CRÍTICA: Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Ação
// 20/12/2011

Após uma caminhada premiada no mundo das animações (com Os Incríveis e Ratatouille), Brad Bird comanda o seu primeiro filme em live-action. E se sai bem. Sem o mesmo suspense dos anteriores, Missão: Impossível – Protocolo Fantasma compensa com ótimas cenas de ação, lutas corporais e personagens interessantes de um elenco bem disposto. E tudo ganha um aspecto surreal visto por uma tela IMAX.

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Missão: Impossível – Protocolo Fantasma
por Arthur Melo 

Em quinze anos, é inegável que Tom Cruise tenha se tornado a maior estrela de filmes de ação. Ao contrário de tantos outros atores, Cruise é o único que consegue conciliar uma boa atuação com a coreografia bem ensaiada, o chamariz da boa aparência e o peso que o seu nome tem em um pôster. Tudo fruto de Missão: Impossível, de 1996, que confirmou o que Top Gun já dava a entender dez anos antes. Agora, no quarto episódio da série que definiu o tipo de astro que o ator é, Tom prova que à beira dos 50 anos ainda pode carregar seus filmes nas costas, não que isso tenha sido necessário em Missão: Impossível – Protocolo Fantasma.

No filme, continuação direta da terceira parte – mesmo que não associada por um gancho a ela -, a IMF (Impossible Missions Force) é desligada após ter sido relacionada à destruição do Kremlin, na Rússia, onde Ethan Hunt (Cruise) e sua equipe tinham acabado de invadir para coletar dados confidenciais. Para reestabelecer a integridade da IMF e evitar que sejam presos (ou mortos), Ethan e seu time precisarão agir por conta própria com recursos limitados e longe de casa.

De imediato é preciso dizer: Protocolo Fantasma é um bom filme. Ótimo em seus melhores momentos, mas pode sofrer se comparado ao seu antecessor; não em todos os aspectos, para sua sorte. O enredo do quarto longa é melhor e tem sua originalidade, mesmo não proporcionando o mesmo terror psicológico que M:I 3. Se no filme de 2006 tínhamos Ethan Hunt sob a tutela da IMF para correr contra o tempo no resgate de sua noiva e na caça a um negociante de armas, agora temos o agente com pouco ou nenhum envolvimento emocional comandado por sua própria frieza para garantir a continuação de sua liberdade. Comparações à parte (que na verdade nunca deveriam ser feitas), Protocolo Fantasma se sai melhor em fazer jus ao título, mas está um passo atrás de fornecer em sua história a mesma dose de tensão que garante nas cenas de ação.

Desta vez a proposta do longa não é criar uma ansiedade, e sim desenvolver uma trama baseada na missão impossível em si. Apesar de Ethan Hunt permanecer como protagonista e maior agente dentro das situações, o foco da narrativa é o mais distante dele desde o início da franquia. Agora o centro está no panorama crítico, na resolução de uma situação que colocou a própria IMF em xeque. A proposta é boa e até mais coerente com o título quando as missões de fato se tornaram impossíveis. O que era “apenas” bastante complicado e contornável por geringonças e mil e um aplicativos tecnológicos deu lugar a eventos de imensa problemática cuja complexidade fora alargada pela então limitação de recursos. O difícil se torna irrealizável e muito mais prazeroso de acompanhar. Ganha-se com isso uma intensa carga de apreensão pelas manobras de Ethan e sua equipe, que alicerçam o filme.

Realmente, Missão Impossível 4 conseguiu a proeza de conceber algumas das melhores sequências de ação da série. Possibilitadas pelo uso de efeitos visuais quando você nem se dá conta de que eles estão ali, por uma edição de som que abusa pouco e precisa mais e por uma opção de captura no formato IMAX (exceto quando em ambientes pequenos, por uma questão técnica), toda e qualquer passagem mais acelerada do longa se torna um evento memorável. E ainda que não tenha um vilão com extensa atividade na trama e brilhantismo quanto Philip Seymour Hoffman no anterior (capaz de colocar Ethan em situações com as quais ele não sabia lidar – um acerto que não ocorre desta vez), o filme funciona.

A funcionalidade está justamente em saber aproveitar o que está ao alcance. Simon Pegg é um alívio cômico extremamente bem-vindo por se limitar a ser apenas isso, sem aquela necessidade idiota de torná-lo ineficiente como agente secreto. E Jeremy Renner se encaixou perfeitamente em um personagem que tantas vezes é mais interessante do que Ethan (bem como a presença de Paula Patton). A mistura de tipos gerou uma equipe que dentro da história trabalha tão bem quanto a escalação do elenco que a interpreta, algo necessário quando o protagonista já não concentra toda a expectativa do filme. Os ex-IMF estão, afinal de contas, diluídos em uma situação que os coloca com os mesmos pesos e medidas dentro do enredo, sujeitos às mesmas consequências diretas. Nisso há uma boa sacada do roteiro de Josh Appelbaum e André Nemec. Ethan é o protagonista; para provar isso há o modo como ele é introduzido no filme e a necessidade do agente para o desenrolar dele. No entanto, durante o desenvolvimento seu valor é semelhante ao dos demais de seu grupo, retornando ao posto de significante isolado só quando já o merecia, o que caiu bem.

Missão Impossível: Protocolo Fantasma tem uma característica interessante, o que justifica a comparação feita nos parágrafos iniciais. Como elemento de uma série, é inevitável a indagação sobre a sua superioridade perante os anteriores, principalmente o último. Em um olhar panorâmico as diferenças são claras, cujos pontos a favor numa eventual disputa oscilam entre um filme e outro. No entanto, sob perspectivas alternadas é evidente que tais diferenças não acusam eventuais falhas, mas sim opções. E a escolha de Protocolo Fantasma foi a de não se repetir, não adentrar na mesmice só porque algo já deu certo antes. Foi, sim, puxar o gatilho de vez e descobrir até onde vai o contexto da impossibilidade. E, a julgar pela ação comandada por Brad Bird, vai bem longe.

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Mission: Impossible – Ghost Protocol (EUA, 2011). Ação. Paramount Pictures 
Direção: Brad Bird
Elenco: Tom Cruise, Simon Pegg, Jeremy Renner, Paula Patton
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Ação, Críticas