CRÍTICA: Os Vampiros que Se Mordam

Comédia
// 30/09/2010

Sátiras de filmes conhecidos nunca atraem tanto interesse. O máximo que conseguem é um grande número de dowloads ou vendas em camelôs, em suas versões piratas. Os Vampiros que Se Mordam, que estreia amanhã, é o primeiro com algum potencial (depois das continuações do popular Todo Mundo em Pânico) de sucesso. Lógico que isso não se deve ao filme em si, e sim pelo burburinho em cima de A Saga Crepúsculo, que recolhe milhões de fãs ao redor do mundo.

Sem o menor compromisso com a “ordem” cinematográfica e nem mesmo com o bom humor, Os Vampiros que Se Mordam consegue ser tão irritante quanto desastres como Deu a Louca em Hollywood e A Liga da Injustiça. A crítica que segue na continuação desta publicação procura fazer comentários acerca do filme, e, desta vez, se valendo de propósito de comentários pessoais e despojados, uma vez que nem mesmo uma postura formal merece ser considerada para o caso.

Os Vampiros que Se Mordam
por Tito Ferradans

Convenhamos que estava no ar uma certa ansiedade em torno de Os Vampiros Que Se Mordam. Não são poucas as críticas à Saga Crepúsculo, livro que originou uma verdadeira febre por hematófagos humanóides. Nessa onda de popularização da vampirada, vem um camarada e resolve fazer uma paródia, sátira, misturando tudo que está no topo – com ênfase em CrepúsculoLua Nova e , mas não deixando passar referências a True BloodAprendiz de Vampiro, por exemplo. Essa é a proposta básica do filme.

Uma cópia vazou na internet, algumas semanas atrás, e atiçou ainda mais a curiosidade das pessoas em relação ao que estava sendo feito. Fui para o cinema com um pé atrás, afinal essa coisa toda de paródias já tinha saturado com a série Todo Mundo em Pânico, que foi a única do tipo que me fez rir. Depois disso, tivemos que enfrentar coisas como Liga da InjustiçaEspartalhões Deu A Louca Em Hollywood – coincidentemente (ou não), todos esses foram escritos e dirigidos por Jason Friedberg e Aaron Seltzer, os mesmos caras que escreveram e dirigiram Os Vampiros Que Se Mordam.

Comecemos pelo fato de o filme não ter um enredo. Não há nem uma série de eventos que guie o espectador por uma possível história. É só uma (tentativa de) piada atrás da outra. No elenco principal, temos Jenn Proske como Becca Crane, Matt Lanter como Edward Sullen (mais uma das piadinhas canalhas do filme), e Chris Riggi no papel de Jacob White. Em relação à proposta original, ele não se mantém, focando quase exclusivamente nos dois primeiros filmes da Saga Crepúsculo, recriando muitas e muitas cenas, incansavelmente, com as tais piadinhas, sem um pingo de graça.

Entre os poucos méritos que podemos apontar, temos a similaridade incrível entre Jenn Proske e Kristen Stewart. A personagem-sátira também tem os mesmíssimos hábitos/tiques de Bella Swan, sua cara de sofrimento eterno, o movimento de colocar o cabelo atrás da orelha, olhar pra baixo e morder o lábio, enfim. Se você viu algum filme da Saga, possivelmente vai rir (um pouco) disso. Talvez eu tivesse achado mais graça se tivesse visto os outros filmes da série – só vi o primeiro. Temos piadas demais envolvendo murros, chutes, coisas que caem – garrafas, tijolos, antenas, carros, cadeiras de rodas, motocicletas, celulares, armas -, ferimentos e brigas. E tudo com efeitos sonoros exagerados. Americanos acham mesmo graça dessas coisas? Pra mim elas simplesmente não têm sentido.

Por fim, chegamos a um baile colegial, onde todos se vestem de vermelho, os vampiros de preto, e Bella de forma aleatória. Edward atrai atenção, brilhando, sem camisa, sob o Sol, quando aparecem bandos de fãs revoltadas, metade da “Edward’s Team” e a outra metade da “Jacob’s Team”, logo começando a partir para a porrada com pedaços de pau, pás e outras armas primitivas, defendendo seu ponto de vista sobre o personagem mais incrível da Saga. Então, da mesma forma sem sentido que começa, o filme acaba, sem mais nem menos.

Quando terminou, agradeci aos céus por ele só ter uma hora e quinze minutos. Se é pra rir de alguma coisa, dá pra rir da dupla de diretores, ou dos produtores que acreditaram que esse filme faria algum sucesso. Não sou fã de Crepúsculo, e acho uma grande bobagem essa febre vampiresca, mas Os Vampiros Que Se Mordam passa longe de conquistar o público que procura qualquer coisa que fizesse graça da trama e personagens de Stephenie Meyer. Não recomendo. Tempo jogado fora.

Vampires Suck (EUA, 2010). Comédia. 20th Century Fox.
Direção: Jason Friedberg e Aaron Seltzer
Elenco: Ken Jeong, Matt Lanter

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