CRÍTICA: Max Payne

Ação
// 20/11/2008

Amanhã estreia em circuito nacional a adaptação dos games Max Payne. Você já tinha conferido aqui as primeiras impressões do longa. Descubra agora o porquê do filme não ser tão agradável quanto o esperado lendo a crítica completa!

Max Payne
por Arthur Melo

Hollywood chegou a um ponto em que sua mente criadora já não possui mais a produtividade correspondente a alguns anos atrás. Suas fontes de lucro hoje são diversas, das quais praticamente nenhuma veio diretamente das mãos de um roteirista. Neste contexto, Max Payne é apenas um novo investimento, este proveniente dos games. No entanto, não pode, por mais que demonstre ter um mau tino para isto, ser encarado como “mais do mesmo”.

Atormentado pelo cruel assassinato de sua mulher e seu filho, o policial Max Payne (Mark Wahlberg), ajudado por seu mentor, B.B. Hensley (Beau Bridges), ex-policial e antigo parceiro de seu pai na força, segue as pistas de misteriosas mortes violentas que podem ter alguma relação com a tragédia que envolveu a sua família. O que Payne não contava era com alguma imposição sobrenatural que é a real causadora de algumas dessas mortes. Em sua caçada, o policial ainda contará com o apoio de Mona Sax (Mila Kunis), que, após ter sua irmã assassinada depois de um encontro com Payne, encontra no agente um aliado para se vingar.

Partindo de uma visão externa, Max Payne pode parecer repetitivo e apenas mais um ingrediente da grande mistura homogênea que é o gênero policial americano. Mas, quando explorado com mais cuidado ou com um mínimo de boa vontade, nota-se uma pequena diferença que o sobressai; nada que, infelizmente, contribua para um melhor aproveitamento do filme como um todo. Curiosamente, o longa mantém incoerências com a verossimilhança do game que o originou, ainda que esta não se destoe no filme em si. A inserção do sobrenatural na história pode não tirar a noção de realismo pelo modo como foi implementado, mas tira certo destaque para um bom jogo de fatos e pistas mal desenvolto, unicamente dando mais espaço para realçar os efeitos visuais que vez ou outra se mostram ousados na construção de um visual arrojado.

Se a história já demonstrava alguma falha no que tange os termos da adaptação, o roteiro também não colabora muito. O texto regido por muitas falas comuns em produções de temática policial parecem ter a função de dar nitidez a típica trajetória que Max percorre. A já manjada fábula do policial revoltado pela morte da família que muda a circulação sanguínea para o puro veneno vingativo já não tem o mesmo impacto que há uns bons vinte anos atrás e serve só de combustível para ser queimado em cenas de ação e tiroteio. Algo que só vem a desacobertar o quão órfãos Mark Wahlberg e Mila Kunis ficaram sem a boa presença em cena de Olga Kurylenko como irmã de Mona, Natasha e a superficialidade do papel de Kunis na trama. Sua participação se resume a balas e explosões, uma boa participante da busca de Payne que encara um cruel descarte quando já não tem mais serventia.

Mas algum mérito o longa possui. Ainda que esteja longe de ser considerado um produto memorável, Max Payne ao menos está além das demais produções, em boa parte fraquíssimas, baseadas em populares videogames. Mas isto se dá pela técnica. A fotografia cumpre o seu papel nas tomadas em que o computador não tem interferência e a direção de arte alcançou resultados excelentes na hora de transpor para as telas o clima obscuro urbano do game. Mesmo que o bullet-time (famoso efeito de câmera utilizado pelos irmãos Watchowski em Matrix) não produza o impacto esperado, o som faz as vezes de salvador e dá o tom certo às cenas em que a técnica é empregada, com movimentações e enquadramentos do diretor John Moore eficazes em muitas delas, atingindo um bom nível dentro da ação de balas e metralhadoras.

Como filme que é, Max Payne se perde em sua natureza. Não por suas alterações em relação ao seu homônimo das plataformas de entretenimento, mas pelo que quis acrescentar com a prerrogativa de melhor utilizar a linguagem do cinema. O que a produção não contava era com o bom preparo e postura já mastigados que o jogo disponibiliza para este tipo de adaptação.

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Max Payne (EUA, 2008). Ação. Policial. 2oth Century Fox
Direção: John Moore
Elenco: Mark Wahlberg, Beau Bridges, Mila Kunis, Olga Kurylenko

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