CRÍTICA: Os Muppets

Comédia
// 01/12/2011


Ingênuo, engraçado e criativo. Os Muppets é uma grata surpresa para o final de 2011 e sem dúvida o melhor infantil do ano. Talvez o fator surpresa tenha colaborado, mas isso não tira o encanto dos populares (talvez não na sua época) bonecos da Disney.

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Os Muppets
por Arthur Melo

Crianças são, dentre tantos atributos, fáceis de serem convencidas. Poucos argumentos são necessários e às vezes a lógica nem é a questão mais importante. Fato esse que explica o desapontamento dos já crescidos ao revisitarem alguns ícones que os divertiam no passado. O cérebro infantil é, antes de mais nada, uma esponja: quase toda informação nova é absorvida de imediato e eventuais alegorias só aceleram o processo. Os Muppets é um perfeito apontamento de que há conhecimento dessa tese, pois se aproveita de características próprias dos espectadores muito jovens para passar uma mensagem positiva. Uma tática que causa graça por ser efetiva no público a que se destina e ainda diverte adultos que assistem não só àquilo que funcionava consigo mesmos anos atrás, mas também à constatação de que o mecanismo ainda tem resultado nos pequenos.

Na história, Walter, fã dos Muppets, viaja para Los Angeles com o seu irmão Gary (Jason Segel) e a noiva deste, Mary (Amy Adams), para conhecerem o estúdio onde o programa de TV dos bonecos era produzido. Ao chegar lá, os três encontram um local em ruínas prestes a ser destruído por um empresário que pretende extrair o petróleo que se encontra no terreno. Para tentar evitar a destruição do lugar onde vivem os seus sonhos, Walter sai em busca de Kermit (Caco, o sapo) para tentar reunir a turma dos Muppets e realizar um Teleton para arrecadar dez milhões de dólares e quitar a dívida do estúdio.

Mesmo com um primeiro ato demorado, que se arrasta até revelar o conflito da trama, Os Muppets dá seus sinais de bom uso do seu conteúdo de imediato. Com uma Direção de Arte que abusa das cores em seus cenários e figurinos, cria um universo claramente ficcional idêntico ao do antigo seriado de TV, que ganha realces em seu caráter fantasioso ao apresentar números musicais cujo gran finale está em uma total desconstrução da característica fílmica (a se repetir ao longo da trama), não em um passo bem ensaiado. Mas os maiores acertos estão de fato na gigantesca empreitada para agrupar os membros do elenco do seriado. O time formado por Walter, Gary, Mary e Kermit protagonizam as melhores sequências na busca pelos integrantes da turma dos Muppets. É neste ponto que a autenticidade do roteiro de Jason Segel se pronuncia. Desde opções para driblar situações problemáticas aos personagens até (e principalmente) tiradas afiadas dos personagens, a trama se desenvolve bem e compensa o ritmo pouco enérgico do início.

Os Muppets tem como seu aliado uma arma potente. Ao contrário das recorrentes produções destinadas às crianças, esta não separa os núcleos de suas piadas (e nem ridiculariza suas participações especiais – excelentes, de bom gosto e bem posicionadas, diga-se de passagem). Não há aquelas feitas para o riso frouxo dos menores à plateia divergentes das que divertem os adultos. A gargalhada, desta vez, é compartilhada. E o ponto marcado é novamente de autoria de Segel. O filme brinca por toda sua jornada com o ato de estabelecer a ficção, ainda mais no Cinema. Questões fora da diegese passam a servir de tema de discussão e instrumento para contornar adversidades (vide a viagem por mapa e a bem apontada questão orçamentária da produção). As crianças riem, ingênuas, do absurdo e os adultos se deleitam com a esperteza do filme em caçoar da sua própria condição de Cinema.

Expostas suas artimanhas, Os Muppets imprime pouco a pouco o teor do seu desfecho (que, vistas todas as forças motrizes da existência do filme, não poderia ser diferente). Mas não por isso é um problema. E nem deveria ser. Observado quem o está assistindo, qualquer reviravolta seria imprudente e até mesmo grosseira. Cabe ao filme se guiar ao final que deveria seguir entregando a melhor performance possível. E, já tendo feito isso em seu desenvolvimento, retoma a força acrescentando questões bem-vindas ao seu público e floreando com uma pequena cereja do bolo ao final. Boba, simples, sem qualquer valor à trama já encerrada, mas inusitada.

Sem qualquer compromisso, Os Muppets faz muito bem a sua graça. Em alguns momentos dá até para rir com entusiasmo. Mas o maior motivo para se abrir um sorriso não está na esquisitice de Gonzo ou nos ataques de estrelismo de Miss Piggy. Seu maior valor está no profundo compromisso em resgatar a inocência da infância.

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The Muppets (EUA, 2011). Infantil. Disney Pictures
Direção: James Bobin
Elenco: Amy Adams e Jason Segel
Trailer
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