CRÍTICA: O Gato de Botas

Animações
// 18/12/2011

Nós estamos mais do que uma semana atrasados com a crítica de O Gato de Botas (é melhor nem mencionar o também divertidíssimo Operação Presente). Mas nós temos um motivo. Nas últimas semanas, além de problemas com o sistema do site, toda a equipe esteve muito ocupada com questões internas. Por não sermos uma equipe gigante, a disponibilidade de conteúdo no site (precisamente as críticas) sofreu com isso. Pedimos desculpas e agradecemos a todos que nos enviaram e-mails e cobraram os textos nos comentários de outras publicações aqui. Isso só mostra que, mesmo a gente devendo quando estamos muito encrencados, vocês querem ler o que temos a dizer; nossa opinião é importante e vocês acabaram de demonstrar isso.

Em “Ver Completo” você encontra a nossa crítica de O Gato de Botas atrasadíssima, mas aceitem isso como um “obrigado” e um pedido de desculpas. Faremos o possível nesse fim de ano maluco (já estamos mexendo nossos pauzinhos para melhorar algumas “coisinhas”).

O Gato de Botas
por Eduardo Mercadante

Quando uma série tem um grande sucesso de crítica e – mais importante – de público, a consequência natural é que os produtores, ávidos pelo lucro máximo, criem spin-offs. Um exemplo dessa manobra é justamente O Gato de Botas. O problema dessa categoria de filmes é que, na maioria das vezes, eles se revelam bastante inferiores a seus predecessores. Felizmente, disso O Gato de Botas não é exemplo.

O roteiro, assinado por Tom Wheeler, David H. Steinberg e Brian Lynch, apresenta a diretriz de toda a sua narrativa nas primeiras cenas. Ele é um típico conto de ninar. Composto por uma combinação de várias histórias já conhecidas – nesse caso, os contos O Gato de Botas, A Galinha dos Ovos de Ouro e João e o Pé de Feijão –, o longa tem soluções estereotipadas para um fim previsível, com recursos fáceis para o riso. No entanto, apesar de as chances favoráveis serem mínimas, o filme funciona.

Na história, Gato de Botas descobre que o casal de bandidos mais perverso daquelas terras, Jack e Jill, está em posse dos feijões mágicos que ele buscou sua vida toda. Ao tentar roubá-los, ele acaba esbarrando numa misteriosa, porém habilidosa, gata chamada Kitty Pata Mansa, que o leva até seu ex-melhor amigo, o ovo Humpty Dumpty. A introdução ao enredo principal é relativamente longa, só terminando após Gato contar a Kitty sua história de vida, desde abandonado na porta de um orfanato em San Ricardo até ser traído por Humpty e levado a assaltar o banco da cidade, passando de herói da cidade a bandido mais procurado, tendo, pois, que se tornar um fugitivo.

A história pega ritmo só quando o Gato finalmente aceita a proposta de Humpty Dumpty e o trio põe em prática o plano de roubar os feijões mágicos, subir no pé de feijão, chegar ao castelo do gigante e roubar a gansa – e não galinha – dos ovos de ouro. Presumivelmente, no desenrolar do plano, surge um arrebatador amor entre Gato e Kitty. E o resto nem precisa ser dito.

Apesar de os acontecimentos serem tão claros como branco no preto, a combinação de lendas alcança seu sucesso com a tomada faroeste que o diretor Chris Miller (que dirigiu Shrek Terceiro) impôs muito bem, tornando o longa uma versão infantil – e, claramente, menos primorosa – de um longa de Sergio Leone. Talvez algo que ele contasse para fazer seus filhos dormirem. O Gato de Botas se aproveita da familiaridade que Antonio Banderas (que dubla o Gato no original) já tem com o papel de galã latino para criar uma versão animada e um tanto quanto dissimulada de Zorro.

Mesmo que o filme seja completamente centrado em seu protagonista, dando pouco espaço para o desenvolvimento dos personagens coadjuvantes, estes são grande parte do charme da produção. As cenas de dança, por exemplo, são infinitamente mais engraçadas devido às reações das gatas que as assistem, principalmente a da gata que é uma clara alusão ao OMG Cat (hit da internet que você pode conferir aqui).

Graficamente, O Gato de Botas é lindo. Ainda que a maioria do público já tenha criado aversão à sigla 3D por causa do grande número de fiascos quando se utiliza a técnica em filmes sem a real necessidade, este ingresso definitivamente vale alguns reais a mais. A cena do pé de feijão, por exemplo, é visualmente incrível. E as tomadas aéreas de San Ricardo, enquanto os gatos – cujos pelos se movem com perfeição – saltam de telhado em telhado, são igualmente deslumbrantes.

A verdade em torno de O Gato de Botas é que o espectador entra na sala de cinema esperando mais um spin-off desnecessário, que provavelmente deveria sair direto para home-video. No entanto, com seu charme latino e sua cara fofa que já virou uma marca do personagem, a animação prova que nem sempre o spin-off é pior que o original. E neste caso, o longa derivou da série Shrek antes que ela caísse nessa espiral decadente em que se encontra. Tem tudo para dar errado, mas funciona.

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Puss in Boots (EUA, 2011). Animação. Dreamworks.
Direção: Chris Miller
Elenco: Antonio Banderas, Salma Hayek
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Animações, Críticas