CRÍTICA | Os Mercenários 2

Ação
// 31/08/2012

Repleto de referências às obras consagradoras dos vários astros de ação que compõem o elenco, Os Mercenários 2 é, assim como seu antecessor, mais a exploração de um conceito que um filme propriamente dito. Porém, nem o roteiro simplista, os diálogos constrangedores e as piadas absurdas conseguem evitar os sorrisos provocados pela simples união de tantos dos nomes mais célebres do gênero fazendo junto o que fazem de melhor: detonar caras maus.

Os Mercenários 2
Por Gabriel Costa 

Diante do turbilhão de remakes, reboots e adaptações que assola a indústria cinematográfica desde meados da década passada, podemos identificar pelo menos um lado positivo: a ambição necessária para a criação de algo novo que se destaque agora leva à realização de projetos antes impensáveis. Foi assim com a franquia iniciada por Onze Homens e um Segredo, foi assim com a série de filmes de super-heróis Marvel que culminou em Vingadores e é assim com Os Mercenários. O projeto capitaneado por Sylvester Stallone já nasceu como a materialização de um sonho pra qualquer fã dos filmes de ação dos anos 1980 e 1990. E parece não pretender alcançar qualquer objetivo além desse.

Sem rodeios, a sequência dirigida por Simon West (do tenebroso Quando um Estranho Chama) lança o espectador direto em uma missão do time liderado por Barney Ross (Stallone) no Nepal, para resgatar um empresário chinês. A equipe, composta pelo braço direito de Ross, Lee Christmas (Jason Statham), o reintegrado Gunnar Jensen (Dolph Lundgren), o especialista em artes marciais Yin Yang (Jet Li, em participação pequena), os peritos em armas pesadas e demolições Hale Caesar e Toll Road (os ex-atletas Terry Crews e Randy Couture, respectivamente), e o novato Billy (Liam Hemsworth, de Jogos Vorazes), exímio atirador de elite, elimina em minutos dezenas de inimigos anônimos, cumpre a missão e, de quebra, efetua o resgate-surpresa de um dos outros grandes nomes do filme.

O descanso após a missão, no entanto, é breve. Após uma celebração durante a qual é revelada parte do passado de Jensen – que na verdade é misturada à própria trajetória real de Lundgren, por opção do também co-roteirista Stallone –, Ross é confrontado por Mr. Church (Bruce Willis). Para reaver o prejuízo provocado pelo grupo de mercenários no primeiro filme, o operativo da CIA exige que uma nova missão seja cumprida: um item não especificado precisa ser recuperado antes que caia nas proverbiais “mãos erradas”. Para se certificar que o objetivo seja alcançado a contento, Church envia a agente Maggie Chan (Yu Nan) com o grupo. A tarefa aparentemente simples sofre uma reviravolta – é claro – com o surgimento do vilão Vilain (sim, isso mesmo), interpretado por Jean-Claude Van Damme, e seu próprio grupo de soldados inescrupulosos, os Sangs, e o grupo de Ross sofre um duro golpe, que torna a missão uma busca pessoal por vingança.

Durante a maior parte do tempo, uma atmosfera jocosa permeia as interações do elenco, e a equipe criativa comete até mesmo a proeza de colocar ninguém menos que o próprio Chuck Norris para contar uma “piada de Chuck Norris”. O efeito colateral dessa abordagem é que os momentos “sérios” perdem muito, se não todo, o impacto. Os questionamentos existenciais de Ross após a morte de um membro da equipe são de uma ingenuidade quase ofensiva, e os flertes da mocinha/action girl Maggie com o protagonista chegam a provocar incredulidade de tão toscos.

Ao som de uma trilha baseada em rock clássico e composições incidentais no estilo da época áurea do estilo, Stallone, Willis e Arnold Schwarzenegger (de volta como o impagável mercenário rival de Ross, Trench) não escondem o ar de brincadeira entre amigos nas cenas em conjunto, muito embora não haja nenhuma química especial entre eles, enquanto Van Damme compõe um antagonista interessante – ainda que irremediavelmente clichê – e é o único que parece um pouco destacado do resto, talvez pela própria posição de antagonista. Aliás, Lundgren, que ocupou essa posição ao longo de boa parte do primeiro filme, curiosamente merece mais destaque no papel mais discreto que desempenha dessa vez, e é responsável por alguns dos melhores momentos cômicos do longa – que não são poucos.

Para contrabalançar, uma dose generosa de violência foi injetada nas sequências de ação e combate. O filme tem o mérito de priorizar feitos reais e bons efeitos em detrimento da atual onipresente computação gráfica, e os resultados são bastante satisfatórios, embora uma coreografia mais elaborada faça falta, especialmente nesse período pós-trilogia Bourne e James Bond de Daniel Craig. Stallone insistiu em realizar ele próprio as cenas de ação e demonstra estar em melhor forma que a maioria de seus colegas, e Statham impressiona nas sequências com facas de Christmas. Van Damme, por outro lado, chega a parecer preguiçoso ao efetuar seus chutes característicos.

Ao final da curta hora e meia de filme, o público tem sua cota de explosões, tiros, socos e frases de efeito mais que preenchida, com referências de sobra – e, possivelmente, enredo de menos. A trama não oferece surpresas que não sejam as aparições de um astro atrás do outro, e, de qualquer forma, quem viu o original de 2010, dirigido pelo próprio Stallone, não deve esperar outra coisa. Filmado na Bulgária, Hong Kong e Nova Orleans, o filme faz breve referências à Guerra Fria e à “balança de poder no mundo”, mas sabiamente para por aí no que tange a comentários políticos. A palavra de ordem aqui é superficialidade. Mas, não há como negar, é uma superficialidade divertidíssima.

The Expendables 2 (EUA, 2012) Ação. Lionsgate
Direção:
Simon West
Elenco:
Sylvester Stallone, Jason Statham, Jean-Claude Van Damme, Bruce Willis, Dolph Lundgren, Arnold Schwarzenegger, Chuck Norris

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Ação, Críticas