
Estreou na última sexta-feira o drama adaptado do homônimo literário Não me Abandone Jamais. Mesmo raso no ponto mais importante de seu argumento, o filme ainda resguarda algo para ser dito quando fornece alguma coisa para refletirmos aos créditos finais.
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Não Me Abandone Jamais
Por Érika Zemuner
Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010) é o resultado de um melancólico casamento entre a ficção científica e o drama. A obra, que é uma adaptação do livro homônimo de Kazuo Ishiguro, tem em seu elenco principal o trio Carey Mulligan (Educação), Keira Knigthley (Orgulho e Preconceito e outros tantos títulos de época) e Andrew Garfield (A Rede Social). Dirige a produção o cineasta Mark Romanek, cujo último trabalho cinematográfico foi Retratos de Uma Obsessão (2002) e possui uma carreira de maior relevância no universo dos videoclipes do que propriamente no cinema (Romanek trabalhou com artistas como Michael Jackson, Red Hot Chili Peppers, En Vogue e Madonna). Apesar das pontas soltas e questionamentos deixados no longa, o saldo final é satisfatório e ainda tem o mérito de presentear o público com reflexões – tanto sobre a obra em si quanto questões que transcendem o filme.
O longa se passa em um passado não tão distante, em uma realidade em que os avanços medicinais já permitem uma expectativa de vida de 100 anos. O cenário inicial é o internato Hailsham, no final da década de 70, quando os amigos Kathy (Muligan), Ruth (Knigthley) e Tommy (Garfield) ainda são crianças e desconhecem o fato de que seu futuro já foi planejado antes mesmo de seu nascimento. Todas as crianças que lá vivem são convencidas de que são especiais e de que não devem ultrapassar as fronteiras da escola, além de conviverem com várias lendas sobre o que aconteceu a outros estudantes que ousaram sair dos limites de Hailsham. Neste primeiro momento, destaca-se interpretando Kathy a pequena Izzy Meikle-Small, que, além de uma bela atuação, apresenta uma semelhança incrível com Carey Mulligan.
Aos poucos, é possível chegar à aterradora conclusão de que aquelas crianças existem com a finalidade de doarem seus órgãos a pessoas doentes, com a óbvia consequência de que terão uma vida bastante curta, abreviada por não mais de 3 ou 4 doações. E essas crianças vivem sob uma supervisão que inclui uma alimentação e hábitos saudáveis, além de uma pulseira que precisam usar para atestar saídas e entradas do internato. Apesar da rigidez do lugar em que vivem, são crianças que possuem uma vida igual à de quaisquer outras, além dos sentimentos de amizade, angústia e amor. Ainda na infância, Kathy desenvolve um sentimento por Tommy. Entretanto, este sentimento precisa ser calado por muitos anos, pois Ruth conquista o primeiro amor da amiga ao perceber a aproximação dos dois.
Conforme a trama se desenvolve, o foco se volta mais especificamente para o triângulo amoroso entre os amigos e as informações sobre a realidade que enfrentarão ficam escassas. Fica-se apenas com aquilo que já foi contado: em determinado momento, os três precisarão se submeter a cirurgias que aos poucos os deixará mais fracos até que isso os mate. Está nesta mudança de foco a principal falha do longa – não se aprofundar de forma convincente em como se sentem essas pessoas criadas para curar outras ou como é estar diante de um destino trágico e uma vida breve. O que aconteceria se eles apenas se rebelassem e fugissem? Até aonde vai o monitoramento de suas vidas enquanto esperam para estarem prontos para a primeira doação? Não só essas explicações não são apresentadas como os personagens, principalmente Kathy, parecem bastante resignados com o seu futuro. Em nenhum momento contestam a injustiça de sua existência e, quanto chegam perto de fazê-lo, é muito mais movidos pela necessidade de conviverem mais tempo uns com os outros do que pelo direito de terem uma vida e serem donos dos próprios corpos. Em nenhum momento os amigos se questionam sobre seus direitos como seres humanos e isso pode causar inquietação à plateia. Por que aceitar de forma tão passiva a morte em prol de outros indivíduos que sequer conhecem ou com quem não possuem laços sentimentais?
Mesmo com as perguntas que insistem em se formar no decorrer do filme, o desfecho cria uma virada de mesa e coloca o espectador próximo da condição daquelas criaturas. As inquietações que perturbam os mais diferentes tipos de indivíduos acabam se provando as mesmas. Até que ponto os seres humanos são senhores de seus destinos e possuem pleno domínio de suas vidas? Talvez Kathy não esteja tão errada em aceitar tão facilmente sua existência. Talvez os jovens de Hailsham não sejam diferentes de qualquer pessoa que, segundo acreditam aqueles que os criaram, possui alma.
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Never Let Me Go (EUA/Reino Unido, 2010). Drama. 20th Century Fox
Direção: Mark Romanek
Elenco: Carey mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley
Trailer
























Muito boa a crítica.
Eu considero que o fato de os personagens serem tão resignados com o futuro foi algo intencional, justamente para causar a sensação de estranheza e de “que tem algo faltando” ao público. Essa resignação é até refletida nos elementos visuais do filme, como a fotografia simples, as atuações sem grandes emoções (tirando alguns momentos) e a paleta de cores dessaturada.
E devo dizer: o trio principal de atores está muito bom. Andrew Garfield se encontra numa atuação até mesmo melhor que em A Rede Social.
De qualquer forma, acho que é um filme que vale a pena ver.
Esse filme é tão triste. Também tive esses questionamentos, mas entendo por que eles não se rebelaram.
Baixei em HD.
Dormi no meio do filme .___.
gostei da critica, mas esses questionamentos que vcs fizeram sao exatamente o ponto da obra, o q distancia ela do filme ilha por exemplo, q eh uma grande porcaria na minha opiniao. eu li o livro e percebe-se q por kathy estar contando a historia, como no filme, ela submente sua vida a eufemismos, como por exemplo naum falar a palavra clone e sim possivel ou modelo..
axei q o filme fez juz ao livro, a historia eh triste mais eh linda. e como no fim kathy diz, nos tbm estamos resignados com as nossas vidas, sabemos q vamos a escola, depois trabalharemos e como eles tbm nos apaixonamos. sim a vida deles eh mais limitada mais nao achamos q a nossa eh tbm..
bom, fim as filosofias, a historia soh eh boa por mostrar esse lado resignado da vida, dos proprios nao clones, q sao resignados com a situaçao dos clones q criaram.. eh uma discussao da clonagem humana sob outros olhos!
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Filme lindo! Nota 10! Simples assim.
Estou tão ansiosa para que o filme chegue no cinema perto da minha cidade. Morar no interior é terrível para uma fanática por filmes como eu.
Aliás, adorei a crítica! Muito bem escrita. *-*
Rebelar-se pressupõe parâmetros e esses parâmetros necessariamente nascem do conhecimento das coisas, da vida. Eles foram criados para cumprir um papel. Não conheciam nada, não podiam saber de nada, exatamente para não se rebelarem. Notem a fisionomia das lideranças adultas da escola, as justificativas para não irem além dos limites permitidos. Nas cenas inicias do filme, a professora, que logo foi mandada embora, pergunta porque eles não podiam passar na área limitada para pegar a bola, e a resposta foi uma história que foi contada a eles. Eles não tiveram a oportunidade de conhecer nada extamente não para não se irresignarem com a própria situação. Não não há possibilidade, não há material suficiente para estabelecer questionamentos. Belo filme!
Tbm encarei o filme desta forma: eles conhecem a vida apenas por aquela perspectiva, entao para q qrer algo diferente ou entao, tentar modificar seus destinos ja traçados? Sao varias as reflexoes à q somos submetidos p sentirmos o quao dificil é uma situação onde n se pode fazer nd, ou q simplesmente devemos encara-la como é, sem espaços para questionamentos. A fotografia é bela e seu visual “pastel” combina bem com o clima europeu representado no filme. Apesar de se arrastar, o filme tem uma bela mensagem de amizade.
Não gostei do filme, no começo é interessante, mas depois muito parado. O fato de ninguém rebelar-se diante dos procedimentos a que são submetidos, e que os levarão à morte, faz o filme, na minha opinião, ficar sem pé nem cabeça, pois se o clone tem emoções para amar, também teria inteligencia e garra para lutar pela sua vida.