CRÍTICA | Nasce uma Estrela

Críticas
// 17/10/2018

Estreia do também coprotagonista Bradley Cooper na direção, Nasce Uma Estrela reúne diversas premissas e elementos potencialmente interessantes, mas desenvolve apenas uma pequena parte a contento, em uma história sobre arte, alma, vaidade, inveja e amor. Ancorada em momentos musicais que se alternam entre impressionantes, interessantes e apenas banais – enquanto a maioria das letras, dolorosamente literais, fica nessa última categoria -, a trama surpreendentemente longa coloca um esforçado Cooper na pele do (fictício) cantor veterano Jackson Maine, que descobre, fica fascinado e impulsiona a carreira da cantora/compositora desconhecida Ally, interpretada pela popstar Lady Gaga com também evidente dedicação, mas ainda muito mais impressionante como cantora do que enquanto atriz.

O longa tem início com a apresentação de ambos os protagonistas tanto ao espectador quanto um ao outro, e, apoiados por um interessante elenco de apoio, nesses momentos iniciais eles são mostrados de forma bem mais cativantes do que quando começa uma sucessão pouco fluida e natural de acontecimentos, encontros e atitude. Ally,  princípio volta atrás constantemente em decisões que minam o caráter de mulher forte e decidida que o filme parece buscar construir. ainda que, mais à frente, a personalidade dela pareça ganhar alguma solidez.

Já o personagem de Cooper parece mais interessante em seus dramas alcoólicos em um primeiro momento do que conforme o filme se desdobra para dar pistas e justificativas sobre uma convoluta série de relações familiares conturbadas e disfuncionais que parecem ser a causa dos traumas psicológicos e físicos do rockstar. Apesar das idas e vindas e exageros, no entanto, o ator é bastante convincente no palco e na voz grave de sotaque interiorano que Jack Maine “roubou” de seu irmão e empresário Billy (Sam Elliott).

Na parte do trabalho por trás das câmeras, Cooper, que também co-escreveu o roteiro, baseado em um filme homônimo de 1937, vacila e engasga no ritmo narrativo, nos níveis de breguice e até no próprio ego, mostrando-se incessantemente sexy mesmo quando Maine está nos piores estágios do vício em álcool e drogas. No aspecto visual, contudo, o diretor se mostra bem mais seguro, sem tentar inovar e, com a exceção dos ocasionais momentos bregas já mencionados, apresenta algumas belas sequências visuais, em especial as também citadas anteriormente performances musicais.

Aos proverbiais 45 do segundo tempo, o filme entrega uma reviravolta de impacto, cujos desdobramentos (em sua quase totalidade deixados de forma implícita como sugestão para as conclusões do espectador) trazem uma dose de sentido ao que já parecia uma excessiva elaboração dos mesmos pontos que o filme aborda ciclicamente ao longo de todo o seu desenvolvimento até então, com eficiência variável. Em certos momentos, o longa parece uma obra análoga a Coração Louco, de 2009, com Jeff Bridges e Maggie Gyllenhaal, que se mantém superior em todos os aspectos, exceto talvez a sensualidade dos protagonistas. Pouco, para as mais de duas horas de exibição.



A Star Is Born (EUA, 2018). Warner Bros. Pictures.
Direção: Bradley Cooper
Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Rafi Gavron, Anthony Ramos, D.J. ‘Shangela’ Pierce, Willam Belli.

 

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Drama, Musicais