CRÍTICA: O Procurado

Ação
// 30/08/2008


Antes de mais nada, uma explicação: como andamos muito ocupados nestes últimos dias com o visual do site, sistema, passagem de conteúdo para o servidor (o que ainda falta bastante) dentre outras coisas que ainda faltam concluir, as críticas atrasaram. Mas a crítica de O Procurado já pode ser lida aqui. Já as estreias dessa semana (O Reino Proibido e O Nevoeiro) estarão com suas críticas no ar nesta segunda e terça.

O Procurado
por Arthur Melo

O que tem distanciado dos filmes de ação uma boa parcela do público não é um item único, e sim um conjunto de idéias que parece querer impor que este gênero só funciona assim. Cada vez mais estereotipado, o estilo tem se demonstrado um ótimo outdoor para propagandear astros musculosos e diretores desconhecidos munidos de orçamento e dinamite. Não que O Procurado esteja distante disto, mas ao menos oferece certa originalidade – limitada, mas ainda assim.

Wesley Gibson é um rapaz neurótico, frustrado com seu emprego num minúsculo cubículo em um escritório de contabilidade e com sua vida amorosa ridicularizada pelo melhor amigo. Sua vida muda repentinamente ao se desculpar, dentre as centenas de vezes que o faz cotidianamente, com Fox – a melhor performance descontraída de Angelina Jolie – que lhe conta o passado do pai que o largou com alguns dias de vida, agora morto. Sua contribuição para a vida de Wesley é inseri-lo na Fraternidade, uma organização milenar formada por assassinos que procura salvar o mundo do caos e da desordem, para, assim, eliminar o responsável pelo fim de seu pai.

Um dos grandes méritos do filme é também o seu lugar mais comum. Wesley é pescado do seu universo centralizado na rotina e amplia sua visão do mundo e de si, dando-lhe a possibilidade de assumir um controle na vida que antes estava nas mãos de todos ao seu redor. Sua personalidade se desenvolve da noite pro dia, como no despertar de um sonho que ele custava a acreditar que era real.

De certa forma, não é o tipo de coisa que se vê todo dia numa produção onde o espetáculo começa e termina em fogos, ainda mais com boa desenvoltura quase sempre linear e coesa. Mas a idéia de um ser desprezado por todos que em dado momento da vida passa por uma prova ou situação que o reforma e o afirma por completo dando lugar a alguém que atrai admiração por seus atos e palavras, de tão explorado, está quase virando um conto de fadas (ainda que seja muito mais atraente do que a máxima “salvem o presidente dos Estados Unidos e/ou o povo americano da desgraça”).

Salpicado de seqüências de perseguição – a primeira delas daria uma grande apresentação se não fossem os péssimos desloques de câmera e enfoques infelizes), sangue e muitos slow motions, o filme se sustenta por agradar não logo de cara, mas convencer da validade de sua proposta e criatividade ao longo do trajeto, apesar dos deslizes em algumas cenas questionáveis. Ou, ainda, soma pontos por saber jogar as pistas nos momentos certos, para deixar o espectador muitas vezes na mesma situação de reflexão dos fatos que Wesley.

O entretenimento foi garantido na fusão de estéticas. O Procurado utiliza uma fórmula raramente aplicada em thrillers de ação e sabe disso, garantido um público misto. Investiu em bons efeitos visuais – nem sempre constantes -, um bom elenco e uma história manjada de reviravoltas pessoais e gerais por cima de uma trama atraente e bem tecida, e ainda soube desviar o final da linha reta do óbvio. Pode não ser o espetáculo que aparenta, mas é uma excelente contribuição para se pensar num novo jeito de detonar a bomba.

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Wanted (EUA, 2008). Ação. Universal Pictures.
Direção: Timur Bekmambetov
Elenco: Angelina Jolie, James McAvoy, Morgan Freeman.

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Ação, Críticas