CRÍTICA | Maria Antonieta

Críticas
// 22/08/2009
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Novamente, Sofia Coppola faz um belo trabalho num de seus filmes, o terceiro de sua filmografia. Baseado na biografia escrita por Antonia Fraser sobre a amplamente citada rainha francesa, o longa conta a história dessa jovem dama que viveu e sofreu, se tornando a mais odiada e amada rainha de sempre. A história de Maria Antonieta começa desde o momento em que é obrigada a se desfazer de sua origem austríaca até momentos antes de sua morte, passando por seus problemas pessoais com o rei Luis Augusto XVI até os problemas futuros com sua corte.

A história seria perfeita para mais um filme histórico, com uma história maçante e, muitas vezes, chata. Mas este magnífico trabalho foge dessa regra. Por ser mais parecido com um romance movido pelo rock ‘n’ roll, festas e uma trama boa, cativante e nada infantil, o longa torna-se brilhante e revolucionário; de certa forma, por não seguir à risca o estilo das produções que contam a vida dos nossos antepassados que fizeram algo que colabore para a história.

Para o papel principal, de Delfina e futura rainha da França, Kirsten Dunst foi a escolhida, tendo até seu rosto considerado semelhante ao de Maria Antonieta. Com uma performance impecável, Dunst escorrega apenas em poucas cenas ao não transmitir verdadeiramente os sentimentos de sua personagem para o público.  Já Jason Schwartzman como o delfim Luis Augusto XVI, e posteriormente rei, tem uma atuação brilhante, com cenas cômicas e também outras dramáticas, mas por quase se portar convencido de ser coadjuvante, não é certo dizer que sua atuação fora perfeita.

Mudando da atuação para a produção, o trabalho de Sofia Coppola como diretora e roteirista é divino e proporciona sequências maravilhosas que muito se assemelham aos quadros do realismo com cores pastéis que, conforme mostram o passar da vida da rainha, tomam conta das cenas, modificando enquanto tempo passa e se unificando com o drama do momento. Mas, sem a bela fotografia, tais cenas não seriam tão belas. A direção desta área ficou nas mãos de Lance Acord, que fez um trabalho perfeito, usando cores, tons, movimentos e paisagens bemconcatenados para tudo sair perfeitamente maravilhoso e belo. Um dos momentos do filme em que a fotografia e a montagem são testadas é no “clipe” musical de Want Candy, no qual Maria Antonieta experimenta sapatos dos mais variados, comendo muitos doces, bebendo champanhe e jogando poker com as amigas da corte (com um penteado extravagante como finalização da cena, que com as cores pastéis, fotografia, montagem e, claro, trilha sonora, se completa).

E por trilha, o responsável pelo rock invadir a história de Maria Antonieta é Brian Reitzell, que buscou nas andas de rock mais variadas músicas que se adaptam perfeitamente no filme, não importando qual seja o drama do momento, diversão ou tristeza, tudo se encaixa com as letras das canções.

Mas o que chamou mesmo a atenção no Oscar de 2006 (levando o prêmio) foi o figurino de Milena Canonero, que desfrutando de tons semelhantes ao trabalho do resto da produção e estudando as roupas daqueles anos, fez um desfile de moda épica durante duas exuberantes horas, onde toda a corte possuía um armário digno de passarela, com trajes espalhafatosos e repletos de cor, perfeitos para cada personagem e momento.

Para quem já teve a oportunidade de apreciar o longa e saiu satisfeito, pode perceber que em alguns filmes não há necessidade de falas, uma vez que somos levados através de imagens e sons, concretizando a tese de que o diálogo em um filme não é o mais importante. Já aos que ainda não assistiram, fica a recomendação; vale a pena, mesmo que não seja o estilo de filme que desperta maiores interesses, é uma história envolvente que deve ser conferida. Sofia Coppola mais uma vez prova que puxou os dons do pai, mesmo ainda sendo uma novata. Esperamos pelo próximo.


Marie-Antoinette (EUA, 2006). Drama. Sony Pictures.
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Asia Argento, Jason Schwartzman, Danny Huston e Shirley Henderson.

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Críticas, Drama