CRÍTICA: O Homem do Futuro

Comédia
// 01/09/2011

Ao se aventurar, à primeira vista, por um terreno pouquíssimo explorado no cinema nacional – a ficção científica – O Homem Do Futuro apela para situações cômicas básicas e uma trama derivativa e inconsistente. Nem Wagner Moura, dedicado apenas em alguns momentos ao personagem, salva a experiência que parece atrasada no cenário mundial.

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O Homem do Futuro
Por Gabriel Costa

Aconteceu com Nicolas Cage em meados dos anos 1990. Um ator altamente competente e respeitado – digno da confiança do público, pode-se dizer – vacilando em sua primeira escorregada. Guardadas as devidas proporções, é a situação de Wagner Moura em O Homem do Futuro. Não fica claro se o filme busca inovação ou apenas reencenar alguma trama de novela adicionando elementos de De Volta Para O Futuro e Efeito Borboleta. O resultado final, no entanto, peca por fracas atuações, composições pobres de cena e um enredo com lições que se anulam umas às outras.

O filme conta a história de João – ou Zero, como é mais conhecido –, um rapaz genial que sofre com os problemas habituais dos adolescentes: insegurança, timidez, falta de jeito com garotas. O agravante: ele é gago. Apesar de tudo, João cresce com a intenção de mudar o mundo, e persegue o projeto da criação de uma nova forma de energia. Acidentalmente – ou não – o experimento final o leva de volta à noite que mudou sua vida: o dia em que teve e perdeu o amor de Helena (Alinne Moraes), vinte anos antes.

As referências são óbvias, e o filme não faz questão de negá-las. Cenas fundamentais acontecem em um baile de estudantes, e dilemas existenciais são destacados quando as complicações decorrentes de uma alteração no passado do protagonista tornam-se evidentes. O problema é que, mesmo que a produção deixe claro que não almeja realismo científico, a história se recusa a manter a coerência com elementos previamente apresentados, partindo para reviravoltas derivativas e distrações.

Entre as atuações, Alinne Moraes surpreende em seletos pontos do filme, enquanto Moura está longe de seus melhores momentos. A interpretação excessivamente caricata de Zero nas diferentes partes de sua vida prejudica a compreensão dos verdadeiros motivos do personagem. Maria Luiza Mendonça apresenta uma performance consistente, mesmo que sua caracterização “jovem” pareça algo equivocada.

O Homem Do Futuro, caso houvesse sido lançado há oito ou nove anos, mereceria reconhecimento como uma produção fresca e ousada no cenário brasileiro. Desde então, porém, o avanço interno e externo foi tão notável que esse suposto conto futurista termina por parecer tragicamente datado.

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O Homem do Futuro (Brasil, 2011) Comédia Romântica / Ficção Científica. Globo Filmes
Direção: Cláudio Torres
Elenco: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luiza Mendonça, Gabriel Braga Nunes

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Categorias
Comédia, Críticas, Nacional