CRÍTICA: Não Tenha Medo do Escuro

Críticas
// 13/10/2011

Mesmo com a promessa de um bom produto graças ao nome de seu produtor e maior influente sobre sua cabeça (no caso, Guilhermo del Toro), Não Tenha Medo do Escuro desaponta. E a decepção chega a ser grotesca se levada em consideração a boa dose de sagacidade que o produtor em questão já demonstrou ter com este mesmo tipo de história.

Leia a crítica em “Ver Completo”.

Não Tenha Medo do Escuro
por Leandro Melo

Guillermo del Toro tem a sua filmografia reconhecida por filmes calcados na fantasia e horror. Quando o mesmo não os dirige, atua como produtor. Na maioria dos casos, são obras bem sucedidas em suas intenções. Infelizmente não é o caso de Não Tenha Medo do Escuro.

Já é de se estranhar quando o chamariz de um filme é o seu produtor. Ao longo da obra, dá para perceber a influência de del Toro – que também colabora com o roteiro – na produção. Elementos sobrenaturais, com influências deturpadas e macabras de contos de fadas, além da presença de um herói infantil.

A história acompanha a saga de Sally, filha de um casamento desfeito que vai visitar o seu pai, agora casado com uma mulher mais nova. A estranheza da pequena menina com o novo lar – uma mansão com todos aqueles clichês de filme de terror – é interpretada pelos adultos como uma rejeição e efeitos de seu comportamento depressivo. Logo todo o temor da garota será experimentado também por todos que a ignoravam anteriormente.

Um dos grandes problemas de Don’t be Afraid of the Dark consiste em seu roteiro didático. Logo nos créditos iniciais é explicada toda a ameaça com a qual os protagonistas irão enfrentar ao longo do filme. Além de subestimar a compreensão do espectador, acaba com qualquer expectativa e destrói toda a possibilidade de surpresa. Isto configura um erro grotesco na construção da tensão, o que condena qualquer filme de horror que se preze.

A ambientação da história segue todos os elementos de um filme do gênero. Há a mansão há muito tempo abandonada (com direito a névoa noturna), localizada em um local afastado, com um jardim labiríntico e um porão onde ocorre a introdução do filme e que jamais deveria ser revisitado. As criaturas que deveriam causa espanto em nenhum momento cumprem tal função e acabam soando como Gremlins digitalizados, só que sem a graça do original.

Entre os pontos positivos, há a interpretação excepcional de Bailee Madison como Sally, a filha atormentada de Alex, interpretado por Guy Pearce. Kate Holmes não demonstra grandes dotes artísticos, mas é favorecida por uma personagem que vai crescendo ao longo do filme e é responsável por um dos melhores momentos, na etapa final da película.

Embora tenha o nome de alguns dos principais realizadores de fantasia e horror mainstream, Don’t Be Afraid of the Dark será lembrado como uma produção negativa em seu currículo. Salvam-se no filme a interpretação da heroína infantil e o final incomum e incoerente com o insosso desenvolvimento da história.

——————————

Don’t Be Afraid of The Dark (EUA, 2011). Horror. Vinny Filmes.
Direção: Troy Nixey
Elenco: Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Alan Dale

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Terror