CRÍTICA: Mamma Mia!

Críticas
// 14/09/2008

Completando o que foi iniciado duas semanas atrás, com a primeira parte de uma coluna dupla sobre os conceitos dos musicais modernos, trazemos agora a crítica do recém-lançado Mamma Mia!, ainda utilizando os conceitos expostos nas últimas semanas, encerrando a tríplice.


Mamma Mia!

por Breno Ribeiro

Musicais devem ser difíceis de ser feitos. Escolher temas bons, que chamem atenção do público e ao mesmo tempo demonstrem os sentimentos de seus personagens, tudo isso enquanto conta uma história que, tal qual suas músicas, deve ser boa. Embora com certas falhas, Mamma Mia! consegue alcançar o objetivo satisfatoriamente.

Baseado numa famosa e aclamada peça da Broadway, o filme conta a história de uma jovem que está prestes a se casar e manda para seus três possíveis pais convites para seu casamento sem que sua mãe saiba. Dessa forma, ela deseja não só descobrir quem seu verdadeiro pai é, mas também entrar na igreja com ele ao lado. Tudo isso filmado num cenário grego paradisíaco e belíssimo que por si só já merece aplausos.

A bem da verdade, Mamma Mia! merece aplausos simplesmente por conseguir um feito aparentemente impossível: juntar durante toda a projeção músicas de um só artista (no caso, o grupo ABBA), sem que a história se perca, pareça confusa ou que personagens sumam e voltem constantemente na história. Muito disso se deve a um trabalho de adaptação bem feito, já que a história se mostra coesa e não deixa nenhum item de fora.

O desenvolvimento das personagens é ótimo, assim como a atuação dos mesmos. O destaque fica para a de Meryl Streep e de suas amigas. Julie Walters e Christine Baranski – assim como Streep – demonstram talento incomparável, seja atuando (a comicidade das três é incrível e passa longe do ridículo, usual nas comédias de hoje em dia), cantando ou até mesmo dançando. As atrizes, que já não são assim tão novas, mostram energia e vigor nas coreografias; uma particularmente envolvendo um grupo gigantesco de mulheres e uma ponte ao som de “Dancing Queen” acaba por se tornar uma das mais interessantes do longa.

A transição entre músicas dançantes e músicas lentas leva o filme para uma de seus pontos negativos. Grande parte das músicas mais lentas, embora encaixem muito bem na situação e não quebrem o ritmo da narrativa, é enfadonha e longa demais, o que torna certas canções “cortáveis”. Mas não é só o a troca do dançante pelo lento que prejudica o filme, mas também o número excessivo de canções uma atrás da outra. Isso não acontece sempre no filme e mesmo quando ocorre (salvo uma exceção que será citada em breve) não quebra os arcos dramáticos da história e tudo continua a fluir. Ainda assim, isso acaba por tornar o filme teatral demais certas vezes (mesmo sendo uma adaptação de teatro, ambos veículos possuem linguagens diferentes que devem ser respeitadas quando passadas de um para o outro).

O final do filme também soa um pouco longo demais. A junção contínua de três canções e mais duas durante os créditos (criativíssimos, por sinal) deixa um gosto meio amargo na boca e a sensação de que havia uma pretensão velada de fechar o projeto com chave de ouro. Algo que infelizmente não foi feito, mesmo com todos os ciclos se fechando perfeitamente.

Mamma Mia! não deixa, em momento algum, de ser uma projeção boa. Em certas partes, ele chega a ser excelente e em outras um pouco cansativo, mas o resultado final do longa é de longe muito mais satisfatório do que o de outros musicais. Um filme para ver uma vez e ver de novo, sem medo de ser feliz, apenas pulando algumas partes.

Mamma Mia! (EUA, 2008). Musical. Universal Pictures.
Direção: Phyllida Lloyd
Elenco: Colin Firth, Meryl Streep, Amanda Seyfreid, Pierce Brosnan

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Críticas, Musicais