CRÍTICA | O Cavaleiro Solitário

Aventura
// 11/07/2013

O novo “Piratas do Caribe“, agora em edição “a seco”, chega aos cinemas com todas as máculas do “original”: Johnny Depp, Gore Verbinski, ação, excelência técnica, Disney, Jerry Bruckheimer e nada, nada a lhe acrescentar.

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O Cavaleiro Solitário
Por Luan Tannure

A “versão faroeste” de Piratas do Caribe foi sucesso na rádio na década de 30, e nos seriados televisivos de 50, o Cinema parece ser o seu lado menos privilegiado. Saem os navios e entram os cavalos, os piratas trocam com os caubóis e a água, mais escassa do que nunca, dá espaço para o grande deserto texano.

Tendo sido anunciado como uma das próximas grandes investidas da Disney, O Cavaleiro Solitário passou por vários problemas desde o princípio: foram cortes no orçamento, refilmagens e até rumores sobre cancelamento. E mesmo nesse tumulto, o filme não é de todo ruim. Tem um visual bem acabado com cenas de ação empolgantes acompanhadas de uma trilha sonora afinadíssima. Mas, nas suas longas 2h20, o filme peca pela repetição de vários aspectos da franquia bucaneira que vai desde a construção dos personagens, passa pela resolução do enredo até a própria trilha sonora.

Dados tantos problemas, nem as atuações conseguem dar força ao filme. A utilização de Helena Bonham Carter, como Red Harrington, a proprietária do bordel, novamente carregada de maquiagem, forçando mais uma vez sua beleza, não convence. A antes atrapalhada dupla de soldados da marinha inglesa troca de lado e agora, ladrões, continuam sendo parte dos alívios cômicos. Apesar da bela química entre os dois personagens principais, Armie Hammer se esforça, mas não conquista seu espaço como protagonista. A grande decepção fica por conta de Johnny Depp, que apesar de não deixar a bola cair, não traz nada de novo ao personagem, fazendo uma versão sóbria (literalmente) do seu Jack Sparrow. E é melhor nem citar o excesso de piadas batidas, situações ou outros personagens descartáveis (como o garoto que escuta de Tonto suas aventuras), ou o desenrolar amoroso de John e Rebecca Reid (Ruth Wilson).

Tentando ser uma homenagem aos clássicos westerns com belos planos abertos à la “Rastros de Ódio”, mostrando a sensação de abandono ou solidão de muitas famílias frente a imensidão do selvagem território americano, o filme se renova ao taxar a ganância do homem e não os índios como vilões da colonização. E pra não dizer que o longa não se salva, há os belos momentos do cavalo espiritual, o tão aguardado “Hi Yo Silver!” e uma montagem digna de nota: a sincronia da música com o soar das balas. A riqueza de detalhes sonoros é incrível. Ver a última batalha ao som de “William Tell Overture”, a consagrada trilha sonora do seriado dos anos 50, é de tirar suspiros nostálgicos dos mais velhos, coisa que infelizmente passará batida pela maior parte da plateia.

Mesmo com a pretensão de ser mais que um filme, e sim uma homenagem ao western, O Cavaleiro Solitário se apresenta apenas como um produto da indústria hollywoodiana. Procurando seguir a fórmula lucrativa de Piratas do Caribe, que mescla vários gêneros e boas atuações, conservando inclusive o mesmo estúdio, produção e direção, o filme perde originalidade pra se manter dentro dos padrões. O que compromete e muito o resultado final. É um filme divertido, com momentos memoráveis, mas que com tantas falhas não se sustenta, mostrando que de vez em quando é necessário fugir à regra.

 

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The Lone Ranger (EUA, 2013). Walt Disney Pictures.
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Armie Hammer, Johnny Depp, Tom Wolkinson, Ruth Wilson.

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Aventura, Críticas