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Faltando poucos dias para a cerimônia de entrega do Oscar, estréia no Brasil o filme que deu a Mickey Rourke o Globo de Ouro de melhor ator e o consagrou como favorito na batalha pelo prêmio mais importante do cinema. Entenda o porquê.

O Lutador
Por Matusael Ramos

Dramáticas histórias de superação sempre tiveram enorme aceitação ante os membros da academia. O que se dirá daquelas protagonizadas por lutadores. O fato é que, a despeito da temática pouco original e de personagens a principio convencionais, o diretor Danny Aronofsky consegue, em sua mais recente produção, O Lutador, um drama conciso, que, entre outros inúmeros entendimentos, discorre temas como a solidão e o destino.

No longa, Mickey Rourke interpreta Randy Robinson, um profissional do wrestling cujo auge da carreira se deu nos áureos anos 80. Vinte anos após a luta que o transformou em ídolo, “The Ram” (como ficou conhecido nos ringues), agora um solitário cinquentão de aparência bizarra, se divide em lutas amadoras conseguidas através do pouco reconhecimento que ainda lhe resta e durante a semana, trabalhos eventuais.

Eis que ao final de uma dessas lutas, talvez a mais sangrenta delas (com direito a arame farpado e um grampeador automático) Randy acaba por sofrer um ataque cardíaco e naturalmente, recebe a triste notícia de que não poderá voltar a lutar. Assim sendo, Randy decide que é chegado o momento de fazer alguns acertos em sua vida: decide reconquistar a filha (Ewan Rachel Wood) e se desculpar pela sua omissão como pai, além de investir em sua relação com a stripper Cassidy (Marisa Tomei, indicada ao Oscar) e arrumar um emprego, digamos, mais convencional – atendente da sessão de frios de um supermercado. O que Randy conclui entretanto, é que a vida fora dos ringues é a que mais lhe machuca.

Rourke desponta como favorito ao Oscar, auxiliado por uma caracterização irretocável e uma atuação bastante objetiva. A humanização de seu personagem se traduz em empatia para com o público – no que talvez possa ser comparado ao Rocky, de Stallone. Embora não reclame de sua sorte, cada cena emana algo da fustração de Randy. Não há o que e fazer ante o que somos ou nos tornamos. Como ele se auto define – e muito se falou das semelhanças de sua história e a do próprio Rourke, que ressurge nessa interpretação – Randy Robinson é um velho e maltratado pedaço de carne.

Em tratando-se do diretor Darren Aronofsky, O Lutador é um filme bastante particular. Ao contrário de produções como Pi, Réquiem Para Um Sonho e Fonte da Vida, o roteiro de O Lutador não sugere maiores pretensões, pelo contrário: é bastante simples e objetivo. O mesmo pode-se dizer da edição, que flui maravilhosamente. Diferentemente de Fonte da Vida por exemplo, seu último trabalho, em que as reviravoltas temporais configuram um verdadeiro martírio aos mais desatentos. Aliás desse último, o que permanece é o compositor Clint Manssel. A seleção musical é um outro ponto forte do filme, com clássicos inspirados dos anos 80.

Um filme para agradar ao mais inveterado fã de Touro Indomável ou àquele que procura simplesmente a razão do alarde em torno de Rourke. Boa pedida em qualquer hipótese.

The Wrestler (EUA, 2009). Drama. Europa Filmes.
Direção: Darren Aronofsk
Elenco: Marisa Tomei, Mickey Rourke, Evan Rachel Wood, Mark Margolis.

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4 respostas para »CRÍTICA: O Lutador»
  1. MUITO FODA ESSE FILME *-*

  2. Muito bom o filme, até chorei :’)

  3. Willis de Faria diz:

    O filme exige para ser visto, graças à arte e enganosamente simples humana, e o diretor Darren Aronofsky ter puxado para fora essa proeza rara – ele fez um grande filme sobre um assunto que irá encantar os fãs e cinéfilos afins. Oscila entre a esperança e a tristeza eloqüentemente, maciez e isolamento, “The Wrestler/O Lutador” é um soco emocional – uma profunda história pessoal de um homem em busca da verdade, o amor, e a vida fora do ringue. Mickey Rourke revive o papel como um velho leão, com sua juba de cabelo dourado cascata atrás – retrata Randy “The Ram” Robinson, uma vez que adorado bem sucedido lutador, nos anos 80, que vive em um estacionamento para trailers, é impedido de lutar depois de sofrer um ataque cardíaco. Deve ter sido extremamente difícil para Rourke a memória RAM para exercer o papel, porque ele tinha de revisitar alguns dos momentos mais difíceis da sua vida, pois em Hollywood, na vida real sempre foi o Bad-Boy, mas na verdade acaba por ajudar o seu desempenho, porque se sente tão verdadeiro e sincero. Independentemente, Rourke foi desde o início do filme ele se doa perfeitamente para o calvário de Randy o Ram. Quem melhor do que Rourke para vender a idéia de um dramático e decadente lutador de “vale tudo”, ainda orgulhoso lutador em busca da redenção? É um retrato de um homem da vida, que você não irá esquecer rapidamente. Rourke tem um desempenho maravilhoso. Previsível como é, o forte monstro de um filme nos mantém pregado ao tapete com a força de sua compaixão e dominando a vigor o seu central desempenho. Se houver alguma justiça no mundo, este ano o melhor ator Academy Award estaria indo para casa com Rourke, mas não foi. Ele de ganhou como melhor ator na premiação Bafta, o Oscar do cinema Britânico. Nota 10,0.

  4. É impressionante ver Rourke nesse filme. A história, na verdade, é bastante simples e objetiva e não deixa de ser bastante convencional em essência – é a de um homem que fracassou e que precisa lidar com o fracasso terminal tentando descobrir o que lhe resta como ser humano. O tema é tão forte que não precisa de firulas, e o diretor tem a sabedoria de deixar tudo fluir com simplicidade. Randy The Ram vai a um grau zero de derrota, sendo privado, quando aceita trabalhar no supermercado de frios, até do nome verdadeiro. Rourke, de fato, chega a roçar o sublime. Especialmente no momento em que desabafa com a filha. Poucas vezes se viu um personagem masculino chorar com aquela consumada convicção interior no cinema. Um grande trabalho. Mas é melancólico e para poucos públicos.

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