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Chega nessa sexta a antecipada estreia de Os Miseráveis. Um dos líderes de indicações ao Oscar com oito, incluindo Melhor Filme, Ator (Hugh Jackman, mais conhecido como Wolverine) e Atriz Coadjuvante (estatueta quase que garantida para uma emocionante Anne Hathaway). Com quase três horas de duração, o espetáculo dos teatros se torna, sem dúvida, um marco para o cinema musical.

 

Os Miseráveis
por Eduardo Mercadante

Muito já foi dito sobre a volta do gênero musical com o sucesso – nem sempre de crítica – de Moulin Rouge, Chicago e até os populares como o juvenil High School Musical e a série Glee. Um filme que, ao mesmo tempo, aproveita e ignora essa corrente é Os Miseráveis. Em vez de usar fórmulas consagradas, ele assume vários riscos e sai vitorioso na maioria.

O filme é uma adaptação do musical que fez sucesso em palcos do mundo todo, por sua vez baseado na obra-prima de Victor Hugo. Centrada na figura de Jean Valjean (Hugh Jackman, irreconhecível para quem o conhece apenas pelas garras de adamantium em X-Men), a história acompanha o desenvolvimento do caráter da personagem enquanto passa de escravo, pagando sua punição por roubar pão para alimentar seu sobrinho faminto, para o prefeito de uma cidade, após roubar a prataria de um padre que o acolhera e assumir outra identidade. Mais do que as aventuras de um criminoso, essa é a narrativa da purificação da alma de um homem através da caridade e do perdão.

Para começar a falar de Les Mis (abreviação comum de Les Misérables, nome original), é necessário citar o elenco. No papel principal, Hugh Jackman finalmente demonstra para o grande público onde reside seu real talento. Como Valjean, além de qualidade vocal, exibe profundidade dramática, sendo responsável por alguns dos momentos mais emocionantes. Entretanto, nenhuma emoção é maior do que a de Anne Hathaway como Fantine. Responsável pela música tão conhecida “I Dreamed a Dream”, ela tem uma atuação perfeitamente falha – em especial, pela opção de expor sua dor pela letra, mais do que apenas cantá-la. Ver uma figura tão frágil desde a primeira cena quebrar ainda mais é desolador. Interpretando a filha de Fantine que Valjean adota, Cosette, estão Isabelle Allen (na infância) e Amanda Seyfried (de Mamma Mia!). Em honestidade, Isabelle está muito mais próxima da pureza da personagem, enquanto Amanda se prende em uma disputa interna pela expressão mais insossa e pela nota mais aguda. No extremo oposto estão Sasha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, como Thénardier e sua mulher, um dos pontos altos do filme, conseguindo inclusive arrancar risadas em meio a tanta tragédia. Além de algumas atuações razoáveis, que sobem no conceito devido à performance vocal, como Eponine (Samantha Barks), Enjolras (Aaron Tveit) e Marius (Eddie Redmayne), está o Inspetor Javert. Na tentativa de não se atrapalhar no canto – depois de passar meses tendo aulas intensivas para esse projeto –, Russel Crowe é um pouco desleixado na atuação, tornando-se ainda mais coadjuvante à trama principal.

A música foi uma questão tão crucial para a obra justamente por ser o maior risco assumido pelo diretor Tom Hooper (vencedor do Oscar por O Discurso do Rei). A história é narrada com canções, havendo pouquíssimas falas normais. Se isso já não bastasse, todas as performances foram gravadas no set. O desafio de cantar ao vivo pode ter sido a derrota de alguns (Crowe), mas se tornou a vitória de outros (Hathaway e Jackman).

Ao longo de quase 160 minutos, Hooper faz uso repetitivo de closes fechados nos atores enquanto faziam seus solos. A impressão é a de estar no teatro, quando todos os holofotes se concentram num ponto e todo o resto some no breu. No âmbito do estilo, é uma escolha muito válida, porém um tanto desagradável para o espectador que se vê cansado dessa repetição de quadros, pontuada sempre por cenas panorâmicas repletas de efeitos visuais, como se vê desde os primeiros segundos.

Uma verdadeira superprodução, Os Miseráveis tem excelência técnica, com figurino e direção de artes maravilhosos e talvez a melhor execução em maquiagem do ano. Com o acréscimo de brilhantes atuações e uma das histórias mais envolventes já escritas, o sucesso já estava garantido. As apostas de Hooper se provaram em grande parte recompensadoras. Longe de ser o melhor musical já feito, ele se torna um divisor de águas no gênero. Justamente pelas apostas de Hooper se provarem em grande parte recompensadoras, pode-se, felizmente, esperar para o futuro mais produções experimentais e mais adaptações extasiantes.

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Les Misérables (Reino Unido, 2012). Musical. Universal Pictures
Direção: Tom Hooper
Elenco: Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russel Crowe, Helena Bonham Carter

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3 respostas para »CRÍTICA | Os Miseráveis»
  1. Espero ansiosa pelo oportunidade de assisti-lo. Li Os miseraveis a muito tempo e desde então sou apaixonada pela historia e o antigo filme. O pouco que vi até agora parece ser muito bom.

  2. É, a melhor definição é a sensação de se estar num teatro, com os demorados closes e cantoria infinita que leva algum tempo para se acostumar…
    Esperava muito mais do filme, ainda que seja uma obra de arte, terminei de assistí-lo com aquele feeling de ‘faltou algo’.
    Anne – mesmo aparecendo pouco – emociona em todas as cenas que aparece. Crowe parece deslocado, meio constragido e Amanda cumpre perfeitamente seu papel, ainda que com pouco espaço na projeção.
    Espero ~fortemente que seja um divisor na “forma” dos musicais pois, ao vivo tudo fica mais emocionante/REAL e a lacuna “fantasiosa” existente no gênero parece finalmente preenchida.

  3. Marcos Paulo says:

    Só descordo de uma coisa dessa critica,é dizer que Russel Crowe é desleixado na atuação não acho,na minha opinião o Russel Crowe rouba a cena toda vez que aparece,ainda não entendo porque não foi indicado pela sua atuação,já que Alan Arkin foi indicado só por xingar os outros.
    fora isso ótima critica.

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