CRÍTICA: Orquestra dos Meninos

Críticas
// 06/11/2008


Orquestra dos Meninos estréia amanhã em todo o Brasil. Confira a crítica completa!

Orquestra dos Meninos
por Marcello Morgan

Orquestra dos Meninos, de Paulo Thiago, é um longa baseado na história de Mozart, maestro e músico Pernambucano que foi muito comentado há mais ou menos dez anos e hoje é professor de música no exterior. O drama tem um ótimo estudo de características nordestinas, fugindo da imagem que a maioria dos cineastas têm da região. O próprio diretor comentou que não queria fazer uma idealização do nordestino, sempre filmando a realidade e não querendo uma fotografia planejada que mostrasse o que o nordeste não é, assim como feito em 2 Filhos de Francisco. A história não chega a ser tão comovente quanto na realidade, apesar de momentos que deixam claro o sofrimento de alguns personagens.

Tudo gira em torno do sonho do personagem de Murilo Rosa, Mozart: montar uma orquestra juvenil em sua cidade já que, desde pequeno, queria ser maestro e participava da banda do seu falecido avô. Nesta empreitada, Mozart e os jovens da orquestra passam por vários momentos difíceis durante a história e, para não escapar do clichê– apesar de ter sido verdade –, professor e aluna se apaixonam após alguns meses de aula. A partir daí podemos ver um pouco mais de Priscila Fantin, que aparece boa parte do filme sem muita importância.

No longa, nenhum dos integrantes da orquestra realmente tocou qualquer instrumento. Mesmo que algumas vezes pareça ser real, não se engane; nem mesmo quando estão conhecendo os instrumentos, errando as notas, são os garotos. Isso, de acordo com o diretor, foi uma dificuldade para os verdadeiros instrumentistas profissionais que já não sabem mais errar. Mas, ainda que seja um filme de uma orquestra, o que faltou no longa foram as músicas. Sim, há música, mas a trilha somente é composta por melodias que já ouvimos durante as apresentações do grupo juvenil, desencontrando com o que previamente foi sentido no início da projeção. Logo no começo temos um trecho maravilhoso da composição sonora, quando Mozart, aos 13 anos, está brincando de ser maestro e diz ao seu amigo, Humberto, para escutar os sons da natureza. Ouve-se o incrível som que a natureza produz, mesmo que cada um destes tenha sido gravado separadamente e depois, numa montagem, tenham sido unificados. Já num momento romântico entre Mozart e Creusa, a trilha mais uma vez se encaixa perfeitamente enquanto um jovem ensaia algo ao fundo do beijo do mestre e da discípula.

As atuações dos jovens músicos não são das melhores, mas, para papéis de menor destaque, eles se saem bem. O jovem Artur Costa, apesar de ter uma maior participação entre os atores juvenis, interpretando Erinaldo, um menino de 13 anos desnutrido que acaba sendo seqüestrado e maltratado para denunciar o maestro de pedofilia, não convence com uma atuação mediana que estraga o drama que deveria existir em algumas cenas.

No que diz respeito à câmera e aos efeitos gráficos, que só são realizados no menu de títulos e nos créditos, a qualidade não é alta, mas ainda assim aceitável, principalmente no começo do longa, quando uma tela vermelha ocupa nossa visão com uma linha branca que conforme se movimenta, desenha os instrumentos que serão usados pelos atores no decorrer do filme, ao passo que seus nomes vão aparecendo. Para quem não está acostumado com câmeras bem movimentadas, embora não cheguem a ser uma câmera nervosa, se prepare para achar que está mais penetrado no filme do que gostaria, porque os movimentos dão uma impressão de estar andando com os personagens.

Ao percorrer do filme, podemos notar que o dialeto pernambucano foi bem estudado pelos protagonistas Murilo e Priscila. Entretanto, é possível notar alguns exageros. Ambos atuam bem em seus papéis, mas sem grande sucesso por parecem estar trabalhando para a novela das seis.

O efeito de Orquestra dos Meninos não é uma obra de arte cinematográfica, mas para os amantes de filmes nacionais valerá a pena por seus momentos melodramáticos e românticos, mesmo pecando com clichês e usando do star system para conseguir público. Orquestra passa longe de produções nacionais que se destacaram nas bilheterias, sem grandes chances de aproximação. É bom ter ciência, ates de adentrar a sala, de que se forem o desejo de levantar da cadeira irá pairar; a monotonia toma conta.

Orquestra dos Meninos (Brasil, 2007). Drama. Globo Filmes.
Direção: Paulo Thiago
Elenco: Murilo Rosa, Priscila Fantin

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