CRÍTICA | Missão Impossível III

Ação
// 03/02/2009
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É raro encontrar num filme de ação sequências em diálogo que consigam manter a expectativa já dispersa após a explosão da última granada. Mas a ideia de uma produção que repita essa proeza centenas de vezes nos remete a um contexto de impossibilidades. Essa é a proposta de Missão: Impossível 3.

Com as proximidades do casamento, o agente Ethan (Tom Cruise, numa repetida atuação de Guerra dos Mundos que seria promissora; caso estivesse em início de carreira) se encontra na linha de fronteira entre a futura família e o trabalho na IMF (Força Missão Impossível) quando é escalado para uma missão de salvamento. A partir desta que seria sua última tarefa é desencadeada uma série de acontecimentos que levam ao sequestro de sua – já – esposa, fazendo-o trabalhar e raciocinar dobrado, quando já não pode contar com os esforços da agência especial na qual trabalha.

Mas o teor de qualidade não se mede no roteiro em si, mas na forma como ele é apresentado. O plano de fundo é o mesmo. Apesar do motivo de atuação ser o resgate do ser amado pelo protagonista (um clássico do tipo mocinho e bandido), os símbolos de maestralidade estão no conceito que o impulsiona. Fuga; enxergar na mulher (com perdão pelo termo) o cano de descarga para metodologias violentas e agressivas tão atuantes em seu trabalho. Ethan quer apenas desvencilhar-se de todo sentimentalismo que a vida norte-americana impôs ao cotidiano, definindo em traços firmes o terrorismo psicológico pós 11 de setembro que o cinema apenas começa a mostrar – mesmo que muito tímido. Uma prova disso é o objeto de desejo de Philip Seymour Hoffman (que explica o porquê do Oscar de melhor ator). O “Pé-de-coelho” permanece ausente em sua descrição bruta e evidente apenas em suas possíveis conseqüências.

A série se mostrou evoluída em muitos conceitos que a técnica só pincelou com John Whoo no segundo episódio da trilogia. Pela primeira vez foram empregados efeitos com animação gráfica de alta resolução – o atual supra-sumo hollywoodiano – gostos apurados por enquadramentos de imagens, tomadas bem elaboradas e fotografia realçada. Tudo isso pode ser resumido em um único nome: J.J. Abrams. O autor, diretor e produtor da série televisiva de maior sucesso nos últimos tempos, Lost, provoca furor em passagens do filme, apuro anteriormente demonstrado no seu trabalho na TV.

Abrams expôs o frescor necessário para permanecer por muito tempo à vista dos bons olhos em Los Angeles. Provou ter talento mais do que suficiente para realização de bons projetos do gênero da ação, independente da falta de respaldo cultural. Ainda que M:I:III indique este segmento e J.J. não tenha encaminhado a Missão a 180 graus, fez-nos conhecer, no fim das contas, não ser obtuso.


M:I-III (EUA, 2006). Ação. Paramount Pictures
Direção: J.J. Abrams
Elenco: Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman

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Ação, Críticas