CRÍTICA: O Dia em que a Terra Parou

Críticas
// 11/01/2009

O Dia Em Que A Terra Parou, aguardada refilmagem do clássico da ficcção científica de 1951 chega as telas brasileiras. Sabemos, é pouco provável, mas seria ele superior ao original? Confira.

O Dia em que a Terra Parou
por Matusael Ramos

Produzir um remake não é, decididamente, uma tarefa das mais fáceis. Não bastasse a legião fãs ferrenhos e críticos de cinema rabugentos em seu encalço, o cineasta precisa medir pacientemente as mudanças que invariavelmente terá de fazer – e essa responsabilidade se torna astronômica quando o original é um dos mais influentes filmes da história do cinema.

O Dia Em Que A Terra Parou não chega a ser um filme ruim, mas fica aquém do primeiro, já que as comparações, nesse caso, tornam-se inevitáveis. Enquanto o original, de 1951, agraciado com Globo de Ouro honorário de “melhor filme a promover o entendimento internacional” se apresenta principalmente como um drama de caráter justificadamente moralista, o remake é quase um exemplar de cinema catástrofe. As diferenças cruciais das versões devem-se, obviamente, ao contexto histórico em que cada uma está inserida: se na década de 50 a Guerra Fria e os avanços bélico-nucleares são a razão pela qual o alienígena Klaatu é enviado a Terra para nos alertar, em 2008 é o descaso da raça humana pelo futuro do planeta o motivo da sua vinda.

O eixo central da história, pode-se dizer, manteve-se. Um alienígena sob a forma humana (Keanu Reeves) é enviado a Terra na condição de representante das demais civilizações extraterrestres, trazendo em sua companhia um enorme e destrutivo robô. Forças armadas e estudiosos das mais diversas áreas, inclundo aí a astrobióloga Helen Benson (Jennifer Connely, belíssima) são convocados para uma possível ofensiva alien. Logo na primeira tentativa de contato com os terrenos, Klaatu é baleado e enviado para um hospital. Gork, o robô, programado para reagir sob qualquer manisfestação de violência, faz menção em atacar, mas é impedido pelas palavras de Klaatu: a clássica frase “Gork, Klaatu barada nikto. No hospital, Klaatu pede à secretária de defesa norte-americana (Kathy Bates) que solicite uma reunião com todos os líderes mundiais para que então defira seu ultimato. Ela, que o vê unicamente como uma ameaça iminente ao planeta, nega o pedido, o que o obriga a fugir e mudar os planos. Agora, só o que lhe resta é reunir, por meio de enormes esferas espalhadas pelo planeta, exemplares de espécimes que serão poupados da destruição reservada à Terra. Convicto de que os humanos estão irremediavelmente contaminados pela violência e os maus sentimentos, cabe a Helen mostrar que existe um outro lado por trás dessa humanidade bestial.

No que se refere a técnica empregada no longa, não há o que se queixar do diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose). As sequências em que nuvens de nanorobôs consomem toda matéria que encontram pela frente é realmente boa – ainda que sem o impacto e o charme do pouso da nave mãe no filme original. Algumas detalhes foram preservados, como o aspecto intimidativo e enrijecido do robô Gork ou a cena em que Klaatu soluciona com assustadora facilidade uma fórmula matemática no quadro negro de um ganhador do Nobel.

À época de seu lançamento, em 1951, muito se falou do caráter messiânico de O Dia Em Que A Terra Parou: como Jesus Cristo, o personagem de Klaatu vêm nos alertar dos males que infligimos uns aos outros e não obstante, ressuscita. No atual, tem poderes de cura e uma missão a la arca de Noé. O original questionava ainda a insana luta pela supremacia mundial e suas consequencias. O remake, com maior apelo ambiental, fala da consciência da degradação, sem contudo qualquer iniciativa de mudança.

Ainda que respeitadas e compreendidas as diferenças entre ambos, o fato é que a nova adaptação certamente vai agradar a poucos. Quem sabe o lugar dos clássicos não é mesmo a estante?


The Day the Earth Stood Still (EUA, 2008). Ficção Científica. 20th Century Fox
Direção: Scott Derrickson
Elenco: Jaden Smith, Jennifer Connelly, Keanu Reeves, Kathy Bates, Jon Hamm

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