CRÍTICA: O Segredo dos Seus Olhos

Críticas
// 26/02/2010

Mais um indicado ao Oscar, dessa vez de Melhor Filme Estrangeiro, estreia nessa sexta-feira: o argentino O Segredo dos Seus Olhos, um dos mais apreciados longas do último Festival do Rio. A crítica do belíssimo longa você lê clicando em “Ver Completo”

O Segredo dos Seus Olhos
por Janaína Pereiracolaboradora

Fazer um bom filme, de qualquer gênero, é algo difícil. Reunir, na mesma produção, comédia, romance e suspense e conseguir um resultado perfeito parece praticamente impossível. Para cineastas comuns, talvez. Para o talentoso Juan José Campanella, não. O argentino retoma a parceria com o ator Ricardo Darín – trabalharam em O Filho da Noiva, O Mesmo Amor, A Mesma Chuva e Clube da Lua – para fazer o singular O Segredo dos Seus Olhos.

A trama é bem simples: o oficial de justiça recém aposentado Benjamín (Darín) começa a escrever um romance policial sobre um caso que ele mesmo investigou em 1974. Ao revisitar o passado pelas palavras e pela memória, ele questiona o resultados das investigações e a forma como conduziu sua vida até então. Entre idas e vindas no tempo, descobrimos como foi o crime e o que ele causou aos envolvidos, além de desvendarmos que as decisões passadas ainda podem ser fatais no presente.

O roteiro, baseado em uma novela do mesmo nome e adaptado pelo próprio diretor, tem todos os elementos que enriquecem qualquer história, mas que nem sempre são usados da melhor forma. Aqui, no entanto, tudo funciona muito bem: pitadas sutis de comédia e romance com toques de suspense policial intenso, culminando com momentos sufocantes até chegar em seu final com uma apoteose digna de filmes de Hitchcock.

Para um roteiro tão bom, o elenco só podia ser brilhante. Falar que Ricardo Darín dá um espetáculo em cena é cair no lugar comum: o ator brilha com um olhar carregado de paixão e veracidade, mostrando-se grandioso a cada cena. Soledad Villamil involui claramente nos tempos distintos da trama, amadurecendo com a personagem. Ela é cativante, mas contida, como a Irene do passado, e direta e sensível como a Irene do presente. Porém, o destaque extremo fica por conta de Guillermo Francella, que interpreta Sandoval, melhor amigo de Benjamín. Ponto cômico do longa, ele consegue ir do riso às lágrimas com rara desenvoltura.

Vale ressaltar a trilha sonora que pontua bem a história, indo do romance ao drama, e passando pelo suspense,sem perder o ritmo; a fotografia ímpar – reparem na cena em que Irene e Benjamín se despedem na estação de trem -, a maquiagem que transforma os atores na passagem de 25 anos da trama e a direção segura de Campanella, com enquadramentos de câmera e planos sequênciais belíssimos (destaque para as cenas no jogo de futebol do Racing), além do ótimo trabalho com seus atores.

O segredo dos seus olhos é tenso e intenso, e embora transite por vários gêneros, no final das contas é uma grande história sobre o poder da paixão em nossas vidas. Para ver, rever e aplaudir de pé.


El Segredo de Sus Ojos
(Argentina, 2009). Drama
Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago.

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Críticas, Drama