CRÍTICA | O Corajoso Ratinho Despereaux

Animações
// 16/01/2009
o-corajoso-ratinho-despereaux

O primeiro longa do estúdio Framestore chega sem muito barulho aos cinemas brasileiros nesta sexta, dia 16. O Corajoso Ratinho Despereaux é, para a maioria, a oportunidade de conferir mais uma história sobre ratos, assim como foi Stuart Little ou Ratatouille. Para outros, trata-se da estréia da atriz Emma Watson, a Hermione de Harry Potter, como dubladora. Na realidade, o filme é uma adaptação da obra de Kate DiCamillo, The Tale of Despereaux.

A trama central do filme gira em torno do ratinho do título, o pequeno, porém valente, Despereaux. O herói nasce em uma comunidade de camundongos, o que o diferencia dos verdadeiros “ratos” e o coloca em uma posição social roedora um pouco acima. O que acontece é que os ratos são seres dos esgotos, que preferem permanecer na escuridão e estão longe de serem fofinhos. Os camundongos, pelo menos no filme, possuem uma organização de comunidade melhor definida. Os pequenos camundongos até vão à escola aprender como ser um rato. Porém, Despereaux não se encaixa bem nos padrões estabelecidos pelos seus semelhantes porque não sabe ser covarde.

Destemido, Despereaux encontra a bela Pea. A princesa estava, até então, enclausurada em seu quarto no castelo, tomada pela tristeza desde que sua mãe morreu e seu pai apenas lamenta a perda da esposa. A amizade e as atitudes do ratinho são condenadas pelos camundongos e, levado ao júri, Despereaux obtém como sentença a ordem de viver no subterrâneo junto com os demais ratos. O longa se desdobra também em histórias paralelas de forma que elas estejam conectadas com a aventura central. Assim como o camundongo, o rato Roscuro e a pequena Mig, criada da princesa Pea, também entram em conflito com as identidades que possuem.

No nome original, a história de Despereaux no reino de Dor deixa explícita a característica de conto de fadas. Essa essência foi mantida com sucesso na versão cinematográfica, desde o início ‘era uma vez’ até a presença de um narrador em terceira pessoa. Outro ponto interessante a se ressaltar é a metalinguagem presente no longa quando Despereaux, ao invés de roer livros, lê um conto com o qual se identifica. O príncipe, assim como ele, é bravo, destemido e leal, valores que o ratinho usa como bandeira.

Algumas vezes, o longa falha na falta de realismo de alguns personagens e situações. Alguns objetos em cena simplesmente não parecem verdadeiros o suficiente para fazer o público se esquecer de que se trata de uma animação. Os humanos parecem estilizados um pouco além da conta para contornar a falta de experiência do estúdio com o gênero. Mas, salvas essas pequenas minúcias que estamos acostumados a não notar em outros filmes do gênero, Despereaux apresenta uma retomada do formato de conto que já foi abolido pela maioria dos estúdios do mercado. Não é uma obra-prima, mas a Framestore começa bem a empreitada por espaço entre as animações.


The Tale of Despereaux (EUA, 2009). Animação. Universal Pictures.
Direção: Sam Fell, Robert Stevenhagen
Elenco: Sigourney Weaver, Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Christopher Lloyd, Emma Watson

Comentários via Facebook
Categorias
Animações, Críticas