CRÍTICA: Missão Babilônia

Ação
// 18/09/2008


Um desagrado até para o próprio diretor, Mathieu Kassovitz, Missão Babilônia estréia nesta sexta-feira no Brasil. Mas o filme é tão ruim mesmo a ponto de merecer esta avaliação do diretor ou alguma coisa se salva? Confira a crítica e veja se vale a pena sair do conforto do seu lar e do aconchego do seu DVD player para desembolsar um ingresso nos cinemas.

Missão Babilônia
por Arthur Melo

Não é uma verdade absoluta aquilo que a crítica ou o que o próprio público têm a dizer ao final de um filme. Seus comentários, ilustrados por argumentos provenientes do que o filme representa ou procura representar, são uma forma de convencer aquele a quem se dirige a palavra. Não que este possa ser um argumento válido a citar, mas quando um diretor diz que o próprio filme é ruim, ganha-se uma força a mais para formular críticas negativas. Tal comentário, vindo do diretor Mathieu Kassovitz, apenas reforça a tese exposta no início do parágrafo: Missão Babilônia não é de total desagrado.

Vin Diesel é Toorop, um dentre tantos mercenários que sobrevivem num futuro pouco distante em que a maior extensão do planeta é coberta por áreas de guerra, campos de refugiados, cidades super populosas e localidades cobertas pela radiação nuclear; tudo monitorado 24 horas por dia por uma camada de satélites que circunda a Terra. Neste contexto, Toorop é contratado para buscar em um convento do Cazaquistão a jovem Aurora (Mélanie Thierry), escoltando-a clandestinamente até a cidade de Nova Iorque, além de sua protetora, Irmã Rebeka (Michelle Yeoh).

Não há introdução ou sequer explicações preliminares. Toorop é procurado, encontrado e designado para a tarefa a qual só ele é capaz de realizar. O pacote central de sua entrega, a bela Aurora, guarda um segredo que em mãos erradas poderá promover a ascensão de uma seita religiosa capaz de elevar a situação catastrófica do globo a um nível de manipulação geral. Para invalidar essa possibilidade, o mercenário aprende a confiar naqueles que se encontram em igual situação, um ponto em que filme poderia falhar, mas acertou.

A interação entre Michelle Yeoh e Vin Diesel é um dos chamarizes do filme. A dupla funciona bem e dá o contraste necessário para manter a trama na linha do agradável. Sendo inicialmente uma cumplicidade singela – motivada por um lado pela pretensão do lucro proveniente do trabalho bem feito e por outro pela preocupação com o bem-estar de Aurora – os dois servem para diluir os excessos do parceiro. Yeoh exibe com critério o domínio das artes marciais, que se funde com a agressividade de Diesel na briga de rua, sem deixar que um sobreponha ou chame mais atenção que o outro. Evidentemente há sempre uma seqüência para demonstrar a virilidade de Diesel contra uma maioria esmagadora, mas isto serve apenas para relembrar o tipo de produção que está sendo encarada. Já uma beleza em meio a tanto suor e sangue, Mélanie Thierry carrega bem o papel apesar de não exibir o mesmo padrão emotivo de Yeoh com um ou outro momento de destaque.

De todas as preocupações, o filme parece centrar-se na construção de um mundo onde o caos é absoluto e a miséria, abundante. Lugares arruinados, sujos e movimentados, espelhando o desespero humano, pincelam uma imagem acinzentada que foca na degradação do planeta no mesmo ritmo de seus habitantes. Em contrapartida, a cidade de Nova Iorque se mostra ainda mais luxuosa e intimidadora do que impressionante. A supersaturação de luzes e cores é um deslumbre para os não tão discretos anunciantes dentro da projeção. Um palco armado para uma trama que, exclusa de complexidades, ou até mesmo de uma história, percorre todos os cenários possíveis, explorando ao máximo o que a produção de arte foi capaz de criar.

O desenvolvimento deste mundo semi-apocalíptico se deu pela junção de efeitos visuais reais e computação gráfica, um desejo do diretor. O resultado foi favorável. Optando por recriar um cenário utilizando as técnicas do cinema tradicional, a produção pôde investir os milhões restantes em algumas animações e seqüências mais exigentes, tornando o conjunto técnico mais desenvolvido para quem tinha um orçamento de “apenas” 60 milhões de dólares.

Dentro de suas possibilidades, Missão Babilônia apresenta uma proposta diferente ao procurar dividir o peso de um filme de ação em duas parcelas tão distintas no elenco. A idéia de dar igual visibilidade para as mesmas desvia os olhos dos furos de uma trama seca e mal findada regida por pancadaria, balas e explosões. Não que substitua o faltante, mas ao menos tapa uns buracos.

Babylon A.D. (EUA, França, 2008). Ação. Ficção Científica. 20th Century Fox.
Direção: Mathieu Kassovitz
Elenco: Mélanie Thierry, Michelle Yeoh, Vin Diesel

Comentários via Facebook