CRÍTICA: O Aprendiz de Feiticeiro

Ação
// 12/08/2010

Com uma diferença de quase um mês, O Aprendiz de Feiticeiro, nova aposta do produtor de Piratas do Caribe, Jerry Bruckheimer, estreia amanhã no Brasil. Com personagens fracos e uma história simples, o filme não tem tantas chances quando comparado ao que já foi dado ao público neste gênero. Entretanto, pode divertir quem procura bons espetáculos de magia por efeitos especiais.

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O Aprendiz de Feiticeiro
por Arthur Melo

Estampar o nome de Nicholas Cage em um pôster hoje em dia não garante boa coisa, muito menos sucesso. Infeliz em suas escolhas de papéis na última década, o ator despontou de estrela de filmes de ação com bastante talento para cenas de diálogo para protagonista de produções relativamente caras, porém ruins – com suas exceções, claro, mas que não oferecem salvação ao montante. Aprendiz de Feiticeiro é apenas mais um déficit para se contabilizar e depois esquecer.

Na história, Cage é Balthazar Blake, um antigo discípulo do mago Merlin que tem como missão encontrar o jovem escolhido para receber o anel de seu tutor e comandar poderes fantásticos que poderão por fim à maldade da bruxa Morgana e do perverso feiticeiro Maxim Horvarth (Alfred Molina). Após centenas de anos, Balthazar encontra Dave (Jay Baruchel), um garoto cujo caráter tem o valor necessário para usar o anel. O garoto cresce, se torna um jovem adulto e reencontra (não por opção) Balthazar para darem início aos treinamentos mágicos, a fim de lidar com os potenciais inimigos.

A história não é das mais esforçadas. Simples e objetivo, o roteiro se retém a conectar os acontecimentos uns aos outros para criar uma trama. Quando raro, se lembra que, apesar de uma moldura fantástica, os personagens são humanos e, portanto, merecem alguma atenção. Qualquer desenvolvimento para criar afinidade do público com algum deles é tido como desperdício de tempo e praticamente virou descarte na primeira passagem de script. À partir daí surge uma necessidade extrema de se criar um protagonista que sustente o filme, se baseando em clichês icônicos que já foram levados à exaustão no núcleo adolescente dos blockbusters hollywoodianos. É o nascimento de Dave, o enésimo rapaz da ficção nerd, frágil, esquecido, com apenas um amigo e jamais alvo de olhares das meninas, que terá sua vida transformada por um evento sem precedentes que o elevará ao pódio em segundos, conquistando sua estonteante paixão sem nem ao menos piscar o olho.

Lembrados todos de que ao menos uma característica humilhante de Dave corresponde a algo que, reza o roteirista, alguém deve compartilhar (ou já o fez um dia), o personagem é jogado à cenas de ação e magia para sustentar uma imagem de herói que, na verdade, está estampado no rosto de Balthazar, mesmo que este seja o resultado de um Nicolas Cage exposto a um teste de figurino que não alcançou algo diferente do risível. Não satisfeito com o mal resultado já anunciado, Jay Baruchel ainda se prontificou a impor um tom de voz repugnante que beira o ridículo – quando não irrita.

Sobra, no final das contas, para Molina. Visto a imobilidade que a história deu à Monica Bellucci (como Veronica) para dar um salto de graça ao longa, o ator ao menos se mostrou preocupado em valorizar alguma coisa, nem que fosse o vilão. De fato, não há sequer um momento de genialidade perversa que colabore com a vontade de Alfred, mas pelo menos este se deu ao trabalho de esconder qualquer constrangimento por estar ali (e, em seu caso, o figurino não pecou tanto). Por algumas breves passagens, pode até dar gosto assistir a Maxim Horvath passear na tela.

Se vale de alguma coisa, há boas sequências de ilusionismo. Os efeitos visuais realmente estão em ótimo ponto e ajudam muito para diminuir o sofrimento. Algumas tomadas, como as feitas na cena do festival no bairro chinês, valem por serem minimamente mais arrojadas ao abrirem espaço para uma visão mais panorâmica da cena, apesar de picotadas pela edição que procurou contornar os erros de uma direção que não sabe jogar com os elementos da tela para compor um visual idôneo sempre. Ainda assim, o clímax sofre quanto à participação do protagonista, que não o entrega à uma verdadeira batalha final, se resumindo a algumas exibições de truques de “mágica científica”.

Aprendiz de Feiticeiro é um excelente título que exibe tudo o que os grandes filmes de fantasia que deram certo poderiam ser se não tivessem dado a guinada certa em determinado ponto de suas existências (não me refiro apenas à uma série, várias dentre elas podem ser citadas – dentre as que fluíram comercialmente ou não). Histórias, todos eles têm. Personagens que refletem características geralmente rejeitadas, mas que criam certo carisma, também. Mas é necessário um engrandecimento, uma atitude ou situação única deles que lhes atribua algum sentido que não seja provações medíocres de heroísmo para causar boa impressão. Mero ilusionismo.

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The Sorcere’s Apprentice (EUA, 2010). Ação. Fantasia. Walt Disney Pictures.
Direção: Jon Turteltaub
Elenco: Nicholas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Teresa Palmer, Monica Bellucci.

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Ação, Críticas, Fantasia