CRÍTICA: O Exterminador do Futuro: A Salvação

Ação
// 03/06/2009

Bem recebido ou não. O Exterminador do Futuro 4: A Salvação é melhor do que o seu antecessor. Mesmo sem a presença do T-800 de Arnold Shwarzenegger destruindo cidades a fio, o longa consegue manter o padrão de pancadaria dos antecessores, com um fôlego ainda maior nas cenas de ação. Mas está longe de ser perfeito. Confira a crítica clicando em “Ver Completo”.


O Exterminador do Futuro: A Salvação
Por Arthur Melo

Quando em época do lançamento de O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, o diretor e criador dos dois primeiros longas, James Cameron (“oscarizado” pelo filme Titanic), declarou que torcia para que o filme fosse um grande fiasco, pois tudo o que deveria ser contado sobre a história do Exterminador já tinha sido exposto; o ponto final já fora dado. Realmente, A Rebelião das Máquinas não foi nenhum grande sucesso de bilheteria que compensasse o alto investimento de 250 milhões de dólares (mesmo não tendo prejuízo), mas ao menos deu espaço para um quarto episódio que, numa balança de vários aspectos, só não supera a competência de Cameron no roteiro.

Desta vez com 50 milhões a menos de investimento, a série atingiu um nível técnico invejável. Nada muito surpreendente, é verdade. Afinal, acompanha o passo da tecnologia de hoje, mas acumula muitos pontos com a ajuda da direção do até antes dos créditos iniciais, fraco McG. Exterminador do Futuro: A Salvação é o típico filme de ficção científica e ação que enaltece o currículo de qualquer diretor que queira prosseguir no gênero – e McG parece só se interessar por esta parte que lhe toca.

A história se passa no apocalíptico ano de 2018, em que John Connor (vivido por Christian Bale) lidera a resistência humana contra os exércitos de andróides exterminadores da Skynet, que devastou o planeta nos ataques do final do terceiro filme. Neste mesmo espaço de tempo, o homicida que vendeu seu corpo à experimentos científicos em 2003, Marcus Wright, se torna a peça-chave para um segredo da Skynet que determinará o futuro da guerra das máquinas contra humanos. Resta a Connor se unir – ou não – a Marcus para decidir a quem esse segredo será favorável.

A preocupação geral na produção é óbvia: a técnica. Os efeitos visuais são excelentes, mostrando-se menos eficazes apenas em passagens que muitas vezes podem correr despercebidas. O mesmo se aplica aos efeitos sonoros: nítidos, intensos e bem definidos; porém com menos falhas que os da computação gráfica. Por conta, o apogeu está nas projeções das cenas. Algumas das sequências de ação possuem dinâmica e realismo exemplares, usando e abusando de bons ângulos e tomadas que dão amplitude à visão do espectador, sem confundir ou estremecer (o “defeito” realista que alguns diretores buscam para esconder falhas). Uma coordenação precisa e segura – se McG queria armas para a sua batalha pessoal com Michael Bay (Transformers), um arsenal interessante foi cunhado.

Mas Bay ainda não está em desvantagem. Sua despretensão em extrair o melhor possível do elenco é imitada por McG. Mesmo com uma boa formação com atores que já provaram seu potencial, como Bale e Helena Bonhan Carter, o quesito artístico da película não convence a ponto de ser incontestável. Neste filme em que os exterminadores se transformaram em meros coadjuvantes e âncoras do título, os papéis humanos não são desenvolvidos ou, então, não fazem jus ao mostrado anteriormente. O próprio Connor de Christian Bale é um total oposto do conceito que fora construído na trilogia anterior. É agressivo e arrogante, causando até um reflexo da imagem egocêntrica que o ator deixou transparecer durante as filmagens, enquanto Bonhan Carter parece ter pecado no exagero para marcar a oposição de seus dois momentos na trama. Um escorregão de características não sugestionadas pelo comandante do filme.

Mas ainda há trunfos. Marcus Wright, fundamental para o desenvolvimento da trama, é sem dúvida o melhor personagem de A Salvação. Sua dualidade e busca por origens (um conceito batido, mas que funciona para dar coerência à história) divide espaço com um heroísmo despreocupado, jogando para o ator Sam Worthington uma carga protagonista que não serviu em Bale. Sua dupla com o jovem Anton Yelchin (o esforçado Chekov do novo Star Trek), na pele de Kyle Reese, resulta em um ótimo aproveitamento da primeira parte do filme.

Poucos clichês de fim de filme à parte, O Exterminador do Futuro: A Salvação garante uma boa continuidade ao que já foi contado antes por James Cameron e expandido por Jonathan Mostow – ainda que merecesse ter parado no segundo episódio. Mas é algo que só é válido para criar um bom filme-pipoca calcado em explosões e pirotecnia digital. Nada que um roteiro mais instigante e denso aliado a um olhar atento aos astros que comporta não possa melhorar na sequência.


Terminator Salvation (EUA, 2009). Ação/Ficção Científica. Columbia Tristar.
Direção: McG.
Elenco: Christian Bale, Helena Bonham Carter, Sam Worthington e Anton Yelchin.

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