CRÍTICA: Ninja Assassino

Ação
// 04/02/2010

Chega às salas de exibição brasileiras amanhã o longa Ninja Assassino, produção dos irmãos Wachowski (Matrix e Speed Racer) que mistura o melhor da pancadaria da trilogia que lhes deu sucesso com o pior das tramas de filmes que só Michael Bay conseguiria dirigir. Por sorte, não é ele quem assina o produto.

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Ninja Assassino
por Eliézer Carneiro

Dar nome a um filme é uma tarefa complicada. Parece-me quase impossível você nomear algo tão complexo e que normalmente aborda tantas coisas. Tarantino foi direto quando deu o nome de Kill Bill ao seu penúltimo filme. O objetivo da heroína estava implícito no titulo, porém o longa ia muito além do aparente objetivo. Ninja Assassino também tem um nome simples e direto, só que, ao contráio da saga “spaghetti com shōyu” de Tarantino, na produção dos irmãos Wachowski o título apenas mostra o quanto tudo é raso.

O filme conta a história de Raizo, um menino de rua que foi ajudado pelo clã ozunu, que o tirou das ruas para transformá-lo em um ninja a serviço da organização. Durante os árduos treinamentos, Raizo faz amizade com uma garota que futuramente acabapor ela se apaixonando. E é essa história de sua infância, treinamento e de amizade que vai sendo mostrada aos poucos.

A trama se inicia mostrando Raizo como um dos assassinos profissionais mais perigosos do mundo. Seu objetivo é se vingar do clã responsável pela morte da então sua amada. No meio dessa vingança, ele acaba conhecendo a detetive Mika, uma agente da europol que se encontra no meio de uma investigação para provar que o governo contratou o clã de assassinos para matar políticos e pessoas importantes.

Pronto, esse é o fiapo de história que faz o filme andar. Olhando essa simples sinopse, já dá para se ter percebido que o trunfo de Ninja Assassino não está no roteiro. O interessante do filme também não está nos atores. O papel  principal de Raizo foi dado ao ator e também dançarino e astro pop sul coreano Jun “Rain” Ji-hoon, que não compromete. Já Mika é posse da atriz inglesa Naomi Harris, que se saiu um pouco melhor que seu colega coreano. Do resto do elenco o único que merece ressalvas é o japonês Sho Kosugi (um astro de uma série de filmes de ninja dos anos 80), que encara o líder do clã.

O grande (e único) motivo de ir ao cinema assistir a Ninja Assassino são as cenas de ação. Coreografadas e executadas pelo grupo 87 Elevens (de 300, Watchmen, trilogia Bourrne, trilogia Matrix e uma infindável lista que ainda inclui Homem de Ferro 2), as sequências são muito bem executadas, bem auxiliadas pela fotografia, apesar da diversidade de execuções noturnas. A edição, normalmente bem picotada nos exemplares de ação, acompanha bem a execução dos movimentos. Para enfeitar, dá-se o uso recorrente de recurssos como o bullet time (criado pelos Wachowski para Matrix), enquanto os movimentos dos dublês, incluído as lutas com armas e técnicas ninjas, são bem arranjados.

Mas alguns detalhes ainda irritam profundamente – ou, no mínimo, dão aquela cutucada -, como o fato do filme ser todo falado em inglês; esteja na Alemanha ou no Japão, o idioma padrão é o mesmo. Ou seja, mesmo que a ideia seja respeitar o gosto estadunidense de não se legendar filmes,  no momento em que se enxerga um mestre ninja japonês falando em inglês com um aluno conterrâneo dentro de um templo também japonês, fica impossível fugir da sensação de se estar assistindo a uma animação, e não um filme com classificação etária. O excesso de sangue também é de causar desconfortos. Se em Kill Bill o artifício era irônico, em Ninja Assassino não passa do excesso que é, para assim preencher um vazio sem o menor porquê. E daí brota mais um material alvo da crítica aos filmes orientais feita pelo longa de Tarantino.

A direção, a cargo de James McTeigue (diretor do ótimo V de Vingança e ajudante de direção da trilogia Matrix), fez o que pode com a bomba que tinha nas mãos e acertou em apostar na ação, o único atrativo do filme. De resto, Ninja Assassino não passa de mais um produto delivery feito por Hollywood, sob medida, para o público fã de artes marcias e pancadaria em geral. Na média entre o zero da trama pífia e o dez das cenas de ação, o filme estaciona numa nota 5, para quem gosta do gênero. Quem não atura ver  dois homens se estapeando com diversos tipos de armas letais, o melhor é passar longe.

Ninja Assasin (EUA, 2009). Ação. Warner Bros.
Direção: James McTeigue
Elenco: Rain, Sung Kang, Randall Duk Kim.

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