CRÍTICA | O Grande Lebowski

Comédia
// 12/12/2009
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Os irmãos Coen já há algum tempo são considerados dois entre os grandes cineastas da atual geração. Em geral, seus filmes têm um quê fortemente autoral; isso porque o roteiro, a direção e a edição ficam por conta deles, assim o filme idealiza-se e executa-se conforme a vontade deles.

O Grande Lebowski é um trabalho expoente dos irmãos e tem o estilo marcante de suas tramas.

Ano passado a revista Empire divulgou a lista dos 100 maiores personagens do cinema, eleitos todos eles por seus leitores. Listados na 7ª e 49ª posições, respectivamente, estão “The Dude” (Jeff Bridges) e “Walter Sobchak” (John Goodman), ambos personagens centrais da trama de O Grande Lebowski.

A habilidade dos irmãos Coen em criar personagens é, no mínimo, interessante. Neste filme em particular, temos uma explosão deles. Dir-se-ia que todos são caricaturas representativas dos mais diversos tipos sociais do fim do século XX. São inúmeros: policiais fascistas, artistas plásticos estranhos, produtores pornôs, etc. Até Philip Seymour Hoffman aparece já fazendo uma boa atuação como empregado bajulador de um milionário. Logicamente, uns aparecem constantemente na película, enquanto a outros restam apenas alguns segundos. Mas estão lá, são marcantes por suas bizarrices, e essenciais também. A história é simples, mas é a quantidade de personagens que faz o embaraço – divertido – da narrativa.

Em primeiro plano há o anti-herói Jeffrey Lebowski, ou “O Cara” como ele prefere. “Possivelmente o cara mais preguiçoso de Los Angeles”, diz o narrador. Um vagabundo que paga em cheque uma caixa de leite. Talvez um hippie vencido. Por fiel escudeiro, há seu amigo Walter Sobchak: veterano da guerra, acha que tudo tem uma conexão com o que aconteceu no Vietnam, acha que está sempre certo e acha que é judeu. Junto com Donny (Steve Buscemi), o personagem mais perdido – consequentemente o mais normal –, os três formam um time de boliche.

A história começa com uma confusão. Confundem O Cara com outro Lebowski, o milionário conservador e casado com uma ninfetinha aproveitadora. Dois brucutus invadem a casa d’O Cara e exigem que ele pague o que a mulher deve. Enquanto um deles o ameaça afogando-o na privada, o outro mija em seu tapete. Depois de pensarem um pouco, os dois se dão conta que aquele Lebowski não é o que procuram. Assim decidem deixá-lo em paz. Mas o tapete d’O Cara completava a sala. Ele precisava de outro, limpo. E é pelo tapete, e só por isso, que todos os eventos subsequentes acontecem.

A personagem principal, como em muitos filmes dos irmãos Coen, perde o controle sobre a própria vida e vira joguete das diversas situações que o cercam. Na tentativa de resolver todos os problemas que caem em seu colo, e ajudado por seus amigos, O Cara “sobrevive” numa jornada dentro da Los Angeles suburbana.

Para comportar os vários personagens absurdos, o roteiro torna-se também absurdo. A cena que dará esse tom logo no início é a de uma bola de feno que atravessa a cidade de Los Angeles e acaba na praia.

Quem gostou de Queime Depois de Ler, O Grande Lebowski é uma boa pedida. São duas obras com bastantes semelhanças básicas: personagens e situações mirabolantes, e são bem cômicas.

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The Big Lebowski (EUA/Inglaterra, 2001). Comédia.
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Tara Reid, Steve Buscemi, John Goodman, Julianne Moore e Jeff Bridges.

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Comédia, Críticas