CRÍTICA: O Casamento de Rachel

Críticas
// 10/02/2009

Neste sexta-feira 13 mais uma indicada ao Oscar 2009 de Melhor Atriz chega oficialmente às telas nacionais. Anne Hathaway, no longa O Casamento de Rachel, é um jovem que, há dez anos internada numa clínica de reabilitação, volta para casa para o casamnto de sua irmã. Dispensando cenas de recaídas, o drama foca na complexidade das relações familiares e oferece o primor da melhor atuação de Hathaway até hoje. Confira a crítica.

O Casamento de Rachel
Por Arthur Melo

O ser humano possui muita naturalidade para gerar conflitos. Curiosamente, a facilidade é maior com pessoas próximas. Alimentada por um problema exposto amplamente, Kym, personagem de Anne Hathaway em O Casamento de Rachel, traça uma linha que separa os valores reais e forjados do círculo familiar, visível, para apontar a sua real função.

A jovem em questão retorna para casa por um fim de semana para o casamento de sua irmã, Rachel. Há dez anos internada em uma clínica de reabilitação e cursante de um programa de doze passos para a cura de sua doença, Kym possui um desejo de redenção desvirtuado pelo momento de festa e confraternização com os amigos. Sua procura pela paz consigo mesma perde a validade quando isto se encontra com o momento de extrema felicidade e plenitude da irmã.

Hathaway é o centro de um colapso no lar. Um foco indesejado de instabilidade e revivais constrangedores. O que para a atriz soou perfeito. Vinda de produções com menos carga dramática e profundidade questionável, Anne exala com louvor toda a complexidade do drama de Kym, proporcionando passagens em sua atuação de postura invejável. Não há amargura ou desapontamento, há questionamentos quanto à postura dos pais e da irmã. Questionamentos esses que são cobrados em momentos mal calculados devido à insegurança por ter seu problema amplamente divulgado.

A diferença de O Casamento de Rachel dentre tantos casos da sétima arte que tratam de assuntos parecidos é a perspectiva e abordagem. Completo, o roteiro possui uma trajetória linear e absolutamente coesa, sem falhas ou ajustes. O desenvolvimento dos personagens é um trabalho da trama em colaboração do excelente nível do elenco, que constroem o caráter e a personalidade dos interpretados por meio de ações e reações sempre coerentes com o momento.

Não se pode alegar que as problemáticas que projetam Kym em embates contra sua família, potencialmente à Rachel, são relacionadas à falta de diálogo. Ao contrário. Os diálogos, bem amarrados e naturais, estão lá, se portando como principal elemento de exposição do drama passado que ainda aflora em cada integrante da história. Tudo aprimorado pela competente direção de Jonathan Demme e do ótimo trabalho da câmera, que percorre a ação com uma visão aproximada quase documental, oferecendo uma experiência de participação na cena poucas vezes degustada.

Excluso de reviravoltas e grandes fatos inseridos como intermediários para alterar o rumo da trama ou buscar maior atenção, O Casamento de Rachel se garante numa relativa simplicidade estética e poderosa argumentação. Uma autenticidade que está se esvaindo nas projeções.

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Rachel Gettin Married (EUA, 2008). Drama. Sony Pictures.
Direção: Jonathan Demme.
Elenco: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather Zickel, Bill Irwin, Anna Deavere Smith, Anisa George, Tunde Adebimpe, Debra Winger, Jerome LePage, Beau Sia, Dorian Missick, Kyrah Julian.

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Críticas, Drama