CRÍTICA: O Sequestro do Metrô

Ação
// 02/09/2009


Há filmes que, talvez por uma campanha de marketing fraca ou por não apresentar uma sinopse muito atraente, acabam não tendo um destino muito emocionante nas bilheterias. Felizmente, alguns deles reservam boas surpresas para quem estava despreparado para uma história interessante. É o caso de O Sequestro do Metrô (The Taking of Pelham 123), que estreia na próxima sexta-feira, com John Travolta e Denzel Washington.

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O Sequestro do Metrô
por Cássia Ferreira

Todo americano que se preza sonha com uma hipoteca, um Volvo e um atentado terrorista para chamar de seu. Piadas infames à parte, O Sequestro do Metrô (The Taking of Pelham 123), que estreia no próximo dia 4 de setembro, tem como mote central a negociação para libertação do metrô que saiu da estação de Pelham à 1h23 (por isso o nome original do longa; fazer referência aos números). O filme é uma reedição de outro gravado na década de 70 e que tinha no elenco nomes como Walter Matthau e Robert Shaw.

O diretor Tony Scott (de Chamas da Vingança e Deja Vu) é quem comanda o duelo psicológico entre o operador do metrô Walter Garber (Denzel Washington) e o sequestrador Ryder (John Travolta). Garber, que foi rebaixado do seu posto de vice-superintendente do metrô de Nova Iorque por suspeita de fraudes, é obrigado a controlar o tráfego, quando acaba surpreendido pelo sequestro do metrô. Por exigência de Ryder, ele comanda as negociações.

Ao longo de todo o filme o que temos são imagens de uma Nova Iorque que não para, a despeito de todas as suas máculas. A velocidade com que as imagens são mostradas fazem uma referência ao pouco tempo que a prefeitura tem para conseguir os U$ 10 milhões (exigência do sequestrador) para libertar os 19 reféns. Com orçamento na casa dos U$ 100 milhões, o filme tem boa parte da ação concentrada na sala de operação e no próprio metrô. Apesar da falta de grandes alternativas, o diretor consegue prender a atenção do espectador com o duelo psicológico entre os dois personagens. Um grande jogo de gato e rato.

Veteranos e tarimbados, Travolta e Washington não deixam a desejar na condução do filme e do suspense. As informações sobre os personagens são passadas de forma gradual, o que garante um pouco mais de atenção do espectador e aquela sensação de “onde é que isso vai parar?”. A internet aparece como uma aliada de mocinhos e bandidos e também permite que a situação seja acompanhada, por ambos os lados, em tempo real.

Considerando o momento atual dos Estados Unidos, com a eleição do seu primeiro presidente negro, que assumiu diante de uma crise econômica próxima de mudar certos paradigmas do sistema, o filme não deixa de estar próximo dessa situação. O que motiva o sequestro do metrô é um ligeiro descontentamento de Ryder com Wall Street (ou seria o sistema financeiro?). E quem é escolhido para resolver esse grande pepino? O operador negro. Qualquer referência ao atual presidente que veio para tirar os EUA do buraco pode ter sido apenas “mera coincidência”?

Nova Iorque representa na verdade o sonho e o desejo de muitas pessoas. Ícone de um estilo de vida amplamente difundido e almejado, é também alvo da fúria daqueles que não conseguem se integrar a esse sistema, ou ainda que fizeram parte, mas que são excluídos por qualquer razão. Talvez seja esse o motivo da vulnerabilidade da cidade. E essa também não é a primeira vez que Denzel Washington é obrigado a se virar para salvar Nova Iorque. Pouco antes dos atentados de 11 de setembro, o ator estrelou, ao lado de Bruce Willis, Nova Iorque Sitiada.

O roteiro de Brian Helgeland apresenta saídas interessantes para uma situação aparentemente sem, mas não deixa de estar preenchido por clichês que povoam filmes envolvendo policiais e tensão, como as longas perseguições de carros e algumas situações que nos fazem ter certeza de que a Lei de Murphy nunca falha mesmo, principalmente quando estamos em situação extrema.

No elenco ainda se fazem presentes John Turturro (Transformers e Janela Secreta) como Camonetti – que não compromete como o negociador da polícia – e James Gandolfinil, de Os Sopranos, que garante passagens ligeiramente engraçadas como o prefeito atrapalhado, relapso, meio de saco cheio e ainda obrigado a legislar sob a sombra de Rudolf Giulianni – aquele que reduziu drasticamente os índices de violência da cidade.

O Sequestro do Metrô não deixa a desejar no que se propõe a ser: ação e entretenimento lançado no verão americano. Se o espectador for em busca de adrenalina e um pouco de tensão psicológica, vai sair satisfeito.

nota-8The Taking of Pelham 123 (EUA, 2009). Ação. Suspense. Policial. Sony Pictures.
Direção: Tony Scott
Elenco: John Travolta, Denzel Washington, John Turturro.

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Categorias
Ação, Críticas, Suspense