CRÍTICA: O Preço da Traição (Chloe)

Críticas
// 13/05/2010

Praticamente às escuras, Chloe, título original de O Preço da Traição, estreia no Brasil amanhã. O longa, apesar do ótimo elenco formado por Amanda Seyfried, Liam Neeson e Julianne Moore, é ofuscado por uma história que priva tudo menos o principal, quase desmerecendo o trabalho dos atores.

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O Preço da Traição (Chloe)
por Leandro Melo

A mais recente película de Atom Egoyam parte de uma premissa simples: marido, pouco atencioso parece flertar com toda mulher atraente que encontra. Esposa fiel encontra sinais de que está sendo traída. Jovem acompanhante é contratada pela esposa para ver até onde o marido resistirá à bela moça que, por sua vez, passa a atormentar a sua contratante.

É criado, então, o conflito de O Preço da Traição (Chloe). A tentativa do diretor em desenvolver um “thriller sexual” não é feliz em suas escolhas. Egoyam tem em mãos um roteiro insosso para desenvolver e acaba por não fazê-lo, por diversos motivos. Há algo de errado quando se desenvolve melhor todos os personagens, em vez da principal (no caso, a Chloe que dá nome ao título original). A tentativa de construção de tensão não é capaz de fazer o espectador sentir alguma ligação com os personagens, quiçá sentir-se ameaçado pelas tentativas que a história cria. A tão anunciada e polêmica cena de sexo entre as personagens está lá, mas questiona-se se até que ponto era importante para a evolução cênica, uma vez que a tensão sexual era muito mais interessante quando apenas sugerida.

O desenho sonoro é equivocado. Por vezes, a trilha é utilizada como elemento melodramático, tornando-se deslocado em um filme que se propõe a gerar um suspense. E é nessa falha de comunicação que resume o grande defeito da obra: é um thriller, mas também é um melodrama. A falta de um equilíbrio na dosagem do segundo gênero acaba por anular – não totalmente – o primeiro. A fotografia – escura e soturna – é correta na maior parte do tempo, porém é desvalorizada por uma edição que mostra demais alguns planos banais, mas economiza nos que deveriam ser mais explorados.

Cabe, então, aos atores o grande mérito da obra. Amanda Seyfried, uma das grandes apostas para a nova geração de atrizes em Hollywood, está aquém das suas capacidades artísticas, resumindo a se portar como uma Lolita contemporânea. Lian Neeson entrega uma interpretação estranha e inconstante, pecando no que não precisaria se expor demais e mostrando o bom ator que é em momentos cruciais para o seu personagem. Mas o filme é, definitivamente, de Julianne Moore. Sente-se o seu drama na sua dúvida, na sua certeza e no seu luto, apenas nas sutilezas e trejeitos de uma mulher que, ao mesmo tempo em que é realizada profissionalmente, carrega a culpa constante de ter falhado como mãe e esposa.

Em resumo, O Preço da Traição não ofende a Sétima Arte. Mas é uma obra de pequenos erros que acabam por comprometer a sua proposta, tornando-a um filme indeciso e insosso, onde os atores são o seu melhor elemento.

Chloe (EUA, Canadá, França, 2009). Drama. PlayArte.
Direção: Atom Egoyam
Elenco: Amanda Seyfried, Liam Neeson e Julianne Moore.

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Críticas, Drama