aceitaria a terceira dimensão, o que os diretores Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon fazem é aproveitar os elementos da história para encantar o público em sua integridade, e se justificar por sua bela execução.

Madagascar 3 é um filme inteligente. Em piadas, em computação gráfica, em dublagem (no caso brasileiro, já que não haverá sessões legendadas no Brasil) e em roteiro. Ele finalmente consegue não só concluir a série, como ser fechado em si mesmo, refletindo que, por mais que a história seja boa, há que fechá-la, ou ela se perderá no caminho. Apesar de cambalear no segundo longa, a série chega a um ótimo desfecho.

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Madagascar 3: Europe Most Wanted. (EUA, 2012). Animação. Paramount.
Direção: Eric Darnell

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Animações, Críticas