CRÍTICA: O Turista

Ação
// 22/01/2011

Ninguém mais se surpreende quando estreia um longa de espionagem com Angelina Jolie. Mas, apesar de ser uma reunião de clichês, O Turista se destaca por ser bem executado e ter algumas surpresas. Será que isso foi o bastante para justificar as três indicações ao Globo de Ouro?

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O Turista
por Gabriel Giraud

Johnny Depp e Angelina Jolie. O antigalã mais sexy do mundo e a mulher-problema mais sexy do mundo. Juntos. Pena que falta química. O Turista, no entanto, levou uma indicação ao Globo de Ouro para a atuação de Depp e outra pela de Jolie. É verdade que eles em cena parecem não atuar – eles funcionam mais como o exercício do ícone do astro cinematográfico. E esse exercício não poderia ser tão prazeroso quanto dentro do roteiro de O Turista.

A trama parece um clássico de novelas de espionagem. Elise (Jolie) é uma misteriosa e sedutora inglesa que está envolvida com um procurado da Scotland Yard, Alexander Pearce. Seguindo regras desse também misterioso homem, ela busca um homem qualquer que tenha a mesma fisionomia para despistar a polícia. E o felizardo é o turista americano Frank Tupelo (Depp). Obviamente, Frank se apaixona perdidamente por Elise. No entanto, os gângsteres inimigos de Alexander começam a persegui-lo e daí o filme vira uma trama policial digna de um filme noir.

Aliás, tanto a estética quanto a trama lembram muito os filmes noirs. Com o detetive John Acheson (coadjuvante, mas muito bem interpretado por Paul Bettany) que tenta resolver os nós que vão sendo amarrados na história; a femme fatale (que se descobre não ser tão fatale assim); e sequências de ação com perseguições de barco nos canais de uma Veneza magnífica, sentimos uma nostalgia em relação aos filmes de espionagem do Cinema Clássico europeu e, posteriormente, americano.

O filme não é surpreendente nem original – na verdade, é um remake da película francesa Anthony Zimmer (2005), com a bela Sophie Marceau no papel de Chiara, a primeira Elise. Sem originalidade e por ser um remake, há de se perguntar o porquê dessa superprodução. Na verdade, o roteiro abriga muitas reviravoltas e surpresas – mas alguns diriam que a presença de surpresas no final virou clichê.

Polêmicas à parte, voltemos às belas locações e ao primoroso trabalho da arte do filme. Quem for um(a) fetichista de barcos, viagens, hotéis de luxo, joias, vestidos e/ou Angelina Jolie não sairá triste do filme. Fetiches à parte, é um luxo exagerado. Há várias entradas triunfais de Elise onde todos se viram para ela. Li em algum lugar que parecia propaganda de perfume. Consenti. Bem, consentimentos à parte, há uma incrível produção de arte, figurino e maquiagem. (Muitos lamentarão que a superprodução se restrinja a Jolie, não incluindo o personagem de Depp, mas deixemos mais uma vez esses comentários à parte).

Seguindo a atmosfera clássica/noir, a trilha musical não poderia ficar de fora, certo? Quase. Nada mais coerente do que o uso daquela trilha de filmes de espionagem que nos diz o momento em que devemos sentir medo ou quando o clima é de romance. Isso acontece. Mas os créditos finais rompem com Starlight, aquele rockzinho da banda Muse. Ficou incompatível. Mas agrega valor, assim como a própria presença de Depp e Jolie no longa.

É uma releitura noir para os grandes públicos, com um quê feminino. Na busca da sua fuga e no encontro do seu amor, Angelina Jolie nunca perde a pose e sempre pronuncia suas falas de modo aveludado, como uma diva do cinema. Sim, isso é um clichê. Sim, há vários clichês. Mas fazia tempo que um filme tão bem feito com esses clichês estéticos áureos não rodava nos cinemas. Vale pela nostalgia das películas antigas. Definitivamente, é essa a grande surpresa do filme.

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O Turista (USA, 2010). Ação. Columbia Pictures.
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
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Ação, Críticas