CRÍTICA: O Lutador

Críticas
// 17/02/2009

Faltando poucos dias para a cerimônia de entrega do Oscar, estréia no Brasil o filme que deu a Mickey Rourke o Globo de Ouro de melhor ator e o consagrou como favorito na batalha pelo prêmio mais importante do cinema. Entenda o porquê.

O Lutador
Por Matusael Ramos

Dramáticas histórias de superação sempre tiveram enorme aceitação ante os membros da academia. O que se dirá daquelas protagonizadas por lutadores. O fato é que, a despeito da temática pouco original e de personagens a principio convencionais, o diretor Danny Aronofsky consegue, em sua mais recente produção, O Lutador, um drama conciso, que, entre outros inúmeros entendimentos, discorre temas como a solidão e o destino.

No longa, Mickey Rourke interpreta Randy Robinson, um profissional do wrestling cujo auge da carreira se deu nos áureos anos 80. Vinte anos após a luta que o transformou em ídolo, “The Ram” (como ficou conhecido nos ringues), agora um solitário cinquentão de aparência bizarra, se divide em lutas amadoras conseguidas através do pouco reconhecimento que ainda lhe resta e durante a semana, trabalhos eventuais.

Eis que ao final de uma dessas lutas, talvez a mais sangrenta delas (com direito a arame farpado e um grampeador automático) Randy acaba por sofrer um ataque cardíaco e naturalmente, recebe a triste notícia de que não poderá voltar a lutar. Assim sendo, Randy decide que é chegado o momento de fazer alguns acertos em sua vida: decide reconquistar a filha (Ewan Rachel Wood) e se desculpar pela sua omissão como pai, além de investir em sua relação com a stripper Cassidy (Marisa Tomei, indicada ao Oscar) e arrumar um emprego, digamos, mais convencional – atendente da sessão de frios de um supermercado. O que Randy conclui entretanto, é que a vida fora dos ringues é a que mais lhe machuca.

Rourke desponta como favorito ao Oscar, auxiliado por uma caracterização irretocável e uma atuação bastante objetiva. A humanização de seu personagem se traduz em empatia para com o público – no que talvez possa ser comparado ao Rocky, de Stallone. Embora não reclame de sua sorte, cada cena emana algo da fustração de Randy. Não há o que e fazer ante o que somos ou nos tornamos. Como ele se auto define – e muito se falou das semelhanças de sua história e a do próprio Rourke, que ressurge nessa interpretação – Randy Robinson é um velho e maltratado pedaço de carne.

Em tratando-se do diretor Darren Aronofsky, O Lutador é um filme bastante particular. Ao contrário de produções como Pi, Réquiem Para Um Sonho e Fonte da Vida, o roteiro de O Lutador não sugere maiores pretensões, pelo contrário: é bastante simples e objetivo. O mesmo pode-se dizer da edição, que flui maravilhosamente. Diferentemente de Fonte da Vida por exemplo, seu último trabalho, em que as reviravoltas temporais configuram um verdadeiro martírio aos mais desatentos. Aliás desse último, o que permanece é o compositor Clint Manssel. A seleção musical é um outro ponto forte do filme, com clássicos inspirados dos anos 80.

Um filme para agradar ao mais inveterado fã de Touro Indomável ou àquele que procura simplesmente a razão do alarde em torno de Rourke. Boa pedida em qualquer hipótese.

The Wrestler (EUA, 2009). Drama. Europa Filmes.
Direção: Darren Aronofsk
Elenco: Marisa Tomei, Mickey Rourke, Evan Rachel Wood, Mark Margolis.

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Categorias
Críticas, Drama