CRÍTICA | Oblivion

Ação
// 11/04/2013

Tom Cruise interpreta um herói futurista em um novo épico da ficção científica que costura elementos de vários dos principais filmes do gênero nas últimas décadas para construir uma trama quase envolvente de apresentação visual impecável. Embora as verdadeiras surpresas do longa estejam em algumas escolhas curiosas entre as muitas citações, Oblivion tem cara e porte de blockbuster.

Oblivion
Por Gabriel Costa

O diretor de Oblivion é Joseph Kosinski, de Tron: O Legado, e o roteiro é baseado em uma graphic novel (nome elegante para revista em quadrinhos) de autoria do próprio, mas, ao longo das duas horas de exibição, nem por um segundo fica a dúvida: trata-se de um típico “filme de Tom Cruise”, dessa vez com molho de ficção científica contemporânea. Chega a ser curioso como, sem nunca assumir a direção, o astro consegue imprimir um tom altamente homogêneo na maioria das produções de que participa – com algumas honrosas exceções, como Colateral e Magnólia. Kosinski, por outro lado, não chega a demonstrar muito de uma voz própria, e o resultado final, ainda que longe de intragável, parece um tanto derivativo.

O ano é 2070 e, após uma devastadora guerra contra os uma raça de misteriosos alienígenas parasíticos que buscam um novo mundo após terem esgotado os recursos de seu próprio – como os de Independence Day –, o que sobrou da raça humana deu início ao processo de migração para Titã, uma das luas de Saturno, e já está a bordo do Tet, uma colossal nave/estação espacial. Cruise é Jack Harper (até o nome soa familiar, não?), um dos últimos dois representantes da humanidade ainda no planeta, e, junto com a colega – e amante – Victoria (Andrea Risenborough) tem a responsabilidade de manter a integridade de gigantescas estruturas que extraem energia da única fonte remanescente: a água dos oceanos. Para isso, Jack precisa fazer a manutenção dos drones, compactos e poderosos robôs voadores que patrulham a Terra devastada para eliminar os Scavs, como os aliens são conhecidos, que ainda sobrevivem.

Jack é um saudosista de uma época que nunca viveu, fascinado pelos costumes e objetos do tempo anterior à invasão, enquanto Victoria mal pode esperar pela iminente conclusão da missão para partir rumo a Titã. Apesar dos pontos de vista diferentes, não falta ternura na relação de ambos, ainda que Jack guarde alguns segredos – entre eles os sonhos recorrentes que envolvem uma misteriosa figura feminina (Olga Kurylenko). As cada vez mais aparentes inconsistências entre o que ele encontra em suas expedições por impressionantes paisagens – que lembram as de Prometheus – e o que é dito pelo comando da missão no Tet culminam em encontro não muito amistoso com um grupo clandestino de humanos sobreviventes, vestidos como um misto dos habitantes de Zion na trilogia Matrix com os rebeldes pós-apocalípticos de Mad Max, com um toque das máscaras e dreads do Predador. Fica claro então que, na verdade, a situação do protagonista é ainda mais desoladora do que se pensava – de uma forma bastante semelhante ao que acontece no excelente Lunar, de 2009.

Entre o habitual charme rebelde de Cruise, o caráter messiânico pop a la Morpheus de Morgan Freeman e a performance adequada de Kurylenko, quem obtém um destaque sutil no elenco é Risenborough, como a doce e idiossincrática Victoria. Mas o grande trunfo da obra é o visual impressionante, das locações naturais filmadas na Islândia aos cenários desérticos da América devastada, passando pelo Tet e as máquinas que sugam as águas oceânicas. Vale mencionar ainda a memorável base de operações e lar de Jack e Victoria, acima das nuvens e com direito a piscina panorâmica. Como é característico da boa ficção científica, o filme toca questões éticas e até filosóficas, ainda que boa parte disso se perca em meio aos dilemas românticos de Jack. Sobra a aventura. E as referências.

 

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Oblivion (EUA, 2013) Ficção Científica/Aventura. Universal Pictures
Direção: Joseph Kosinski
Elenco: Tom Cruise, Olga Kurylenko, Andrea Risenborough, Morgan Freeman

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