CRÍTICA: O Reino Proibido

Ação
// 02/09/2008


A tão sonhada união de Jet Li e Jackie Chan finalmente rolou. A super-produção O Reino Proibido, que estreou nos EUA desde abril, só chegou nesta última sexta-feira no Brasil. Mas valeu a pena a união? Confira a crítica agora!

O Reino Proibido
por Arthur Melo

Os dois maiores astros dos filmes de pancadaria, Jackie Chan e Jet Li, demoraram, mas se encontraram. Numa união que há muito já é cobrada pelos fãs, os dois demonstram boa forma e vontade, apesar do filme não acompanhar o mesmo ritmo. O Reino Proibido é a primeira produção de porte dos dois atores que, apesar do visual tentar enganar, é evidentemente falha.

Com uma história fraca, mesmo que divertida às vezes, Chan e Li ao menos satisfazem a vontade dos que estavam ávidos para os ver em ação juntos. A trama permitiu que os mestres em artes-marciais se digladiassem no punho, proporcionando uma ótima apresentação coreografada, e se aliem, formando uma expectativa crescente de que o número de oponentes da dupla se multiplique como baratas, só para aumentar o show.

Dessa vez contando com a colaboração de efeitos visuais bem ao estilo americano (basicamente luzes, cabos de aço e tufões) e uma direção de arte exemplar, os protagonistas apenas deram mais um exemplo de que, no tipo de cinema que estão acostumados a fazer, tudo só se resolve na violência devido à falta de argumentação. O contexto é dos mais dignos possíveis de “Sessão da Tarde”. Jason, um jovem sem jeito com garotas e massacrado pelos outros rapazes, é transportado para o passado através de um “portal sem portal” após escapar de um assalto a uma loja do qual foi obrigado a participar. No tempo remoto onde agora se encontra, Jason descobre ser o escolhido para devolver o bastão do Imperador Macaco ao próprio, que fora petrificado numa batalha, após perder o instrumento; desta forma, restabeleceria a paz no Reino Médio.

O pior, talvez, não seja a facilidade extrema de se assimilar a história, e sim a completa e absoluta previsibilidade dela e a falta de identidade da mesma. O gosto exacerbado de Jason pelo Kung-Fu é de conhecimento geral não por uma apresentação do personagem em si, mas do que é relacionado a ele; seja pelos pôsteres do Bruce Lee no seu quarto, pela amizade com o dono da locadora de DVD’s do gênero ou simplesmente porque ele diz gostar. Mas em momento algum da introdução da trama vemos o garoto procurando alcançar sozinho o objetivo de se igualar aos ídolos. Até sua falta de tato com o sexo oposto é só uma insinuação. A linha argumentativa do filme é tão curta que é possível, desde o primeiro minuto de projeção, identificar o que acontece no clímax, como acontece e ainda o que vem depois, o que faria de qualquer “spoiler” aqui presente deixar de ser “spoiler” – mas eles não serão citados.

A salvação da película ficou com Michael Angarano. O jovem iniciante, sendo seu trabalho mais conhecido o desconhecido Super Escola de Heróis, não se deixou ofuscar por Jackie e Jet. O rapaz conseguiu ser espontâneo e trazer comicidade, gerando risos nos momentos de dor física e carisma no tocante à personalidade de Jason Tripitikas, gerando uma maior torcida para o que demonstrou ser (como se não fosse mais um dos planos previstos) o herói.

Não que os fracassos do filme invalidem a capacidade de divertir, mas ainda fica aquela sensação de que poderia ter sido melhor, caso não tentassem unir a fantasia com a ação. E ainda que alguns defendam que há dificuldades por estes serem estilos completamente diferentes, não esqueçamos da união feita a princípio – esta sim foi complicada.

The Forbidden Kingdom (EUA, 2008). Ação. Fantasia. Imagem Filmes.
Direção: Rob Minkoff
Elenco: Jet Lee, Jackie Chan, Michael Angarano

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