CRÍTICA: Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

Comédia
// 20/06/2009

Mais uma comédia romântica chegou às telonas na última semana. Mas afinal, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas inova ou acaba por fornecer a sensação de “já vi este filme antes”? Leia a crítica na íntegra para descobrir.

Minhas Adoráveis Ex-Namoradas
Por Henrique Chirichella

Ao nos depararmos com a atual conjuntura da indústria cinematográfica americana, é comum se questionar sobre um suposto colapso criativo. De certa forma, todos os gêneros aparentam estar sujeitos a tal. É inegável que as ‘comédias românticas’ se tornam cada vez mais previsíveis por adotarem temáticas semelhantes o que acaba por configurar uma saturação. Por mais que haja uma tentativa de superação, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas acaba por se enquadrar na situação descrita.

Adaptado do conto A Christmas Carol, de Charles Dickens, a trama não apresenta novidades. Nela acompanhamos Connor Mead (Matthew McConaughey), um solteirão mulherengo que não acredita no amor e acaba recebendo a visita de ‘fantasmas’ – se é que podemos chamá-las assim – de suas ex-namoradas ou mulheres, as quais passam a apontar as falhas e erros em seus relacionamentos, inclusive com o seu grande amor abandonado Jenny Perotti (Jennifer Garner). O final você já deve imaginar, não é mesmo?

Aliás, este é um ponto que se revela crucial: a previsibilidade. A intenção até pode não ser surpreender, todavia, uma experiência cinematográfica satisfatória não deve ser embasada em falta de novidades e repetição de temáticas. E é, justamente, curioso verificar o esforço do diretor Mark Waters para evitar o convencionalismo. O cineasta – que conta no currículo com alguns filmes significativos como Sexta-Feira muito Louca, Meninas Malvadas, As Crônicas de Spiderwick, e o semelhante a este, E se Fosse Verdade – tenta se apropriar do surrealismo do conto de Dickens para elevar a produção a um patamar mais criativo. Entretanto, o que surge em tela é uma desorganização de tramas e assuntos os quais não convencem nem um pouco o espectador, seja da vertente surreal ou metafórica.

O roteiro de Jon Lucas e Scott Moore, de fato, apresenta alguns diálogos interessantes. Principalmente os interpretados pela divertida participação Michael Douglas como um dos fantasmas que assombra Connor. Entretanto, é triste ver que, ao término, tudo se converge para um moralismo fácil, barato e até mesmo constrangedor, graças aos discursos e performance de Matthew McConaughey. Aliás, o ator já está até acostumado a interpretar o mesmo papel sempre, sem fazer o mínimo esforço para tentar inovar, como no prévio e fraco Armações do Amor. Jennifer Garner, por sua vez, deveria procurar investir em projetos mais ambiciosos, já que ninguém duvida do talento da moça, comprovado no seriado Alias. Felizmente, assim como em em boa parte dos filmes do gênero, o elenco coadjuvante acaba se destacando, revelando ótimas performances por parte dos atores Michael Douglas, Lacey Chabert e Emma Stone. Entretanto e obviamente, tal fato e a boa seleção de trilhas musicais não salvam a produção do  lugar comum.

Apesar das ressalvas, para os menos exigentes o filme até pode se revelar assistível. Mas, cabe a nós decidirmos até quando aguentaremos ou suportaremos o “mais do mesmo . E, minha recomendação é que aguardem até o final do ano, afinal, o conto A Christmas Carol está sendo adaptado oficialmente por Roland Zemeckis em versão animação e deve chegar para as telonas em novembro. Hollywood implora por inovações e, mesmo com os esforços, o convencional e o lugar comum aparentam se tornar inevitáveis. E viva a previsibilidade!

The Ghosts of Girlfriends Past (EUA, 2009). Comédia romântica. Imagem Filmes.
Direção: Mark Waters
Elenco: Matthew McConaughey e Jennifer Garner.

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance