CRÍTICA: O Vencedor

Críticas
// 03/02/2011

Estreia neste fim de semana um dos protagonistas do Oscar 2011: O Vencedor. Com sete indicações e um elenco forte (destaque para o coadjuvante Christian Bale), a produção possivelmente levará algumas dessas estatuetas. O reconhecimento da Academia a esta obra é reflexo de sua qualidade.

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O Vencedor
por Henrique Marino

A princípio, O Vencedor poderia ser mais uma história sobre boxe contando a trajetória de um lutador que trilha seu árduo caminho em busca de algum título. Mas Scott Silver, Paul Temasy e Eric Johnson, os roteiristas, fogem deste reducionismo barato e conquistam espaço entre os grandes filmes de boxe, tais como Rocky, Touro Indomável e Menina de Ouro. O seu roteiro propõe outra abordagem sobre o tema.

Micky Ward (Mark Wahlberg) é um pugilista no início de sua carreira. Embora sua paixão por boxe seja forte, uma sequência de fatores o atrapalha: seguidas derrotas, seu treinador e irmão viciado em drogas Dicky (Christian Bale), sua família desestruturada e o atrito entre esta e sua recém namorada Charlene (Amy Adams). Sua luta é, antes dos combates no ringue, contra esses problemas. Ao contrário do resultado pesado esperado, há um trabalho forte de toda a equipe para que o filme não acabasse num dramalhão sobre esporte.

A direção de David O. Russell se mostra muito inteligente por saber lidar com as tensões desta história. O diretor impõe um ritmo rápido ao filme, tornando o resultado uma mistura de sentimentos. Melancolia, comédia, orgulho, humilhação, conflitos íntimos e interpessoais, lutas, indignação… Tudo isso correndo de maneira alucinante, mas sem atropelamentos, para apreciação do espectador. O. Russell cria um trabalho acessível ao público sem esquecer a profundidade de suas personagens e da história que filmava.

Christian Bale, interpretando um personagem expansivo e carismático, conquista a graça do espectador; os maneirismos próprios de um moleque de rua cooperam para que sua interpretação seja ainda mais fascinante. Contudo, é a sensibilidade que Bale tem para balancear este lado extrovertido de Dicky com seu lado mais íntimo um dos maiores trunfos interpretativos do ator. Assim, Christian Bale acrescenta mais uma grande interpretação para a sua carreira, que já vem se mostrando bastante rica.

Melissa Leo, após ser indicada pelo ótimo trabalho em Rio Congelado, volta a este longa ainda mais forte como Alice Ward, a mãe de Micky e Dicky, além de várias filhas, que também colaboram para o tom cômico de realidade. Alice é a matriarca dessa família vulgar e age como empresária de seus dois filhos; sua personalidade forte a põe no centro das atenções em várias cenas. Leo interpreta esta personagem com tamanha entrega que faz dela a preferida ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, tal como Christian Bale na mesma categoria masculina.

Amy Adams não atua melhor do que já o fez em outros longas. Sua interpretação ainda está presa a um estilo próprio. Apesar disso, Adams é  atriz capaz de adaptar o seu estilo comovente a papéis bem diferentes, como é possível notar nos seus trabalhos em A Dúvida e agora em O Vencedor. Aqui, ela faz par romântico com Wahlberg e, mais que isso, se dispõe a ajudá-lo na sua carreira como boxeador.

Em meio a este turbilhão de personagens poderosos, está Micky. Um alguém sufocado pelo atrito entre o orgulho e os demais personagens. Retraído, Micky sofre calado e passivo enquanto vê sua família, seu relacionamento e sua carreira ruírem. Mark Wahlberg interpreta bem seu personagem, mas a fraqueza de Micky deixa que os demais personagens e seus atores protagonizem essa história.

Com um elenco premiado, esta direção competente e seu roteiro bem construído, O Vencedor faz valer todas as suas indicações ao Oscar ao contar a reconciliação e superação de uma família profundamente humana.

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The Fighter (EUA, 2010). Drama. Universal Pictures.
Direção: David O. Russell
Elenco: Christian Bale, Mark Walbergh, Amy Adams, Melissa Leo
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Críticas, Drama