CRÍTICA: Os Estranhos

Críticas
// 21/11/2008

Se uma deslumbrante Liv Tyler não é razão suficiente para levá-lo(a) ao cinema, saiba de antemão que Os Estranhos, que estréia essa sexta-feira em todo o Brasil, é decididamente uma boa pedida aos cinéfilos de plantão.


Os Estranhos
por Matusael Ramos

Inspirado em fatos supostamente reais, o filme de estréia do diretor e roteirista Bryan Bertino deixa claro, a começar pelo prólogo – onde nos é apresentada uma alarmante estatística sobre o número de crimes violentos cometidos em território americano – que a trama não necessariamente terá um final convencional.

A premissa é simples, mas o resultado é bastante eficiente: um jovem casal, após uma festa de casamento, volta para a casa e é surpreendido, no meio da noite, por três inusitados personagens mascarados que não medem esforços em aterrorizá-los.

O segredo está no ritmo adotado por Bertino, que conduz a primeira metade da trama focado na delicada relação do casal, quando a chorosa Kristie (Liv Tyler) nega o pedido de noivado de James (Scott Speedman). Contado quase que em tempo real, o filme ganha contornos de fato sombrios quando, às quatro da manhã, uma jovem bate à porta do casal perguntando por alguém de nome ‘Tamara’. Surpresos, eles alegam tratar-se de um engano e a garota vai embora.

James resolve então sair para espairecer e acaba por deixar a vulnerável Kristie sozinha: eis que novamente alguém bate à porta. Então, pela primeira vez, após toda sorte de ruídos assustadores, Kristie vislumbra pela janela uma das figuras mascaradas responsáveis pelo que serão os piores momentos de sua vida – e de James, que não demora a surgir e partilhar de sua angústia. Em se tratando de uma isolada casa de veraneio, não há grandes chances de ajuda ou escapatória.

Como espectadores, dividimos momentos de justo sofrimento com os protagonistas. Tal qual eles, desconhecemos a origem ou a razão que motiva os invasores a tamanha insanidade. Somos inclusive privados de ver seus rostos, ainda que tirem as máscaras na seqüência final. E talvez seja esse jogo de sugestões o ponto de maior controvérsia do filme.

A câmera oscilante, os sinistros hits folk e as atuações um tanto convincentes da dupla contribuem de modo decisivo no resultado do longa. Por outro lado, especula-se que os dizeres ‘inspirado em fatos reais’ sustentados pela produção sejam, na verdade, uma estratégia (muito recorrente nos filmes do gênero, aliás) para atrair público. O roteiro, na verdade, teria se originado de uma experiência de infância do diretor, quando no meio da noite uma garota misteriosa batera a sua porta procurando por uma pessoa qualquer; na manhã seguinte as casas da vizinhança haviam sido depredadas.

Há clichês, como não. Máscaras, moçoilas indefesas e sozinhas, alguns sustos imediatistas… Seja como for, Os Estranhos parece ter agradado bastante aos americanos, alcançando consideráveis 53 milhões de dólares nas bilheterias. E os lucros parecem ter motivado uma desnecessária continuação.

Aquele velho conselho de nossas mães sobre não falar com estranhos talvez nunca tenha sido tão oportuno. E aproveitando a deixa: nunca atenda a porta às quatro da manhã.


The Strangers (EUA, 2008). Suspense. Rogue Pictures.
Direção: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler e  Scott Speedman

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Categorias
Críticas, Suspense, Terror