CRÍTICA: Megamente

Animações
// 02/12/2010

O 3D já não é mais o futuro das animações. É o seu presente. Infelizmente, nem todas têm o mesmo bom senso em constatar que esta tecnologia é apenas um elemento a mais de suporte, não o principal. A julgar pela história de Megamente, nova animação da Dreamworks Pictures, muito há o que se aprender sobre essa questão para chegarmos em um momento em que as histórias sejam 100% o alvo da maior atenção.

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Megamente
por Leandro Melo

Megamente era a promessa da Dreamworks para criar uma inversão de papéis, sob o tom da paródia, gênero relativamente recente de filmes que surgiu em Hollywood. Dadas as devidas proporções, seria o Shrek dos super-heróis. Uma pena, mas animação passa longe de cumprir o prometido…

A introdução do longa deixa uma ótima primeira impressão, com o vilão narrando um flashback de toda a sua história, começando pelo seu nascimento e chegada ao nosso planeta e já sendo predestinado a ser rival do Metroman. A partir de então, começa uma sucessão de cenas feitas para ser engraçadinhas.

Mas um dos elementos essenciais para qualquer filme que se preze é o roteiro e Brent Simons e Alan J. Schoolcraft são infelizes para com o desenvolvimento da trama, deixando os conflitos pouco angustiantes e deixam previsível o desfecho de cada avanço na história.

Tom McGrath realiza um trabalho abaixo do que se espera de um diretor que já realizou Madasgar e Madagascar 2 – A Grande Escapada, animações bem sucedidas. As suas escolhas de gosto duvidoso acabam por comprometer a obra. O pouco cuidado perante o seu trabalho apresenta um sinal forte inconcebível: a personagem Roxanne Ritchi possui a mesma animação de um filme anterior da própria Dreamworks, a Susan Murphy.

A trilha sonora corretinha, composta por Hans Zimmer, pontua a função sem grandes destaques. O uso de músicas de rock para marcar algumas ações é um dos grandes erros da composição, talvez o pior. Poucas vezes canções não originais soaram tão descoladas em um filme, o que acaba por prejudicar o envolvimento com a película, pois cria um afastamento e, por consequência, rejeição. A música utilizada na última cena soa como puro oportunismo, além de ser óbvia.

Porém, nem tudo está perdido. A dublagem salva o filme de um fiasco total, com atores inspirados e muito dirigidos. Para uma animação de comédia, é fundamental que isso ocorra.

Os efeitos em 3D garantem a diversão, proporcionando um nível de profundidade embasbacante, e com alguns objetos “saltando” da tela pontualmente.

Ao final das contas, Megamente acabará entretendo ao público infantil com o seu 3D e muitas cenas de ação. O mesmo não se pode dizer de quem irá acompanhá-los e que tenha o paladar cinematográfico mais apurado, reconhecendo logo que estará diante de um dos piores lançamentos do ano.

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Megamind (EUA, 2010). Animação. Dreamworks Pictures.
Direção: Tom McGrath
Elenco: Will Ferrell, Brad Pitt, Tina Fey

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Animações, Críticas