CRÍTICA: O Nevoeiro

Críticas
// 02/09/2008

É com considerável atraso que chega aos cinemas brasileiros mais uma adaptação da obra do ‘mestre do suspense’ Stephen King. Título esse que já começa a ser questionado, se levado em conta o mediano resultado da produção O Nevoeiro, baseada num dos contos de seu romance Skeleton Crew.

Leia a crítica!

O Nevoeiro
por Matusael Ramos

Se o nome Stephen King ainda é um chamariz para os entusiastas do cinema em geral, já há algum tempo deixou de ser sinônimo de qualidade. O fato é que as recorrentes adaptações de sua vasta obra têm deixado muito a desejar, seja por demérito dos nomes envolvidos em sua produção ou pela estranheza do conceito original por si só. O Nevoeiro parece uma junção desses dois fatores.

A premissa é tão bizarra quanto o filme em sua totalidade: após uma tempestade sem precedentes, os habitantes de uma pacata cidadezinha americana (é claro), saem às compras para estocar mantimentos. A intensa movimentação militar intriga a população ao passo que uma densa névoa esbranquiçada se lança sobre a cidade, provocando misteriosas mortes e ilhando nossa trupe de heróis num supermercado, onde transcorre a maior parte da ação.

A galeria de personagens que desfila durante as mais de duas horas de projeção não é necessariamente uma novidade em filmes de terror: o pai protetor, o cético que paga com a própria vida, a adorável loira sofredora, entre uma porção de figurantes.

Quem rouba a cena, no entanto, é a fanático-religiosa Sra. Carmody (numa interpretação controversa e um tanto afetada da oscarizada Márcia Gay Harden). Sua personagem promove verdadeira pregação durante o longa, alertando aos brados sobre o fim dos tempos e atribuindo o nevoeiro e as mortes subseqüentes a um castigo divino. Um tanto temerosos e suscetíveis, alguns dos confinados passam a seguir seus ensinamentos – por assim dizer – e uma insana congregação nasce no supermercado, em oposição aos mais práticos, liderados por David (ele mesmo: o pai protetor, interpretado por Thomas Jane). E o que seria uma luta compartilhada pela sobrevivência se transforma numa inconseqüente guerra de ideais.

Ah sim, e quanto ao nevoeiro? Descobre-se bem cedo que ele esconde uma série de estranhas criaturas de procedência desconhecida, como imensos insetos a la Tropas Estelares.

King tem uma trajetória inconstante. Prova disso é que o longa Cujo – adaptação de uma de suas obras menos conhecidas, sobre um cão São Bernardo raivoso que mantém mãe e filho presos dentro de um automóvel – consegue ser mais conciso e assustador que o pretensioso O Nevoeiro.

O fato é que em O Nevoeiro, a exemplo do conto original de King, o diretor Frank Darabont se esforçou em traçar um estudo sobre nossas atitudes em situações de sobrevivência, quando nossos instintos mais primitivos falam mais alto. Conceitos um tanto interessantes, mas que não convencem.E no cinema, como sabemos, por mais nobres sejam as intenções, o resultado ainda é o que conta.

The Mist (EUA, 2007). Suspense. Dimension.
Direção: Frank Darabont
Elenco: Márcia Gay Harden, Thomas Jane

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Categorias
Críticas, Suspense, Terror