CRÍTICA: Onde Vivem os Monstros

Aventura
// 14/01/2010

Depois de meses de atraso que quase enconstaram com o lançamento em DVD norte-americano, Onde Vivem os Monstros,  novo mergulho de Spike Jonze, chega às telonas brasileiras. Mas, ao contrário do que parece pelas suas imagens, não é um para criança. E sim sobre uma. Fácil e amarrado ao mesmo tempo, o longa pode dar um nó na cabeça de alguns ou, apenas, satisfazer quem já espera por aquilo que o filme realmente é.

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Onde Vivem os Monstros
por Eliézer Carneiro

Onde Vivem Os Monstros não é um filme complicado. Aliás, é bem simples. A historia é simples, a linguagem é simples e até a metáfora por trás da aventura do menino é bem simples de se entender.  Complicado é falar sobre o filme.  Como falar de um longa que é estrelado por uma criança, todas as situações se passam em torno dela e, ao mesmo tempo, não é uma produção feita para as crianças? Ao mesmo tempo em que o brilhante trabalho do diretor Spike Jonze se utiliza da subjetividade para construir esse mundo mágico na cabeça de um menino de 9 anos, essa mesma subjetividade é que permite o julgamento do espectador  depois de ter tido sua própria experiência com a obra.

A premissa é facilmente assimilável: Max é um menino solitário e que costuma brincar sozinho, tem muita imaginação e sente necessidade de chamar a atenção de todos  para ele. Depois de uma briga com a mãe, o garoto resolve fugir de casa e vai parar na terra dos monstros. Fazendo uma breve sinopse, o filme parece não ter nada demais. É uma história sobre uma infância problemática como tantas outras. Mas a genialidade não está no enredo, pois as tramas são sempre as mesmas e o que a torna realmente grande é a forma como ela é contada.

Logo no início, Max brinca na neve dentro de um “forte de gelo” que construiu para si mesmo. Aparentemente desproposital, a abertura é interessante por denotar a imagem de fortaleza que retornará várias vezes ao longo. Um começo que funciona muito mais do que uma introdução, pois, além de apresentar o personagem, insinua as situações e questões que vão se repetir no mundo dos monstros.

É louvável a forma como Spike Jonze mostra a passagem entre os mundos. A travessia entre os universos se dá como se tudo fizesse parte de um mesmo plano, sem tratar o mundo do Max como real e o dos monstros como fantasioso. Ao contrário, Jonze busca uma forma de demonstrar que os dois lugares existem, são igualmente reais e, ainda que estabelecendo relações entre si, são próprios e independentes. Por mais que a subjetividade do filme aponte para o fato de que aquele mundo se passa na cabeça do menino e que os monstros são personificações de diversas personalidades de Max, algumas cenas (como na chegada e na partida de Max) provam que aquele espaço realmente existe e que se torna real na medida em que embarcamos em sua história e fantasia de Max. Os monstros tem as mesmas questões e desejos de Max. Suas tristezas que os permeiam é focada como algo forte, assim como a solidão, predileção, ou o fato de Max se tornar seu legítimo rei. Situações estas que envolvem a vida infantil e são bem tratadas pelo roteiro.

Se por um lado a direção faz uma produção caótica e a afasta do público alvo do estúdio (desde as primeiras sessões de teste as crianças odiaram o filme), ele se mostra um mestre na arte de conduzir o problemático menino e desvendar o que se passa onde vivem os monstros, pois, para ele, esse assunto não é novidade. Depois das bem sucedidas experiências em Quero ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2003), Spike Jonze pode se dizer um mestre em mergulhar na mente humana. A direção de arte é muito bonita, tanto na criação dos monstros (que realmente parecem ter vida) quanto nos cenários belos e diferentes. A trilha sonora , que ficou a cargo da Karen O (vocalista da banda “Yeah Yeah Yeahs”), traz o clima de sonho, tristeza e perigo que o longa tanto necessita.

Tendo já comentado tais características, ainda há quem pergunte: “E ai, o filme é bom?”. E eis a questão a ser levantada. Para muitos, a experiência de visitar junto a Max a terra onde vivem os monstros pode ser agradável. Para outros, pode ser um jornada terrível e monótona ou, ainda, o espectador talvez alterne entre bons e maus momentos. O mesmo Jonze que mergulha fundo na mente do personagem não se garante como um diretor de grandes histórias, e sim alguém que constrói bons momentos de clímax. E Onde Vivem os Monstros é um ambiente onde a subjetividade pode fazer a platéia sair do cinema satisfeita ou apenas imaginando o quanto perdeu do seu tempo. Só mergulhando na aventura é que cada um vai descobrir.

Where The Wild Things Are (EUA, 2009). Aventura. Fantasia. Warner Bros. Pictures
Direção: Spike Jonze.
Elenco: Catherine Keener, Angus Sampson

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Categorias
Aventura, Críticas, Fantasia