CRÍTICA: O Rei Leão 3D

Animações
// 25/08/2011

O maior clássico animado da Walt Disney Pictures, O Rei Leão, retorna aos cinemas nesta sexta-feira, agora em 3D, em curta temporada. O filme já é conhecido e revisitado por muitos há anos. Mas, mesmo assim, achamos muito válido dar a nossa opinião sobre o processo de conversão do filme para o 3D. Portanto, a nota desta crítica não é referente ao filme (que certamente levaria nota 9), mas sim ao 3D aplicado nele.

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O Rei Leão 3D
por Leandro Melo

Há 17 anos estreava o filme que viria a ser a maior animação tradicional do estúdio Walt Disney e um clássico incontestável da década de 90. Hoje em dia, é difícil que alguma pessoa minimamente informada não tenha assistido a pelo menos uma cena de O Rei Leão e conheça seus personagens. Com quase duas décadas completas, o longa dirigido por Rob Minkoff e Roger Allers retorna ao cinema para um curto período de exibição comercial, como forma de marketing para o vindouro lançamento em blu-ray. Há, porém, um chamariz dando atenção para um diferencial dessa versão em relação à original, de 1994: a conversão para 3D. E uma questão, então, é criada: vale a pena revisitá-la sob essa nova, digamos assim, percepção? Em relação ao filme em si, não há com o que se preocupar. A versão original do filme está lá, sem tirar nem pôr.

Revisitando a obra, percebe-se o quão atemporal é a sua história. Isso se deve, principalmente, pelos conflitos sólidos impostos pelo seu roteiro. O arquétipo do herói – no seu sentido mais puro –  está lá. Questões como perda, honra, relação familiar, entre outras, compõem o personagem principal e o farão passar por transformações drásticas ao longo de sua jornada. É o drama em sua essência, com direito a mensagem de moral característica da Disney. A forma como todos esses elementos serão administrados e oferecidos como obra é que fazem toda a diferença.  O equilíbrio entre todos os ingredientes que fazem de O Rei Leão uma das grandes animações de todos os tempos.

Permeando o desenvolvimento do drama, há os inspirados números musicais. Desde a belíssima abertura, até a performance com os personagens, é cativante cada inserção da trilha, sendo ela cantada (por Elton John e escrita por Tim Rice) ou apenas incidental (composta por Hans Zimmer) para dar o tom às cenas, como em todo melodrama que preze. Não à toa, foi vencedor de dois Oscars: melhor trilha sonora original e melhor canção. A dublagem em português, excelente, continua a mesma.

A conversão para 3D, dado pelo estúdio como principal atrativo e justificativa para o relançamento de O Rei Leão, é desastrosa. Há poucos momentos em que se realmente pode admirar o efeito, geralmente nos planos mais abertos. Em determinados momentos, os personagens chegam a ponto de ficarem deformados, como se partes de seus rostos fossem partes de quebra-cabeças mal encaixados. É uma pena, pois desfavorece a apreciação dos belíssimos traços da animação.

É triste – mas certo – afirmar que uma das maiores animações de todos os tempos tenha sido prejudicada por uma conversão em 3D desrespeitosa, que não justifica em nenhum momento tal feito. Em compensação, é de encher os olhos poder (re)assistir a jornada de Simba rumo ao seu caminho no ciclo da vida, em cópias tinindo de tão bonitas, com a versão original do filme e som em alto nível de qualidade. Não é como o filme deveria ser apreciado, mas é uma opção para quem nunca assistiu a um dos grandes exemplares de animação da Disney no cinema.

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The Lion King 3D (EUA, 1994/2011). Animação. Walt Disney Pictures
Direção: Roger Allers e Rob Minkoff
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Animações, Críticas