CRÍTICA: Muita Calma Nessa Hora

Comédia
// 11/11/2010

Algumas situações realmente partences da ficção de tão absurdas e cômicas que parecem. Em Muita Calma Nessa Hora, comédia nacional que estreia amanhã, o público certamente terá não só um tipo de filme para se identificar, mas momentos divertidos que fatalmente terão conexão com um feriado passado de alguém. E, o melhor, diverte.

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Muita Calma Nessa Hora
por Gabriel Giraud

Sabe aquela viagem que você fez com seus melhores amigos? Aquela viagem a um lugar paradisíaco em qualquer balneário fluminense, onde tudo aconteceu e que, no fim, vocês se disseram “isso daria um filme”… Pois bem, esse filme está sendo lançado agora. Muita Calma Nessa Hora é o filme de qualquer pessoa que tenha curtido, azarado e fumado muito em Búzios.

É a história de três garotas gostosas e desgostosas com a vida, nos seus vinte e poucos anos. Tita (Andréia Horta) é a certinha traída que quer correr atrás do tempo perdido; Mari (Gianne Albertoni) é o mulherão que se cansou de homens; e Aninha (Fernanda Souza) é a indecisa que sempre vai na onda das amigas. Elas resolvem viajar para Búzios e ficam amigas de Estrella (Débora Lamm), uma hippie que busca seu pai. Na viagem, superações, situações engraçadas e auto-descobertas mudam as personagens.

Despretensioso, exceto pela tentativa de se vender como humor dito de primeira qualidade. Os comediantes no filme apenas fazem contrapontos estereotipados, representando os ícones dessas comédias: o marido infiel, o policial durão, os machões, a empregada religiosa, a vidente charlatã etc. Na verdade, esses elementos compõem ótimas situações, principalmente quando reconhecemos figuras de grupos reais, como os machões-sem-cérebro atuados com louvor pelos comediantes do Hermes & Renato. O uso do ridículo real que nos cerca dá uma intimidade ao filme que conquista muito facilmente o espectador. Não é surreal como um besteirol americano. É melhor.

Apesar das gags e desses estereótipos periféricos serem bem dosados, não são esses elementos que fazem o roteiro. Ainda bem, pois algo que é muito raro em uma comédia (ainda mais em uma brasileira, que parece não querer ouvir escolas nem gerações anteriores) é que as protagonistas são mais do que meros rótulos. O misbehavior (jargão de roteiro que indica a “patologia” do personagem a ser consertada ao longo da narrativa) de cada uma é desenhado com boa profundidade e alguns exageros bem escolhidos. Para ser mais cômico e direto, a edição teve papel fundamental, especialmente na apresentação das garotas.

Para quem tiver a visão livre de qualquer influência publicitária do filme, perceberá que não é a comédia que está no primeiro plano. O filme está. A qualidade de imagem surpreende, algo raro num filme do gênero. Pena que o marketing não busque essa projeção (e talvez nem teria resultados no nosso público).

Felipe Joffily acerta a mão num humor leve e sem aquele ar de Zorra Total (talvez mais com cara de Cilada, já que Bruno Mazzeo co-assina o roteiro do longa com João Avelino e Rosana Ferrão, baseados no argumento de Rik Nogueira e Augusto Casé). É um filme jovem, mas que provavelmente agradará um grande público – especialmente o feminino.

Muita Calma Nessa Hora mostra que o nosso cinema pode fazer um filme se inspirando em moldes americanos sem medo e, quem sabe, conseguir sucesso. “Americanizado” ou “mercadológico” são rótulos que muitos talvez atribuam ao longa, mas só diminuem o trabalho de equipe. Na verdade, é isso que a maioria do público brasileiro consome e a nossa indústria cinematográfica precisa se sustentar em várias frentes. Além disso, cada filme, independente de nacionalidade ou gênero, tem sua marca própria, tornando essas generilizações totalmente dispensáveis. E é muito bom termos na vasta gama de filmes brazucas uma boa diversão como essa.

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Muita Calma Nessa Hora (Brasil, 2010). Comédia. Europa Filmes.
Direção: Felipe Joffily
Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Souza, Marcelo Adnet.

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Comédia, Críticas, Nacional